segunda-feira, março 31, 2008

Interesse nacional? Naaahhh! (3)

As declarações de António Borges e o desmentido de Manuel Pinho provam o estado em que fica a economia portuguesa sempre que esta depende do Estado.

De facto, quer as acusações de Borges, que se queixa de ter visto cancelados todos os contratos com a Goldman Sachs depois da sua participação no Congresso do PSD, quer a resposta de Manuel Pinho, instando os governos anteriores a explicar as verbas envolvidas na consultoria da Goldman Sachs, mostram bem que, no fundo no fundo, a economia nacional é utilizada como joguete ou trunfo na luta política e partidária.

Não interessa apenas descobrir se é mesmo verdade aquilo que Borges diz, porque a reacção de Pinho, embora desmentindo, acusa bem o toque de que, a não ser verdade, poderiam bem ter sido, porque é assim que se passam as coisas.

É por isso que custa ver algumas das mais inflamadas defesas da intervenção estadual na economia. Porque de cada vez que se fala em proteger o interesse nacional, sabemos bem que de nacional tem pouco.

Inignados ma non troppo

Nem vale muito a pena falar das reacções do PCP à situação no Tibete. Já todos sabemos às quantas andam os comunistas portugueses, para quem a Coreia do Norte é democracia e as FARC convidados de honra na festinha anual. Mas já valeria a pena falar em todos aqueles que, sempre indignados com a política de relações internacionais do PCP, não rejeitam com eles coligar-se ou deles fazer parceiro natural de governação. Num país sempre tão severo com as hipocrisias políticas, a resistência e a respeitabilidade do PCP constituem um dos mais impressivos traços da nossa política. E diz muito sobre ela.

Os modernos ditadores

Há quem goste de pregar o Estado laico enquanto abertamente defende que este adira às modernas religiões, assentes também na esperança de um mundo de homens bons, como a ecologia ou o higienismo. E há quem, a propósito de um Estado laico, se entretenha a defender o laicismo da sociedade. Uns e outros são os modernos ditadores do nosso tempo. Gostam demasiado de exercer o poder para comandar as nossas vidas. Para o nosso bem. Para a nossa salvação.

sexta-feira, março 28, 2008

Coitadinha da menina

E eis que o Público nos informa que numa das reuniões do conselho executivo, a professora agredida autorizou os alunos a manterem os telemóveis ligados, permitindo-lhes que ouvissem música. O Público não esclarece porém, como se não fosse importante ou relevante, de onde veio essa informação. Da professora, dos colegas, dos alunos? Quem a ouviu e quando? Antes ou depois da agressão? Assim como não esclarece se, a existir essa autorização, a mesma cobria todas as tarefas da aula ou apenas a elaboração de fichas, testes e composições, por exemplo.

Antigamente

O episódio da rapariga absolutamente merecedora de expulsão do sistema por um par de anos é bem paradigmático do estado de alguma esquerda que persiste em manter o status quo com base no fantasma do antigamente. Quase como se apenas houvesse duas alternativas, o estado actual ou o estado do antigamente.

É por isso mesmo que a coisa vai como vai. Quando a maioria dos que nos governam e representam só conseguem perceber o que foi sem vislumbrar o que vem temos o o contexto ideal para o marasmo imobilista em que vivemos. E lá se transfere a rapariga, para longe dos olhos, para que mais ninguém dela se lembre até que a TVI, daqui a 10 anos, faça um reportagem ao estilo what happened to.

Divórcio

Não é descabido, de forma alguma, que as pessoas possam ter liberdade para definir os termos do contrato de casamento, nomeadamente através da inclusão de cláusulas que permitam e definam o divórcio unilateral. O que já me parece mais descabido é que sejam os deputados, que apesar de 200 e tal não são suficientes para apreender todas as realidades existentes, a definir de forma taxativa de que forma esses contratos devem ser celebrados.

Porque ao contrário daquilo que o PS e o Bloco parecem afirmar, as recentes propostas legislativas não oferecem maior liberdade às pessoas. Antes a restringem, porque tendem a matizar fórmulas, sempre insuficientes para satisfazer as inúmeras motivações dos casais, quase sempre num espírito de engenharia social que tem como resultado a confusão geral e a imposição, aos casais, de regras que eles não querem nem pediram.

Em vez de passarem horas a discutir a vida dos outros, os deputados deveriam limitar-se a abrir a conformação dos termos do contrato à vontade dos casais. E ponto final.

quinta-feira, março 27, 2008

Afinal

Afinal não era irrealista nem tonto nem irresponsável nem diabo a quatro baixar os impostos. Irrealismo, tontice e irresponsabilidade é mesmo baixar os impostos sem que essa medida consiga atingir o objectivo de libertar os portugueses da ditadura fiscal.

Querem mesmo reformar? (2)

Por várias vezes pergunto, sem grandes respostas encontradas, por que razões os sucessivos governos falham a reforma da Administração Pública e se mostram incapazes de resolver o problema da despesa pública. De há duas décadas para cá que esses são dois pontos centrais dos programas de governo aprovados no parlamento e de há duas décadas para cá que os governos sucessivamente falham nos seus propósitos.

Daí que ou os ministros que por lá andaram são todos uns mentirosos e incompetentes, o que duvido, ou a questão é mesmo de paradigma de Estado.

Querem mesmo reformar? (1)

Vale a pena passar pelo Small Brother e ler o post Imobilidade do Ricardo G. Francisco:

A diminuição dos gastos correntes do Estado não pode ser feita de forma séria sem uma redefinição das funções do Estado. Qualquer plano de intenções sem esta redefinição será manco de sentido e de critério no corte.

De facto, como tive ocasião de escrever num artigo publicado na Atlântico, chamado a Reforma da Administração Pública segundo Miss Marple, a reforma da Administração Pública é quase sempre olhada sob um ponto de vista de racionalização financeira, o que dá bem conta, ou bem ajuda a explicar, o porquê dos sucessivos falhanços dos seus intentos:

O mesmo é dizer que as propostas de reforma que actualmente se conhecem se propõem resolver o problema do gigantismo estadual sem, por um momento, se deterem nos pressupostos em que este assentou e nas linhas de força que actualmente ainda o motivam. Na verdade, essas propostas parecem quedar-se por um conjunto avulso de medidas de gestão e racionalização financeira, como se a evidente falência do Estado Social se resumisse a uma incapacidade económica temporária da intervenção estadual em alcançar os seus objectivos prestadores.

O resultado desta recusa em debater os fundamentos da intervenção estadual não é benéfico para ninguém, nem para a própria administração pública, que se vê objecto de experimentalismos diversos que nada resolvem e que, em alguns casos, são totalmente contraproducentes.

Importa, por isso, colocar a questão determinante, fora do estrito âmbito financeiro em que a reforma da administração pública vem sendo encarada entre nós: está a administração pública dotada de capacidade e legitimidade para definir e prosseguir um interesse geral, consensual e permanente, que não se confunda com o interesse governamental nem com os interesses e objectivos sectoriais e particulares, ainda que partilhados por uma maioria?

Olympic torch


fonte: The People's Cube
( inspiração: foto - wiki )

terça-feira, março 25, 2008

The Economic Organisation of a P.O.W. Camp

Um texto clássico, altamente recomendado: "The Economic Organisation of a P.O.W. Camp" de R. A. Radford:
Although a P.O.W. camp provides a living example of a simple economy which might be used as an alternative to the Robinson Crusoe economy beloved by the textbooks, and its simplicity renders the demonstration of certain economic hypotheses both amusing and instructive, it is suggested that the principal significance is sociological. True, there is interest in observing the growth of economic institutions and customs in a brand new society, small and simple enough to prevent detail from obscuring the basic pattern and disequilibrium from obscuring the working of the system. But the essential interest lies in the universality and the spontaneity of this economic life; it came into existence not by conscious imitation but as a response to the immediate needs and circumstances. Any similarity between prison organization and outside oganization arises from similar stimuli evoking similar responses.

à distância

Equívoco do dia

Público não quer dizer estatal.

Seja bem aparecido

O Canhoto regressou.

Mutualismo

Está de parabéns o Público, por adoptar uma ferramenta na sua edição on-line que assegura uma ligação directa para os blogues que comentam os seus textos. Tendo os jornais há muito percebido a qualidade e a importância da blogosfera, a que recorrem sistematicamente, nada mais justo do que expressamente reconhcer tal qualidade e importância, estabelecendo uma relação directa e assumida entre blogues e jornais.

segunda-feira, março 24, 2008

Academia

Professors Progress Like Ads Advise por Robin Hanson:
(...) academia is no more about making useful intellectual progress than advertising is about informing consumers. Professors seek prestigious careers, while funders and students seek prestige by association. Academics talk and write primarily to signal their impressive mental abilities, such as their mastery of words, math, machines, or vast detail. Yes, contributing to useful intellectual progress can sometimes appear impressive, but the correlation is weak, and it is often hard to see who really contributed how much. Progress happens, but largely as a side effect.

Pergunta do Dia

Tão caladinha que anda a Ana Benavente depois da visualização do vídeo em que uma aluna a precisar de ser expulsa durante 5 anos do sistema público de ensino agride uma professora. Esperará por um documentário da Diana Andringa a dizer que a agressão nunca aconteceu?

Bloqueios Constitucionais (1)

Vai interessante a discussão entre o Henrique Raposo e o Pedro Marques Lopes acerca do eventual bloqueio da Constituição (CRP) às reformas essenciais que tardam em ser feitas em Portugal. O Henrique atribui à CRP tal papel e o Pedro parece duvidar do mesmo, e pergunta “Gostaria que alguém me desse um, só um, exemplo de possíveis reformas que a Constituição bloqueie”.

Penso que a razão está algures entre ambos. Se é certo que, com o Henrique, concordo que a CRP contém em si mesma uma aptidão de bloqueio, inscrita em várias normas e alimentada por várias interpretações, também não posso deixar de, aproximando-me do Pedro, registar a aparente falta de vontade de todos os governos em imprimir uma revisão ou ruptura constitucional de forma a permitir as tais reformas.

Daí que os exemplos de reformas que a CRP efectivamente está apta a bloquear sejam apenas, até ao momento, bloqueios teóricos, abstractos, que ninguém ousou transpor precisamente porque ninguém ousou discordar.

Assim, pode dizer-se em abstracto que a CRP impede, no seu texto actual, que se toque, por exemplo, na configuração dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos; nos direitos dos trabalhadores, das comissões de trabalhadores e das associações sindicais; na coexistência do sector público, do sector privado e do sector cooperativo e social de propriedade dos meios de produção; na existência de planos económicos no âmbito de uma economia mista ou no sistema eleitoral de representação proporcional.

Bloqueios Constitucionais (2)

E para além desses exemplos, expressamente previstos pela própria CRP, outros existem que sobrevivem graças às interpretações que da CRP fazem não só os partidos políticos, como os constitucionalistas, como o Tribunal Constitucional ou o próprio Presidente da República e que, no seu conjunto, oferecem um contexto que dificulta as reformas e promove a cautela constitucional.

É assim Pedro, por exemplo, que há quem veja na CRP a imposição de uma RTP estatal, de um Serviço Nacional de Saúde eminentemente estatal ou a proibição de um sistema fiscal assente na flat tax.

Claro que está que a CRP poderia permitir interpretações mais abertas às reformas. Poderia e pode. Acontece, porém, que essas interpretações tardam em chegar e, quando chegam, defrontam-se com inúmeros obstáculos, nomeadamente porque precisam de um consenso que a oposição não gosta de proporcionar.

A coisa agrava-se quase sempre com o PS na oposição, que tende a servir-se da CRP, quase sempre com a conivência do Presidente da República, para obstar às reformas governativas, bloqueando-as ou mitigando-as. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Código do Trabalho de Bagão Félix, que começou por ser uma montanha e acabou um rato.

brevemente de partida

Sao os loucos de Lisboa
Que nos fazem duvidar
Qu'a Terra gira ao contrário
E os rios nascem no mar

domingo, março 23, 2008

Organs for sale


Kidneys For Sale?


Virgina Postrel, do Cato Institute em Free the Kidneys (Reason):
The video is excellent, even though all of us look pretty awful. The only thing I'd fault it for is not making the point that--I cannot say this often enough--EVEN IF EVERY SINGLE ELIGIBLE CADAVER KIDNEY WERE DONATED, THERE WOULD NOT BE ENOUGH. This shortage cannot be fixed by changing the law to override families' wishes and turning everyone who hasn't explicitly said no into a deceased donor ....

A não perder: Organ Sales and Moral Travails: Lessons from the Living Kidney Vendor Program in Iran;
If a decade's worth of reports in the transplant literature are to be believed, only one country in the world does not suffer from an organ shortage: Iran. Although Iran clearly does not serve as a model for solving most of the world's problems, its method for solving its organ shortage is well worth examining. Organ donation is ubiquitous throughout the world, but Iran is the only country that legally permits kidney vending, the sale of one individual's kidney to another suffering from kidney failure.

Separados à Nascença


Technoviking


António Variações

sexta-feira, março 21, 2008

The beginning

The best five years

Via Johann Norberg:
"Focusing on GDP per person also affects comparisons of economic health over time. During the past five years, world GDP has grown by an average of 4.5% a year, its fastest for more than three decades, though not as fast as during the golden age of the 1960s when annual growth exceeded 5%. But the world´s population is now growing at half of its pace in the 1960s, and so world income per head has increased by more over the past five years than during any other period on record. Mankind has never had it so good."

Not Worth Metal It’s Made Of

"Penny Problem: Not Worth Metal It's Made Of" (ABC):
With the rising cost of metals like copper and zinc, that one red cent is literally putting us in the red.

"It costs almost 1.7 cents to make a penny," said U.S. Mint director Ed Moy.

Each year, the U.S. Mint makes 8 billion pennies, at a cost of $130 million. American taxpayers lose nearly $50 million in the process.

The penny's not alone. It costs nearly 10 cents to make a nickel.

Batalha contra a concorrência (1)

Em 1979, Michael Porter, professor da Harvard Business School, publicou o paper "How competitive forces shape strategy". Neste trabalho, apresentava o framework das cinco forças, que veio a tornar-se um clássico.

Consistia num modelo simples para empreender a análise de um determinado mercado (Industry Analysis). Cinco categorias ("forças") sumarizavam as condições do mercado, traduziam as ameaças à sustentabilidade competitiva que qualquer agente enfrenta continua e dinamicamente, e permitiam apontar caminhos para formulação de uma estratégia comercial coerente.

Aqui, um bom Youtube com Michael Porter himself.

O Garrett já não mora aqui



Nas minhas andanças por Lisboa passei pelo local onde antes ficava a Casa Garrett, assim elevada a maísculas por alguns histéricos do Património Cultural da Humanidade e Aléns. Poucos se lembram, mas no local existia um barraco forrado a azulejos. Hoje existe um barraco forrado a mármore. É feio que dói, mas pelo menos é salubre. Da "memória" de Almeida Garrett lá ter vivido, nada. Fica a Imensa Revolta por não haver ali nem uma plaquinha alusiva. De certeza faria muita gente correr para as livrarias comprar livros do visconde.

It’s About Freedom, Not Climatology

"It’s About Freedom, Not Climatology" de Floy Lilley:
For over seventeen years I have witnessed at United Nations international gatherings so much ego, money and meeting time being poured into this global central plan to ration energy – to control carbon dioxide by controlling people. To control people by controlling carbon dioxide. To brand the stuff of life – carbon – a deadly pollutant. Political, activist and business careers, especially legal careers, now depend upon creating this new bureaucratic global layer of rules and regulations. The new-age rulers want the wealth and power that will accrue to them as they impose their centralized, consummate plans upon us.

The Czech Republic’s President stands firm, honoring the lives and liberties of his citizenry against this particular brand of fresh oppression ....
"Future dangers will not come from the same source [communism]. The ideology will be different. Its essence [environmentalism and climate alarmism] will, nevertheless, be identical – the attractive, pathetic, at first sight noble idea that transcends the individual in the name of common good, and the enormous self-confidence on the side of its proponents about their right to sacrifice the man and his freedom in order to make this idea a reality."

"What I see in Europe and the U.S.," Klaus cautioned, "is a powerful combination of irresponsibility, of wishful thinking, of implicit believing in some form of Malthusianism, of a cynical approach of those who are themselves sufficiently well-off, together with the strong belief in the possibility of changing the economic nature of things through a radical political project."

Endeavour


APOD

efemérides

Há uns bons anos, houve um artigo do Luís Aguiar-Conraria que argumentava que o Caminho para a Servidão não era inevitável quando os regimes políticos vigentes eram meramente social-democratas - e não socialistas puros, como acontecia no tempo de Hayek.

Na altura contra-argumentou-se que o Road to Serfdom estava sim a ser percorrido, mas não com as mesmas etapas. As sociais-democracias davam sinais de começar pelo fim da enumeração de Hayek.

Impossibilitadas de controlar directamente a economia, entretinham-se a ordenar o uso do corpo (o que se fuma, o que se bebe, o que se come) e da mente (como se diz, como se pensa, como se publica). E em pinça, crescia o welfare state, a burocracia, o corporate-welfare, o corporativismo, o proteccionismo, o nannystatismo.

Adiante, quais são os sintomas da aplicação da social-democracia a um nível local, ou seja, a um domínio com reduzida capacidade legislativa e jurídica? Dito de outra forma, funcionaria a social-democracia se limitada?

Em quanto tempo deixa a sociedade de reagir quando sujeita a doses maciças de keynesianismo económico e intervencionismo social?

a system which nobody can control

"Monopoly Money" por Alvaro Vargas Llosa:
In a system of free banking, institutions that do not protect the value of the currency simply collapse--and their collapse does not wreck the entire economy. Under a rule of law that punishes fraud and counterfeiting, the risk of failure without bailouts is enough to guarantee a more stable system. And in such a system, it would be harder for the government to spend as much money as it does now--a major factor in the devaluation of the dollar--because it could not create money, only tax and borrow.

Advocating the abolition of the Federal Reserve, an institution people take for granted, seems too radical for most people, who think financial crises are the result of too little, not too much, government regulation.

terça-feira, março 18, 2008

Venusberg


John Collier, In the Venusberg

Self-ownership

"Man auctions his life" (Reuters):
A man in Australia is auctioning his life -- his house, his job, his clothes and his friends -- on eBay, after his marriage broke up, saying he wants to start a new life.

segunda-feira, março 17, 2008

Sobre a difamação

O Estado não tem qualquer legitimidade para policiar "agressões" ao "bom nome" das pessoas. Se adultos querem comportar-se como criancinhas, chamar nomes uns aos outros, que o façam. Ter um sistema judicial ao serviço do "vou chamar a 'stora" é de uma infantilidade institucional confrangedora.

A decisão "Colunista Daniel Oliveira condenado a pagar dois mil euros a Alberto João Jardim por difamação" (Público), que visou o texto "O Palhaço Rico" (Arrastão) é patética. Chamo patética para não chamar palhaça. Não que AJJ não tenha razões para achar que DO foi incorrecto.

É que não interessa a ninguém. O "bom nome" é um intangível que a ninguém pertence; e se a "sociedade" se não gosta de garotadas bem pode repudiar uma ou outra personagem, ou as duas. Não é preciso — ou legítimo — qualquer policiamento dos pensamentos ou das palavras.

Ao tornar o insulto um produto escasso, o Estado aumenta artificialmente o seu valor. Torna-o mais apetecido. Incentiva o insulto velado, a insinuação reles, a crispação social. E alimenta a sua máquina de suave e sorridente repressão.

Mais: qualquer pena devia ser paga no mesmo género, se e quando possível. Tanto melhor, porque o "bom nome" não é quantificável. Se é entendido que DO ofendeu AJJ, então AJJ devia poder insultar o DO sempre e quando lhe apetecesse durante uns tempos. Íamo-nos fartar.

De regresso

Emergency relief

Muita razão tem o Adolfo em sentir-se abandonado ao leme do A Arte da Fuga. Sei, dos tempos da vela, que a sensação de atravessar uma noite escura sozinho não é agradável — por muito que se saiba que os amigos estão ao alcance de uma chamada. Agora que estou de regresso a Portugal de férias, vou procurar voltar a esta actividade que tanto prazer me deu durante vários anos. E dar algum descanso bem merecido ao AMN.
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Nos últimos sete meses muita coisa mudou na minha vida. Durante sete anos li pelo menos um jornal por dia, pelo menos quatro ou cinco livros por mês, pelo menos uma ou duas horas diárias e conteúdo online. Para não falar de muito cinema e música, e outra actividade cultural. Não consigo deixar de sorrir com o nonsense cultural que juntei neste blogue - especialmente nos primeiros tempos do AADF. Não houve vergonha em combinar política, economia, literatura... com Bach, zombies, Monty Python, astronomia, cultura cyber-nerd...

Todos estes hábitos pouco salutares tiveram de ser adiados quando decidi, no ano passado mais ou menos por esta altura, ir fazer um MBA para Barcelona. To cut a long story short, nunca trabalhei tanto na vida, nunca tive tão pouca vida pessoal ou tempo livre. Simplesmente não tenho tempo para me manter actualizado com o que se passa em Portugal. Tão pouco com os duzentos posts diários dos blogues de referência.

Isto não quer dizer que mais nada se passe por lá, de interesse para este blogue. Antes pelo contrário. Aquela escola está empestada de socialistas e a luta continua. Para já, estou a dirigir o International Politics and Economics club. Já lá levámos o Tyler Cowen. Tenho mais dois lecturers para falar da Escola Austríaca (espero que tenhamos oportunidade para algum Fed-bashing). E mais em linha. Mas não há tempo para o follow-up. Tenho mantido um blogue pessoal, para dar notícias a família e amigos, mas nada mais.

Enfim, é bom estar de volta. E voltar a partilhar este espaço com o Adolfo, nem que seja por uma semana - uma mini-silly-season. Durante os últimos meses o AADF esteve em grande; confesso que algumas vezes adiei ler os post dele porque eu sabia que me iriam obrigar a investir tempo de "cabeça", luxo dos luxos. Em linha também está contribuir um pouco para O Insurgente, antes que o colectivo liberal-fásssista pense que eu perdi a minha consciência de classe.

Para acabar, basta dizer que a primeira pessoa a quem telefonei quando cheguei foi precisamente o Adolfo. Antes que a música comece a tocar, um esclarecimento. Eu precisava de me orientar num determinado bairro lisboeta. Lá fora do carro só havia prostitutas de maçã de Adão à mostra (e graças a Deus que ainda vivemos num país púdico). "Ajuda-me e logo falamos". Adolfo, amigo, deixa-me compensar pelo insulto. Quando é que vamos jantar?

this rEVOLution has just begun (2)


Ron Paul "The High Tide" HighTidePromo.com


[ Ron Paul - The Making Of "High Tide Promo" ]

Mudam-se os tempos

Quando os socialistas perderam as eleições presidenciais em França, logo a opinião publicada se movimentou no sentido da reforma da velha forma de fazer política dos socialistas franceses. Que era preciso mudar e actualizar sob pena de definhar e mais não sei o quê. Agora, que os socialistas venceram as eleições locais sem que qualquer tipo de reforma tivesse sido empreendida, a opinião publicada parece esquecer tudo o que andou a dizer.

Mobilização

Não pode negar-se, ainda que fundadamente se duvide dos números avançados, a mobilização de filiados do Partido Socialista. O problema deste governo é mesmo este. Só mobiliza os filiados do Partido Socialista. O que, diga-se de passagem, é excelente para tais filiados. Há falta de outros, são eles quem ocupa os lugares.

Boa notícia

Sobre a nomeação de Pedro Mexia para o cargo de subdirector da Cinemateca Portuguesa, vale a pena ler o Lourenço:

Ainda que eu me preocupe um bocadinho com esta institucionalização do «Pedro Mexia». Quer isto dizer que não teremos mais textos sobre «pichotas» e «coninhas»? Aguardemos.

Triste ideia

Esta triste ideia de proibir os piercings e de exterminar preventivamente raças de cães dá bem conta do estado a que isto chegou. O estado do Estado, claro está. Mas também, e sobretudo, o estado de quem nele vive e tudo parece aceitar com passividade. Uma ou outra indignação no café, um ou outro esgar ao ver o telejornal e já está, já passou, não doeu nada, o Estado avança.

O triste destas medidas é que assentam no pressuposto de que o individuo é um atrasado mental que é incapaz de decidir por si próprio e que, já se vê, carece do sempre mui leal e diligente Estado para lhe indicar o caminho e o proteger de si próprio.

Que haja quem aceite tal condição, numa confrangedora maioria, é o mais triste dos nossos problemas. Mas o mais profundo dos nossos problemas é que essa maioria seja suficiente para aniquilar as liberdades de quem não aceita ver-se sujeito ao Estado.

sexta-feira, março 14, 2008

aka "não temos de perder tempo com o país"

“Quando se fazem balanços é, certamente, para realçar aquilo que se fez bem. E, foram tantas as coisas que fizemos bem, que não temos de perder tempo com o que fizermos mal.”

Complexo Maria Armanda

Agora foi a Bomba Inteligente que se mudou para o sapo.

O vazio

Menezes pode, e deve, evidenciar que algumas das suas opções não merecem significativa oposição interna, tanto mais que correspondem, mais coisa menos coisa, a opções tomadas anteriormente por muito respeitáveis líderes. E pode, e deve, evidenciar que há nomes que sistematicamente actuam, relativamente às lideranças, da mesma forma. E pode, e deve, evidenciar que a sua liderança também corresponde a uma desistência assumida de muitos outros em avançar. Em suma, pode, e deve, ajudar a destruir o pedestal em que muitos se colocam para falar no PSD.

Mas nada disso o livra, nem deveria, do insustentável vazio que a sua liderança representa, não para o PSD, mas para o país. A entrevista a Judite de Sousa foi, como aliás têm sido todas as suas intervenções, paradigmáticas da absoluta ausência de uma ideia de país.

Quotas leiteiras

José Medeiros Ferreira dá bem conta, embora presumo não acompanhe as minhas conclusões, da absoluta incapacidade de órgãos centrais planificarem a economia, impondo quotas e limites, barreiras e subsídios. Isto a propósito das quotas leiteiras, que durante anos impediram regiões produtoras de produzir na sua máxima capacidade.

Pois parece que, como qualquer pessoa de bom senso deveria saber, a tecnocracia europeia foi incapaz de prever a evolução do mercado e agora, lamentavelmente, “o mercado mundial do consumo de produtos lácteos alargou-se entretanto de tal maneira que os preços estão a subir fortemente há dois anos e a oferta não acompanha”.

Seria talvez conveniente retirar algumas lições daqui. E, já agora, que os decisores da UE fossem obrigados, do seu património pessoal, a reembolsar os produtores pelos prejuízos causados e os consumidores pelos preços pagos a mais à conta de uma decisão absurda.

quinta-feira, março 13, 2008

Tão???

Pergunta do Dia

Será que a PSP também se prepara para visitar previamente todas as secções do PS que pretendem enviar militantes para o comício do PS no Porto?

O trabalho de Menezes

Se as bases do PSD continuarem a preferir os pequenos poderes e baronatos ao governo de Portugal, Luis Filipe Menezes poderá bem ser forçado a prestar um extraordinário serviço ao panorama político português: a redefinição, ao jeito continental, do sistema partidário nacional.

Não que com ele a coisa clarifique o que quer que seja, mas porque a erosão do PSD, partido a mais no nosso sistema (o que não equivale a dizer pessoas a mais), constituirá, sem qualquer sombra de dúvida, um motor de redefinição da direita.

Não quero com isto dizer, acalmem-se aqueles que nisto vêem qualquer tipo de partidarite (ainda que no bom sentido, claro...), qeu é o CDS que vai aproveitar com essa erosaõ, até porque, segundo creio, qualquer naufrágio do PSD será sempre replicado no CDS.

Quero apenas significar que aquilo que o Menezes está a colocar em causa, com o apoio das bases finalmente deixadas à solta, é a função do PSD no nosso sistema.

Sempre a aprender

Ele há coisas giras nesta nossa generosa e lusa obsessão de tudo rotular sem nada saber. Fiquei hoje a saber, pelo Público, e a propósito da discussão política ao nível dos ministros dos Negócios Estrangeiros relativamente às evidentes consequências económicas dos exageros ecologistas da União nos últimos anos que a Holanda, Suécia ou a Estónia são, passo a citar, “países liberais”. E porquê? Porque querem manter políticas estatais que interferem de forma directa e incisiva na gestão de empresas privadas.

quarta-feira, março 12, 2008

Geração Órfã (4)

Obscena #10

Está já online a OBSCENA #10, relativa ao mês de Março 2008, com uma entrevista a Miguel Honrado, novo presidente da empresa municipal lisboeta que tem a seu cargo alguns equipamentos culturais, a EGEAC. Esntrevista essa que está incluída num mais completo dossier sobre Lisboa que conta igualmente com um texto meu acerca do papel das empresas municipais em geral, e da EGEAC em especial.

Pecados

A Igreja Católica decidiu elencar a manipulação genética, as experiências com as pessoas, a poluição ambiental, o uso de drogas e as desigualdades sociais como pecados sociais, categoria diversa dos conhecidos pecados mortais. Para os católicos, estas novas orientações são bastante relevantes e propõem uma actualização dos quadros comportamentais. Para os não católicos, as orientações são absolutamente irrelevantes. Deveria ser assim com todas as instituições. Infelizmente, não é.

terça-feira, março 11, 2008

Geração Órfã (1)

Escrevi em tempos dois artigos para o extinto O Independente que decidi intitular de Geração Órfã. Neles descrevi aquela que penso ser uma nova geração de portugueses, que exige mais espaço (o seu) para as suas escolhas.

É a geração que não entende onde está o direito de um ente estranho lhe determinar com tanto rigor quase tudo o que a vida tem para oferecer. Não se trata apenas de uma geração a pedir ao Estado que lhe desampare a loja mas, muito mais importante do que isso, uma geração que não se coíbe de exigir como direito uma inalienável esfera de liberdade que lhe permita decidir o rumo a dar à sua vida.

Tenho dedicado grande parte da minha intervenção, quer no blogue, quer nos artigos que escrevo, quer ainda nos órgãos do partido a que pertenço, a tentar chamar a atenção para esta nova geração de gente. Aliás, se há alguma linha condutora naquilo que escrevo e digo, em termos de intervenção política, será precisamente a atenção prestada a esta nova geração, que tantos confundem, com boa vontade, com a nova direita e que, não tendo até ao momento encontrado qualquer resposta em termos políticos, não pode senão sentir-se órfã e encaminhar-se para a esquerda.

Não que a esquerda lhe ofereça, no alto da sua superioridade, maiores liberdades que a direita. Basta aliás olhar para os programas políticos da chamada esquerda moderna para logo lhe encontrar verdadeiros programas de engenharia social: o que comer, o que beber, o que vestir, como viajar…

Geração Órfã (2)

A orfandade vem sobretudo da direita que, nas últimas décadas, tem mantido um discurso de insuportável conservadorismo moral que afasta esta geração do voto. Não é que esta geração não aceite o conservadorismo moral, apenas não encontra qualquer motivo para votar num partido que mantém na sua agenda assuntos que dizem apenas respeito aos indivíduos e à sua intimidade. Mais do que isso, não encontra motivos para votar em partidos que afirmam ser o seu código genético distintivo, precisamente, a defesa dos valores morais.

Tenho escrito isto por diversas ocasiões e a diversos pretextos. E quase sempre as reacções que obtenho, por parte de quem pertence ou se encontra próximo dos partidos da direita, são de incompreensão. Lembro-me, por exemplo, do artigo que escrevi sobre casamentos entre pessoas do mesmo sexo, em que defendi que o Estado não tinha que intrometer-se nos contratos celebrados para esse efeito, para logo me acusarem de querer estar a ceder a uma qualquer cartilha esquerdista. Daí a lacaio do Bloco e a idiota útil foi um passo.

Não me assustam essas reacções, aliás perfeitamente legítimas, nem sequer as acusações, sempre prontas nestas coisas, de estar a tentar desvirtuar o código genético da direita. Sei qual é o meu caminho, que piso com clara consciência, como bem diz o Helder n'O Insurgente, que "é na direita liberal/conservadora que desde a WWII se situa a liberdade de escolha" e que "o empecilho tem sido sempre a ideia atávica da utilização do poder do estado para impedir a ruptura com as tradições, com o belo resultado que se tem visto".

Geração Órfã (3)

Vem isto a propósito do artigo do João Marques de Almeida no Diário Económico, intitulado Geração Enganada. Artigo que subscrevo quase integralmente e que, acredito eu, não vai ser apelido de lacaio do Bloco nem de idiota útil. Deixo aqui, com sublinhados meus, o parágrafo que melhor reflecte o que tenho vindo a escrever:

Para conseguirem falar a esta geração, os partidos de centro-direita têm, antes de mais, que ser modernos, abertos e tolerantes. É o conservadorismo moral que afasta, instintivamente, esta geração da direita e a aproxima da esquerda. Por razões históricas, a direita em Portugal está associada a uma cultura que julga e condena antes de tentar compreender. Ora a geração “recibo verde” é tolerante, respeita a diversidade e vive de um modo pouco ortodoxo. Não é um crime, nem um erro, desejar escolher o modo como se quer viver. Não devemos olhar para as pessoas como culpadas por escolherem certos modos de vida com os quais não nos identificamos, mas sim como livres para o fazerem. Julgar e condenar os outros pelo seu modo de vida constitui uma arrogância inaceitável. Ora, em Portugal, a direita cai muitas vezes neste erro. O que não deixa de ser um pouco estranho, tendo em conta a tradição de tolerância nas famílias ideológicas do centro-direita. A consciência da fraqueza e da imperfeição da condição humana e da impossibilidade de a tornar “avançada” é um traço da maioria das correntes liberais e conservadoras. Vive e deixa viver deverá ser um dos princípios condutores a direita. Se assim for e o disserem claramente, a geração adiada começará a olhar de um modo diferente para os partidos de centro-direita.

Nova casa

Pois o Blogue Atlântico mudou-se, como tantos outros, para o Sapo, obrigando-nos a mudar as nossas linkagens. Boa sorte nessa nova casa.

segunda-feira, março 10, 2008

Notas pós-férias (3)

A quantidade de professores que, segundo li nos jornais, se recusou a gritar algumas das palavras de ordem ensaiadas pelos sindicatos mostra bem a constelação de motivações que se viveu na enorme manifestação contra as políticas de educação do governo. Este facto, que é muito relevante porque nos dá conta do que esteve ali em questão, a somar à falta de alternativas políticas, permite acalmar algumas almas governativas. Mas a verdade é que indignações como estas não convivem bem com imutabilidade política. E se o governo se limitar a esperar que o céu lhe não caia na cabeça, pode bem acordar para uma triste realidade a poucos meses das eleições.

Notas pós-férias (2)

Augusto Santos Silva, o Ministro Censor, dá bem conta do desnorte a que chegou uma certa parcela do governo. Ao contrário da Ministra da Educação, que bem ou mal se vai defendendo, o senhor Ministro da Censura (aka dos Assuntos Parlamentares) voltou a puxar de uns galões que não só lhe não pertencem (antes pelo contrário) como já foram devidamente engavetados nas últimas presidenciais. É tempo de alguma esquerda perceber que a razão lhe não pertence por decreto ou por herança. Sobretudo aquela parte da esquerda que, no seu passado, tudo fez para que a razão lhe fugisse.

Notas pós-férias (1)

A vitória de Zapatero, porque é de uma vitória que se trata, fica a dever demais a Rajoy e, claro está, ao atentado contra um seu dirigente, que convenientemente colocou o PSOE na lista de alvos da ETA. E se no que à ETA diz respeito, a direita portuguesa pouco tenha que aprender, já no que toca a Rajoy há muitas lições a serem tiradas. Desde excessivas colagens à Igreja, passando pelo saneamento de Gallardon, o PP espanhol parece ainda não ter percebido onde estão as novas gerações que tanto apregoam representar.

Dasex do Dariz Semanal

Regresso inteiro de férias e, com esforço, sem marca dos óculos. Vou tentar colocar alguma ordem na casa, que o senhor engenheiro António Amaral deixou isto ao abandono. Entretanto, vou passar a estar todas as Segundas-feiras no programa Janela Aberta do Rádio Clube Português, das 18:30 às 19:00 na rubrica Trio de Jovens, em debate com Rita Paulos e o Chullage. Começo hoje.

sábado, março 01, 2008

Momento Intimista do Dia

O AA faz anos hoje. Já se nota o peso, coitado. Decrépito e acabado, já nem forças encontra para escrever. Parabéns António!

E eu estou de partida para uma semana de férias. Volto sem pernas partidas, assim o espero, dia 9. Até lá, fiquem com as maluqueiras do aniversariante, se ele ainda não se tiver esquecido que tem um blogue...