terça-feira, março 18, 2008

Venusberg


John Collier, In the Venusberg

9 comentários:

  1. Imagino que seja difícil não gostar disto. No entanto, pode-se tentar. Comece-se pela data: 1901. Leram bem: 1901, não 1501. Passe-se à constatação de que a peça é tematicamente hipócrita: a lenda medieval de Tannhäuser é mero pretexto para vender imagens de mulheres nuas, trinta e tal anos depois de Courbet as ter pintado nuas sem desculpas, n’O Sono, e Monet em Le déjeuner sur l'herbe. Mesmo assim, aqui ainda teimam em apresentar-se convenientemente ( e irritantemente) “barbeadas”, isto quase quarenta anos depois de Courbet ter revelado à humanidade, na “Origem do Mundo”, que as mulheres tinham pelos púbicos. Mesmo tentando controlar o cinismo e aceitando que Collier sofresse realmente de um sincero fascínio pela Idade Média, em 1901 (não em 1801) isso seria apenas Romantismo serôdio. Não cabendo aqui discutir os méritos ou deméritos da Irmandade Pré-Rafaelita, há que notar que as uvas que esse chão deu já eram passas, passado que era meio século.
    Quanto aos aspectos propriamente plásticos, talvez se torne mais fácil explicar: esta pintura “lambida” é chata tanto metafórica quanto literalmente. Andaram os Impressionistas a labutar para que lhes aceitassem a pincelada à vista – o que em 1901 até já o público comum conseguia apreciar – para isto, valhanosdeus. Pior, em 1901 até o Impressionismo era já “favas contadas”; estava, por essa altura, o Pós-Impressionismo grávido do século vinte, que nasceria pouco depois, em 1905, e cresceria todo ele contra este passado, para o qual já não havia cu.
    Hoje, já não há cão nem gato que não teça loas aos impressionistas e é certo não vem mal ao mundo da atitude abstencionista de se gostar de uma coisa e do seu absoluto contrário, mas, talvez se goste com mais gosto quando se opta, sei lá.
    Se fosse permitido discutir os gostos, então não teria alternativa senão dizer que é difícil encontrar pintura mais retrógrada do que esta.
    Sendo, contudo, muito tolerante em matéria de opções individuais (o que decorre de ser um liberal empedernido, isto sem qualquer ironia) recomendo aos apreciadores do género a “Lady Godiva” do mesmíssimo manuseador de pincel .
    P.S. (salvo seja) parabéns pelo excelente blogue com cujas posições tendo, em geral, a concordar.

    ResponderEliminar
  2. Caro Gorgulho,

    O post não era um art statement - mas obrigado pela contribuição - tudo menos "lambida"!

    A.

    ResponderEliminar
  3. "O post não era um art statement".

    Desconfiei. Hesitei. Pensei: e se for, por exemplo, apenas a ilustração dum não-dito? Concluí: justifica-se na mesma o comentário para quem "ler" o post como "um art statement". A si: parabéns, outros.
    A verve inflamada compreende-se melhor se se pensar que estas coisas são o meu futebol. Há gente estranha.

    ResponderEliminar
  4. O meu campo é mais música, não tanto pintura - é que há uma produção do Tannhauser no Liceu de Barcelona... :)

    ResponderEliminar
  5. Ah!... Desfrute, então. Bela história, bela música, bela cidade.
    Bons arrepios no “Coro dos Peregrinos”.

    ResponderEliminar
  6. Hum...rapadinhas!...

    (Isto estava demasiado enciclopédico)

    ResponderEliminar
  7. É o fascínio por Tannhäuser ! Independentemente da porno-'lambida' do acima bicho manuseador do teclado que dá pelo nome popular do Cosmopolites Sordidus, já Cezanne pintava em 1869 no seu período dito 'negro', a sua mãe Anne-Elisabeth Honorine Aubert e sua irmã Rose a tocar esta intemporal abertura wagneriana.

    ResponderEliminar
  8. Difícil falar. Bastam os olhos.

    ResponderEliminar
  9. No entanto, está a anos de luz de coisas que vemos por aí. Por exemplo, telas brancas com um risco ou garatujo, ou outras, totalmente azuis ou de outra cor. É que o rei... vai nu!

    ResponderEliminar