Perplexidades
O Nuno Teles escreve sobre filantropia no Ladrões de Bicicletas e o João Gomes aplaude no Câmara dos Comuns e insurge-se contra os filantropos. Diz mesmo que a solidariedade social tem sido utilizada, na maioria das vezes, pela Igreja Católica e outras instituições de direita, com o simples objectivo de enfraquecer os movimentos sociais de base e políticos, que lutam, estes sim, por uma maior igualdade social.
A ver se percebo bem e sem me rir.
Os movimentos sociais de base são o quê? Uma fundação não é um movimento social de base? Há uma lista de movimentos sociais de base? Só pode ser movimento social de base aquele que for presidido por alguém não milionário? Ou apenas será movimento social de base aquele que constar de uma lista elaborada por um comité? Ou aquele que for de esquerda?
E os filantropos fazem o mal enquanto os políticos praticam o bem? É isso? Mas quais políticos? Os que são incapazes de acabar com listas de espera? Os que empurram os jovens para escolas em condições absurdas? Os que enterram o país na despesa pública?
Uma coisa é denunciar organizações (sem esquecer as estaduais) que fogem à lei. A lei é para cumprir (e, já agora, podia analisar-se o fenómeno legislativo que enforma estas actividades). Outra é politizar o que não pode nem deve ser politizado (o que é isto de solidariedade social de direita???) e insurgir-se contra organizações que ajudam a mudar a vida de milhões. E é engraçado que o João mencione precisamente a Igreja Católica, instituição que chega onde o Estado não chega e ousa onde o Estado não ousa. E suponho que não vou ser acusado de beato de sacristia. Ou vou?
A ver se percebo bem e sem me rir.
Os movimentos sociais de base são o quê? Uma fundação não é um movimento social de base? Há uma lista de movimentos sociais de base? Só pode ser movimento social de base aquele que for presidido por alguém não milionário? Ou apenas será movimento social de base aquele que constar de uma lista elaborada por um comité? Ou aquele que for de esquerda?
E os filantropos fazem o mal enquanto os políticos praticam o bem? É isso? Mas quais políticos? Os que são incapazes de acabar com listas de espera? Os que empurram os jovens para escolas em condições absurdas? Os que enterram o país na despesa pública?
Uma coisa é denunciar organizações (sem esquecer as estaduais) que fogem à lei. A lei é para cumprir (e, já agora, podia analisar-se o fenómeno legislativo que enforma estas actividades). Outra é politizar o que não pode nem deve ser politizado (o que é isto de solidariedade social de direita???) e insurgir-se contra organizações que ajudam a mudar a vida de milhões. E é engraçado que o João mencione precisamente a Igreja Católica, instituição que chega onde o Estado não chega e ousa onde o Estado não ousa. E suponho que não vou ser acusado de beato de sacristia. Ou vou?
tema por AMN em 15:47











3 Comentários:
Clap! Clap! Brilhante
Nesses outros dois posts comentei que discordava deles pelas seguintes razões:
1. É um problema apenas de quem decide gastar dinheiro nisso. E cada um gasta o seu dinheiro como quiser.
2. O que fazem as instituições filantrópicas obviamente não pode nem deve condicionar o trabalho do Estado.
3. É curioso que a conclusão 5. seja contraditória com a crítica de 2. É tão ilegítimo defender que só os mais ricos definam as prioridades sociais como defender que algumas organizações têm que ser mais fortes que outras só por serem "de base".
Ah, e já agora. Independentemente da opinião sobre a mesma (e sobre onde chega ou não chega e ousa ou não ousa), é do domínio dos factos que a Igreja Católica já cá andava muitos séculos antes dos "movimentos sociais de base", e tem definitivamente mais que fazer do que se preocupar com eles.
E considerar que a mesma, tal como pelo menos a grande maioria das outras religiões, tem fins lucrativos é pura e simplesmente ridículo.
A Igreja Católica chega onde o Estado não chega... mas curiosamente fá-lo com subvenções estatais.
Quanto ao resto, pode-se ser ateu e clericalista. Aliás, um dos grandes inspiradores de Salazar nas relações entre Estado e Igreja era precisamente Maurras, um ateu que defendia que a Igreja devia ser protegida pelo Estado (dada a sua utilidade na conservação de uma dada ordem social).
Faça um contraponto! (comentário)
Continuar a ler o A Arte da Fuga!