segunda-feira, março 17, 2008

Sobre a difamação

O Estado não tem qualquer legitimidade para policiar "agressões" ao "bom nome" das pessoas. Se adultos querem comportar-se como criancinhas, chamar nomes uns aos outros, que o façam. Ter um sistema judicial ao serviço do "vou chamar a 'stora" é de uma infantilidade institucional confrangedora.

A decisão "Colunista Daniel Oliveira condenado a pagar dois mil euros a Alberto João Jardim por difamação" (Público), que visou o texto "O Palhaço Rico" (Arrastão) é patética. Chamo patética para não chamar palhaça. Não que AJJ não tenha razões para achar que DO foi incorrecto.

É que não interessa a ninguém. O "bom nome" é um intangível que a ninguém pertence; e se a "sociedade" se não gosta de garotadas bem pode repudiar uma ou outra personagem, ou as duas. Não é preciso — ou legítimo — qualquer policiamento dos pensamentos ou das palavras.

Ao tornar o insulto um produto escasso, o Estado aumenta artificialmente o seu valor. Torna-o mais apetecido. Incentiva o insulto velado, a insinuação reles, a crispação social. E alimenta a sua máquina de suave e sorridente repressão.

Mais: qualquer pena devia ser paga no mesmo género, se e quando possível. Tanto melhor, porque o "bom nome" não é quantificável. Se é entendido que DO ofendeu AJJ, então AJJ devia poder insultar o DO sempre e quando lhe apetecesse durante uns tempos. Íamo-nos fartar.

6 comentários:

  1. E a tutela que se lixasse...está mesmo anarca, meu caro António...

    ResponderEliminar
  2. POR FAVOR, DIVULGUE CORRUPÇÃO. OBRIGADO
    http://palcopiniao.blogspot.com/search/label/C%C3%82MARA%20MUNICIPAL%20DE%20COIMBRA%20URBANISMO

    ResponderEliminar
  3. Não me atreveria a mexer na tutela! Claro que tudo seria feito sem perturbar os interesses instituídos que zelam pelo nosso bem...

    ...afinal tento na língua nunca fez mal a ninguém, e estes excessos democráticos de liberdade de expressão não servem o bem nacional, porque enfraquecem o espírito colectivo que deve reger a sociedade como um corpo coeso.

    Voltando ao início, acho que a tutela poderia ser empregue a escrever fichas individuais sobre os indivíduos, detalhando os maus pensamentos e palavras que dirigiram aos seus concidadãos...

    [ a quem já não está habituado: é sarcasmo meus amigos ]

    ResponderEliminar
  4. Na verdade por vezes apetece

    o tempo de sabre

    Conto consigo - não fuja

    ResponderEliminar
  5. Pois, isso é giríssimo: difamar! Difamar! Difamar! Pronto! E já agora dar umas caroladas também não faz mal a ninguém.

    ResponderEliminar
  6. Caroladas pois claro. E matar também. E coisas piores, como ultrapassar pela direita.

    ResponderEliminar