terça-feira, março 11, 2008

Geração Órfã (2)

A orfandade vem sobretudo da direita que, nas últimas décadas, tem mantido um discurso de insuportável conservadorismo moral que afasta esta geração do voto. Não é que esta geração não aceite o conservadorismo moral, apenas não encontra qualquer motivo para votar num partido que mantém na sua agenda assuntos que dizem apenas respeito aos indivíduos e à sua intimidade. Mais do que isso, não encontra motivos para votar em partidos que afirmam ser o seu código genético distintivo, precisamente, a defesa dos valores morais.

Tenho escrito isto por diversas ocasiões e a diversos pretextos. E quase sempre as reacções que obtenho, por parte de quem pertence ou se encontra próximo dos partidos da direita, são de incompreensão. Lembro-me, por exemplo, do artigo que escrevi sobre casamentos entre pessoas do mesmo sexo, em que defendi que o Estado não tinha que intrometer-se nos contratos celebrados para esse efeito, para logo me acusarem de querer estar a ceder a uma qualquer cartilha esquerdista. Daí a lacaio do Bloco e a idiota útil foi um passo.

Não me assustam essas reacções, aliás perfeitamente legítimas, nem sequer as acusações, sempre prontas nestas coisas, de estar a tentar desvirtuar o código genético da direita. Sei qual é o meu caminho, que piso com clara consciência, como bem diz o Helder n'O Insurgente, que "é na direita liberal/conservadora que desde a WWII se situa a liberdade de escolha" e que "o empecilho tem sido sempre a ideia atávica da utilização do poder do estado para impedir a ruptura com as tradições, com o belo resultado que se tem visto".

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