terça-feira, março 11, 2008

Geração Órfã (3)

Vem isto a propósito do artigo do João Marques de Almeida no Diário Económico, intitulado Geração Enganada. Artigo que subscrevo quase integralmente e que, acredito eu, não vai ser apelido de lacaio do Bloco nem de idiota útil. Deixo aqui, com sublinhados meus, o parágrafo que melhor reflecte o que tenho vindo a escrever:

Para conseguirem falar a esta geração, os partidos de centro-direita têm, antes de mais, que ser modernos, abertos e tolerantes. É o conservadorismo moral que afasta, instintivamente, esta geração da direita e a aproxima da esquerda. Por razões históricas, a direita em Portugal está associada a uma cultura que julga e condena antes de tentar compreender. Ora a geração “recibo verde” é tolerante, respeita a diversidade e vive de um modo pouco ortodoxo. Não é um crime, nem um erro, desejar escolher o modo como se quer viver. Não devemos olhar para as pessoas como culpadas por escolherem certos modos de vida com os quais não nos identificamos, mas sim como livres para o fazerem. Julgar e condenar os outros pelo seu modo de vida constitui uma arrogância inaceitável. Ora, em Portugal, a direita cai muitas vezes neste erro. O que não deixa de ser um pouco estranho, tendo em conta a tradição de tolerância nas famílias ideológicas do centro-direita. A consciência da fraqueza e da imperfeição da condição humana e da impossibilidade de a tornar “avançada” é um traço da maioria das correntes liberais e conservadoras. Vive e deixa viver deverá ser um dos princípios condutores a direita. Se assim for e o disserem claramente, a geração adiada começará a olhar de um modo diferente para os partidos de centro-direita.

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