sexta-feira, março 21, 2008

O Garrett já não mora aqui



Nas minhas andanças por Lisboa passei pelo local onde antes ficava a Casa Garrett, assim elevada a maísculas por alguns histéricos do Património Cultural da Humanidade e Aléns. Poucos se lembram, mas no local existia um barraco forrado a azulejos. Hoje existe um barraco forrado a mármore. É feio que dói, mas pelo menos é salubre. Da "memória" de Almeida Garrett lá ter vivido, nada. Fica a Imensa Revolta por não haver ali nem uma plaquinha alusiva. De certeza faria muita gente correr para as livrarias comprar livros do visconde.

16 comentários:

  1. Se a casa é feia ou não deixo para os especialistas. Mas há que ressalvar que a casa só foi habitada poucos meses por Garrett antes de morrer, que estava num estado deplorável e sem hipóteses de recuperação, que no jardim havia barracões em cimento e que, para finalizar, o Município não estava nada interessado na casa por ela não ter qualquer valor artístico, portanto deixem-se de histerias.

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  2. A anterior construção era um exemplar da arquitecura romântica que não há propriamente aí aos pontapés, ainda para mais associada a um nome que nada tem de irrelevante na literatura portuguesa. Agora está salubre... Estará? Tratou-se de uma acção duplamente inqualificável: Não tem classificação possível a acção levada a cabo e não qualifica o espaço urbano nem preserva o património cultural. Um povo que não cultiva o passado, a memória é um povo sem futuro. Pode parecer um chavão mas infelizmente não é. Antes fosse. Seria sinal que estavamos a falar de algo amplamente divulgado e comum.

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  3. Pelo amor de Deus, André, já tivemos o 25 de Abril e o PREC para deixarmos de falar de "povo" e dos "valores" que o "povo" devia prezar.

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  4. O António acaba por parecer uma espécie de boomerang com essas afirmações. Quer parecer tão avançado e moderno que o resultado desse impulso é regredir ainda mais. Esperemos que não seja atingido com o embate no retorno. A destruição de património cultural é sempre uma forte pancada em todos nós, mesmo naqueles que apoiaram e contribuiram para a mesma. Temos, de facto, conceitos diferentes de salubridade urbana e pelos vistos das funções do património cultural e da construção da Memória na sociedades contemporânea.Democracia e pluralismo em curso. E ainda bem.
    Se o PREC já lá vai (e ainda bem), não queira o António voltar a tempos ainda mais remotos e primitivos.

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  5. O problema reside - que expressão tão apropriada - nas construções que por aí se vão erigindo. se Lisboa já tinha o conhecido problema de falta de planeamento - desde as volumetrias ao estilo arquitectónico de cada zona -, agora estamos pior. Por vezes duvido que tenham sido arquitectos a a conceber essas caixas de sapatos em betão. Dentro de 20 anos, que cidade teremos para mostrar? Um colossal Cacém?

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  6. AA fez bem em não ter respondido ao histérico que não é especialista em saber se gosta de casas.
    Quanto ao andré sd já se percebeu que não pertence a este 'povo': é um fervoroso da salubridade urbana (esgotos públicos ?) e preza a Memória ... do PREC

    AA, havia simsenhor, não uma plaquinha alusiva, mas uma soberba moldura de pedra com baixo-relevos e descritivo, sobre a verga da porta nr.68 da Saraiva de Carvalho. Bastava terem-na recuperado e integrado na nova fachada asséptica.

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  7. Eu não estou precisamente a escolher a quem comento - mas que frequentemente comento as ideias com as quais não concordo.

    Aquele casebre escondido da vista, e os esforços que foram feitos para o preservar para a posteridade, são perfeitos alvos para o ridículo. Ou, se quisermos ver, exemplo do absolutismo dos defensores do planeamento central urbano.

    Quanto à lápide, concordo, existindo façam lá esse favor. Não por uma questão de bafio perpetuado - antes pelo contrário, a "memória" fica, a cidade evolui. Se evolui "mal", bem... digamos que esse é um conceito muito romântico.

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  8. M Freitas só lhe posso dizer, com a maior das calmas, que está completamente enganado(a). Se ler bem quem utilizou em 1º lugar o termo salubre foi o António, eu apenas lhe dei continuidade, por isso as suas interrogações não têm razão de ser.

    A lápide será só uma reminiscência menor (melhor do que nada é certo) que pode ser comparada ao pintar de fachadas e a quem vi isso como acções de recuperação e valorização do património cultural e reabilitação urbana.

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  9. M Freitas,

    O completamente enganado(a) inclui obviamente essa história da memória do PREC. Vê-se bem que não me conhece. Nem é suposto. Mas tal desconhecimento leva-o(a) a arriscar hipóteses ridículas. Mas o que seria da vida sem riscos?

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  10. Sim o "salubre" é meu. Dá-me prazer saber que as pessoas estão bem instaladas. Que não são os edifícios que estão bem instalados à custa das pessoas.

    Já por várias vezes defendi que muito "património urbano" "histórico" devia ser deitado abaixo e reconstruído mantendo a mesma traça — mas com todos os confortos da vida moderna.

    (o que não quer dizer que eu entenda que o barraco Garrett deveria ter mantido a mesma fachada, era dos edifícios mais feios daquela rua. Continua a ser, não se perdeu nada. )

    Claro que a filosofia acima é apelidada de "fachadismo" e leva outros mimos da inteligentsia. Quem não é do povo entretém-se a advogar que as pessoas devem gozar um certo neanderthalismo arquitectónio - prédios a cair de podres "bom", recuperações caríssimas "melhor", conforto segurança e saúde mau.

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  11. O António acaba por parecer uma espécie de boomerang com essas afirmações

    Lamento, mas contra adjectivos ou figuras de estilo não há argumentos.

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  12. António,

    O património cultural é um conjunto de manifestações humanas e de testemunhos das formas de ser e estar das pessoas ao longo do processo histórico. Deve fazer parte integrande do conceito de desenvolvimento e de qualidade de vida. A qualidade tem o seu preço...Pois tem! Mas é da qualidade de vida das pessoas que estou a falar. E isso é bom. Radicalismos e maniqueísmos mau.

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  14. André SD, dizer que um edifício é salubre não é o mesmo que encaixá-lo pretensiosa e descabidamente na salubridade urbana. Leia qualquer coisa sobre o assunto.

    A recolocação enquadrada da lápide seria precisamente uma reminiscência (não é culto dizê-la 'menor' ou 'maior') que preservaria a memória daquele sítio; o que, com razão, AA pretendeu denunciar ter sido esquecido. Confundir esse conceito com o da pintura compulsiva de fachadas de prédios recuperáveis tem tanto de radicalismo como achar que se devam remodelar edifícios do suposto/duvidoso 'património cultural' mantendo-se apenas as fachadas, num exercício de 'travestimento' urbano.

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  15. M Freitas,

    A língua portuguesa é suficientemente rica e diversa para não ser alvo unicamente de leituras à letra. Já que está numa de recomendações literárias deixe-me também fazer-lhe algumas. Que tal uns livrinhos do "nosso" visconde? Prosa, verso, teatro tem muito (e bom) por onde escolher. E talvez assim consiga entrar melhor na riqueza da nossa língua.

    A placa evocativa seria e será sempre uma reminiscência menor em comparação com a reabilitação e restauro da casa original (caso tivesse avançado, caso o proprietário não tivesse deixado chegar ao estado de degradação em que estava, caso o Estado-via IPPAR-tivesse sido mais célere e eficiente na classificação). O que não é correcto ou "culto" (para utilizar a sua expressão) é fazer a distinção entre as artes ditas maiores (pintura, escultura...) e as ditas menores (artes decorativas...).

    Percebo a alusão que faz o António, já referi que seria melhor a placa (inclusivamente a tal antiga que já existia)do que nada. Agora quero também alertar para tantas outras situações em que pretensos restauros que se limitam a "recuperar" edifícios históricos (o conceito de belo não é aqui o mais relevante) mantendo exclusivamente as suas fachadas e esquecendo todo o restante conjunto. E deitar edifícios antigos, ou melhor, com interesse patrimonial e cultural (nem tudo o que é antigo só por esse facto é justificação para a sua manutenção) e construir novos seguindo a mesma traça não é o mais correcto em termos de conservação e restauro, aliás não é pura e simplesmente restauro nem sequer reabilitação urbana que deve promover, na medida do que é razoável e do que é cientifica e tecnicamente recomendável, o convívio entre o antigo e o moderno.

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