quarta-feira, Abril 30, 2008

PSD (11)

Esta resenha do Pedro Correia, repescando os apoiantes de Ferreira Leite que fizeram parte do governo de Santana Lopes, coloca a candidata no mesmo terreiro que os restantes, impedindo-a de, em jeito cavaquista, aparecer como a cristalina encarnação da virtude.

terça-feira, Abril 29, 2008

Complexo Taxista

Neste país de faz de conta, em que os insultos nada valem, mas para tudo servem, uma pessoa que se preocupa com a segurança, ou a falta dela, logo leva com epítetos que vão de salazarista para baixo. Admiram-se depois estes cultores do insulto fácil, os mesmos que vomitam de cada vez que se fala de autoridade, que pessoas normais, que apenas querem viver em segurança, e nem sequer são taxistas, acreditem mesmo que é de um Salazar que precisam.

PSD (10)


Está já online o blog de apoio à candidatura de Pedro Passos Coelho à presidência do PSD. Espero sinceramente que este possa contribuir para debater políticas alternativas ao governo socialista, mais do que discutir com que sacrificio os candidatos se apresentam ou que prestigio estes ostentam.

segunda-feira, Abril 28, 2008

Desonestidade

Estive a debater com o João Galamba do 5 Dias no Descubra as Diferenças da Rádio Europa. Gosto sempre de debater, ainda para mais com pessoas de esquerda, ainda para mais com gente que sabe pensar. E gosto de o fazer na rádio, sem qualquer tipo de pressão, quase como se não estivessemos a ser escutados. Mas a verdade é que estamos. Falamos sem conhecer quem nos ouve e, portanto, por maioria de razão, sem poder escolher quem nos ouve.

Não podemos por isso excluir os ouvintes desonestos intelectualmente, aqueles que, como o Igor, deliberada e ostensivamente retiram uma frase de contexto e, através dela, tentam uma espécie de o rei vai nu, numa de denegrir. Não gosto de perder tempo com desonestidades, mas este post do Igor serve para conversar um pouco sobre as comemorações do 25 de Abril e as preocupações do Presidente da República.

Contextualizemos. Falava-se no programa do alegado desprendimento dos jovens pelas comemorações do 25 de Abril. Tive então ocasião de dizer que o melhor e maior sinal de que Abril tinha cumprido a sua função era precisamente o facto de os jovens não atribuírem particular relevo às suas comemorações.

Na verdade, assistir hoje a enormes manifestações por Abril seria, quanto a mim, um sinal de que o regime democrático estava em perigo, de tal forma que milhares de pessoas teriam sentido necessidade de reafirmar, nas ruas, o espírito de Abril.

A ausência de grandes comemorações populares, como tantas que no passado se fizeram, não é por isso sinal de degenerescência da juventude, antes que aqueles que sonharam a verdadeira liberdade para os portugueses cumpriram e bem o seu papel.

E dei um exemplo, tentando ilustrar isto mesmo. O dia 1 de Dezembro (logo eu que sou republicano) é essencial na nossa história e antecede o 25 de Abril. Sem ele, não seríamos portugueses, não teríamos este país, seríamos outra coisa qualquer e eventualmente nem sequer teríamos tido qualquer tipo de 25 Abril. A sua relevância histórica, que enquanto país lhe devemos reconhecer, não pode ser medida pela absoluta irrelevância das suas comemorações. Caso em que, se assim fosse, teríamos que concluir pela nossa vontade de integração no nosso país vizinho.

Deste exemplo, que não tinha outro objectivo, o Igor retira conclusões brilhantes, próprias de um espírito, como direi, esclarecido.

Diz que, pelos vistos, ninguém do CDS é capaz de aplaudir o 25 de Abril. Isto apesar de ser um leitor atento deste blogue e portanto de saber, por exemplo, que nunca, de forma alguma, em nenhum post, eu desdenhei a importância do 25 de Abril ou, sequer, contestei a importância do mesmo no fim a uma ditadura com a qual não simpatizo, não venero, não gosto, não aceito.

Gostava assim, numa de tentar trazer os factos e a honestidade para cima da mesa, que ele me apontasse um, apenas um exemplo, de reticências minhas à Revolução de Abril que não passem pelo PREC ou pela tentativa de instauração de uma ditadura de esquerda.

Gostava que ele me apontasse um, apenas um exemplo, de manifestações de integral simpatia da minha parte por qualquer ditadura.

E depois diz o Igor, ainda no mesmo espírito esclarecido e honesto (sobretudo honesto) que eu afirmei que muito mais importante que viver em democracia, é o país ser independente. Ou seja, e em teoria, poder-se-ia dizer: antes um ditador português que uma democracia estrangeira.

Desafio o Igor a indicar-me, em quase 4 anos de blogue, um único exemplo, apenas um, em que eu coloque o valor da nação à frente do valor da liberdade individual na escala de valores.

Claro que não vai encontrar, uma vez que o Igor é leitor atento deste blogue e sabe, por exemplo, que sou completamente avesso a nacionalismo no discurso político e que sou até bastante crítico, por exemplo, da liderança de Adriano Moreira no CDS, que, esse sim, colocou como primeira exigência do partido, que se impõe mesmo antes da exigência de respeito total pela dignidade da pessoa humana, a consagração de Portugal como o valor fundamental superior a todos os outros valores políticos.

Quando vierem esses exemplos, então poderemos conversar. Até lá, é bom que a coisa fique mesmo pelo reino dos fins.

PSD (9)

Tenho vindo a insistir na ideia de que os candidatos à liderança do PSD deveriam apresentar uma listinha que elencasse 10 traços que, compondo o ADN do PSD, o distinguem do PS. Parece-me algo evidente, uma espécie de lapalissada, mas a verdade é que há mesmo quem considere, com seriedade e responsabilidade, que o PSD não tem que demarcar-se do PS, sob pena de ser fracturante.

Leio agora que Pedro Passos Coelho se prepara para apresentar uma carta com os dez princípios essenciais da sua candidatura. Parece-me um excelente começo de conversa para uma candidatura. Vamos esperar pelos princípios que constam dessa carta e depois falaremos. E já agora, para quando o mesmo, desta feita pelos restantes candidatos?

quinta-feira, Abril 24, 2008

Ala Liberal

Uma Ala Liberal num partido liberal seria um pleonasmo. Se ela se justifica, conseguindo ou não singrar, é precisamente porque o CDS, podendo albergá-la, ao liberalismo se não rendeu ainda. E é importante que se reflicta acerca do porquê das dificuldades e daí se procurem retirar as ilações necessárias para dar o melhor contributo às ideias, por um lado, e ao CDS por outro.

Tenho no entanto alguma dificuldade em aceitar, embora as considere perfeitamente legítimas, as opiniões que assentam na ideia de que a Ala Liberal não tem espaço no CDS. Estamos a falar do partido da direita portuguesa. Se há sítio em que os liberais podem estar é precisamente ali. Já tenho mais dúvidas de que todos os militantes e dirigentes que pedem subsídios para a agricultura e para a industria, se manifestam contra flexibilização das leis laborais e receiam a reforma do sistema de segurança social ou que defendem a fixação administrativa de preços estejam no lugar certo.

quarta-feira, Abril 23, 2008

PSD (8)

No seu artigo de hoje no Público, Rui Ramos defende que a candidatura de Manuela Ferreira Leite serve apenas para garantir um resultado decente em 2009, adiando para essa data a verdadeira disputa pela liderança.

Estou inteiramente de acordo. Manuela Ferreira Leite oferece a garantia de uma resultado honroso para o PSD, assim como, arrisco eu, a garantia de constituir, através desse resultado, um grupo parlamentar livre de menezistas e santanistas e capaz de gerar a alternativa em 2009.

E Pacheco Pereira parece confirmar estas ideias quando fala em duas fases: Sem se "consertar" primeiro o PSD, restituindo-lhe um mínimo de credibilidade, o que significa mudar estilos, linguagem, processos e pessoas, não adianta avançar com grandes arroubos programáticos porque pura e simplesmente ninguém os percebe, nem os ouve, nem os faz. Qualquer outra proposta pode ser muito bonita no papel, mas é profundamente irrealista, e serve os "maus", ou é mera retórica.

Manuela Ferreira Leite tem a seu cargo a primeira fase. A segunda segue dentro de momentos, sabe-se lá com quem.

PSD (7)

Durante os meses em que Ribeiro e Castro e Paulo Portas se defrontaram, foram muitos e vários os militantes do PSD que arriscaram, e bem, comentar a situação no CDS, chamando muitas vezes a atenção para a necessidade de preservar este ou aquele património ideológico do partido. Houve mesmo alguns que afirmaram nunca votar CDS mas lhes saber bem a existência de um partido capaz de defender os valores em que mais acreditam.

Não deixa por isso de ser notável que de um lado e do outro queiram agora relativizar as opiniões de militantes do CDS quanto à crise do PSD. Como se estes não pudessem opinar sobre o PSD, apesar de poderem opinar sobre o PS, o PCP, o Bloco ou o Governo. Já era tempo de reconhecermos que há quem olhe para a realidade política sem o espartilho partidário, não?

PSD (6)

Acho piada a esta coisa de falar nas elites e nas bases do PSD. Como se as elites não fossem também elas, desde sempre, parte do sistema clientelar do Estado, embora com outro glamour há que reconhecer. E como se as bases não fossem, também elas, a principal razão pela qual as elites chegaram onde chegaram.

Obscena #11

A OBSCENA - revista de artes performativas inaugura uma nova fase, já que se encontra à venda em livrarias um pouco por todo o país (a lista pode ser consultada no site), sendo por isso o primeiro número pago da OBSCENA. Custa 4,20€ e tem 112 páginas.

Este número tem três temas: os 40 anos do Maio de 68; as cidades de Pina Baush e o Alkantara Festival. Tive o privilégio de ter sido convidado pela revista para debater a herança do Maio de 68 com o José Moura Soeiro, deputado do Bloco de Esquerda, com moderação do director da revista, o Tiago Bartolomeu Costa e do Francisco Valente. O resultado desse debate está na revista, que pode desde logo ser lida aqui, e devo confessar que o próprio me supreendeu. Descobri até, vejam lá, que os deputados do Bloco podem ter sentido de humor!

segunda-feira, Abril 21, 2008

PSD (5)

Bem ou mal, para o bem ou para o mal, José Sócrates tem a marca da autoridade, da arrogância, da obstinação. Não percebo, por isso, salvo melhor opinião, porque é que Manuela Ferreira Leite é apontada como uma boa escolha para fazer face ao actual primeiro-ministro.

Não estou sequer a referir-me aos méritos de um e de outro, mas apenas à imagem que deles têm os portugueses e à necessidade por estes sentida (ou que torna necessário fazer sentir) de um projecto alternativo.

Perante isto, torna-se ainda mais necessária a listinha de que falei. Venham de lá as 10 políticas que compõem o ADN do PSD e o afastam do PS.

PSD (4)

Vai desinteressante, do ponto de vista do sistema político, a luta pela liderança no PSD. Com a eventual excepção de Pedro Passos Coelho, que ainda precisa de falar mais e explicar mais, os restantes candidatos ou candidatos a candidatos ainda não conseguiram discorrer qualquer coisa que se não assemelhasse a um lugar comum. No fundo, o que os une é a vontade de levar o PSD ao governo, o que sendo realmente algo por que valha a pena lutar, é quase nada no deserto em que a coisa se tornou.

Seria bom que os candidatos se lembrassem que têm de ganhar o país, se querem ser governo. E, bem vistas as coisas, têm de mostrar que são capazes de ganhar o país, se querem ser líderes do PSD. É por isso que refiro à necessidade de apresentarem uma simples listinha de 10 pontos do código genético do PSD que o distinguem do PS. Até hoje, nenhum o fez. Nem parece estar interessado em fazê-lo.

E não me parece que devesse ser coisa complicada. Mas pelos vistos é. E é precisamente essa dificuldade que ilustra a distorção do nosso sistema.

sexta-feira, Abril 18, 2008

PSD (3)

Qualquer implosão do PSD, quer eleitoral quer por força da saída de dirigentes históricos e eleitoralmente relevantes, terá como consequência a implosão do CDS. Não se pense, por isso, que o CDS será o partido beneficiado pela crise que agora afecta o partido à sua esquerda. Um e outro estão demasiado marcados pelo papel que foram obrigados (ou não) a prestar desde a Revolução de Abril.

É por estas e por outras, num tempo de novas, que custa ver novas formações políticas anunciar a sua vontade de se localizarem, precisamente, no lotado espaço que hoje é ocupado pelo PSD e pelo PS.

PSD (2)

A primeira coisa que um candidato a líder do PSD deveria vir dizer ao país era a lista de aspectos substanciais que separam o PSD do PS. E não se trata de teoria nem de amanhãs que cantam. Coisas concretas, políticas de substância alternativas, caminhos divergentes. Se nenhum dos candidatos consegue fazer uma listinha com mais de 10 aspectos, mais vale que fique em casa. É apenas mais um que acha que o PSD é um PS melhorado. E isto vale sobretudo para Manuela Ferreira Leite ou Aguiar Branco.

PSD

O PSD é, enquanto partido social democrata, um partido com os dias contados. A disputar precisamente o mesmo espaço eleitoral que o PS, e recusando-se a formar um eleitorado não amante do Estado, o PSD tarde ou cedo chegaria a este desnorte.

Incapaz de perceber a trajectória do PS, o PSD foi sempre acreditando que o sistema partidário português era assim porque sim, nunca se perguntando, talvez porque o CDS andou a dormir este tempo todo, por que carga de água teria Portugal de ter dois partidos exactamente iguais?

A viabilidade futura do PSD não pode por isso continuar a passar pelo descanso que lhe é proporcionado pelo CDS. Já nem isso chega para manter o PSD enquanto partido eleitoralmente determinante. É finalmente a hora de o PSD descobrir qual o seu espaço na nova década. Qual o seu papel. Se é que tem algum.

Ora, essa descoberta será difícil enquanto o PSD estiver dominado não só por quem não vê para além dos dois meses que sucedem à manchete do jornal como também por todos aqueles que insistem e continuam a insistir que o PSD se deve posicionar no centro esquerda e a defender o modelo do Estado social.

Daí que tenha vindo a insistir, nestes últimos tempos, no importante papel de Menezes na redefinição da direita. É ele que vem obrigando o PSD a reflectir sobre si próprio e é ele que vai involuntariamente provocar a constatação de que há filosofias e famílias incompatíveis no PSD. É isso que veremos.

quinta-feira, Abril 17, 2008

Perplexidades

O Nuno Teles escreve sobre filantropia no Ladrões de Bicicletas e o João Gomes aplaude no Câmara dos Comuns e insurge-se contra os filantropos. Diz mesmo que a solidariedade social tem sido utilizada, na maioria das vezes, pela Igreja Católica e outras instituições de direita, com o simples objectivo de enfraquecer os movimentos sociais de base e políticos, que lutam, estes sim, por uma maior igualdade social.

A ver se percebo bem e sem me rir.

Os movimentos sociais de base são o quê? Uma fundação não é um movimento social de base? Há uma lista de movimentos sociais de base? Só pode ser movimento social de base aquele que for presidido por alguém não milionário? Ou apenas será movimento social de base aquele que constar de uma lista elaborada por um comité? Ou aquele que for de esquerda?

E os filantropos fazem o mal enquanto os políticos praticam o bem? É isso? Mas quais políticos? Os que são incapazes de acabar com listas de espera? Os que empurram os jovens para escolas em condições absurdas? Os que enterram o país na despesa pública?

Uma coisa é denunciar organizações (sem esquecer as estaduais) que fogem à lei. A lei é para cumprir (e, já agora, podia analisar-se o fenómeno legislativo que enforma estas actividades). Outra é politizar o que não pode nem deve ser politizado (o que é isto de solidariedade social de direita???) e insurgir-se contra organizações que ajudam a mudar a vida de milhões. E é engraçado que o João mencione precisamente a Igreja Católica, instituição que chega onde o Estado não chega e ousa onde o Estado não ousa. E suponho que não vou ser acusado de beato de sacristia. Ou vou?

Brincar aos médicos

O debate parlamentar sobre a lei do divórcio dá bem conta do estado das coisas. Poucos assuntos tocam tão de perto a vida e a intimidade das pessoas como a ruprura da sua vida em comum. Mas nem isso impede mais de 200 pessoas, apenas porque eleitas, de se sentirem com a capacidade e o poder suficientes para determinar como, quando, onde e em que situações podem duas pessoas divorciar-se.

E mesmo quando o debate mostra que as opiniões sobre o assunto são mais do que muitas, reflectindo aliás, precisamente, a multiplicidade de motivações que existem na sociedade, os deputados continuam alegramente a debater a vida dos outros. Incapazes de perceber que uma assembleia não devia substituir-se aos casais, brincam às famílias e aos médicos, falando muitas vezes das experências de amigos e conhecidos e querendo, à conta delas, fazer uma lei.

quarta-feira, Abril 16, 2008

Be cool (3)

O estado da direita pelo Rui Albuquerque:

(...) muito provavelmente, este modelo de organização da direita portuguesa se encontra esgotado. E que se nem num ciclo de grande dificuldade os partidos e os seus dirigentes perceberam o que tinham de fazer, não será certamente com mais uma derrota eleitoral em cima, e mais quatro anos de jejum, que o perceberão. O que daqui resultará num futuro muito próximo, francamente não sei. Mas começo a não ter muitas dúvidas que este modelo, que foi, aliás, imposto pelas circunstâncias históricas da revolução de Abril e não foi nunca muito famoso, irá acabar por desaparecer. Se calhar, era o que já devia ter sucedido há muito.

terça-feira, Abril 15, 2008

Vitórias más

Não tenho qualquer simpatia pelo senhor da foto, que aliás não se propõe colocar a Itália no rumo certo. Mas não deixa de ser engraçada a forma uns quantos relatizam certas vitórias em democracia, sobretudo quando comparadas com a exaltação da vontade popular nos momentos em que a coisa lhes sorri. Um bocadinho ao jeito de, quando perdem o povo estava manietado, quando ganham o povo estava liberto.

A única forma, de um lado e do outro, de convivermos melhor com os resultados maioritários é reduzir a nossa dependência face aos mesmos. Quanto menos o Estado tiver que ver com a nossa vida, menos tais resultados nos afectam ou podem prejudicar. Isto não significa anarquia, mas tão só subsidiariedade.

Dar-se ao respeito (2)

Caro João,

Em parte alguma eu escrevi que Alberto João Jardim considera a sua Assembleia Regional. Não só não considera, como isso não é novidade para ninguém. O que é verdadeiramente novidade é que o mais alto magistrado da nação a desrespeite também, indo à Madeira sem as honras que lhe são devidas e que não foram dispensadas pela frugalidade presidencial mas sim pela irrelevância daquela Assembleia para o nosso Presidente.

Por isso mesmo, com ou sem heroísmo, que existe, os deputados da oposição madeirense deveriam elevar o seu protesto bem mais alto do que a figura do presidente do governo regional. Pelos vistos, não é ele que os desconsidera.

Be cool (2)

O João Villalobos diz que, da leitura que fez, o meu primeiro post com este título não faz qualquer sentido. E pergunta-se se eu não terei aderido ao MEP. E eu respondo, desfazendo já as dúvidas.

Não aderi nem tenciono aderir ao MEP. Sou dos que considera, precisamente, que o maior problema da direita portuguesa foi ter andado encostada ao centrão, escondida debaixo das saias da respeitabilidade do PSD e do PS. A existência de dois partidos nesse espaço é, aliás, o exemplo perfeito da assimetria do nosso sistema de partidos e é essa sobrelotação que merece ser combatida.

E o meu post vai nesse sentido. Enquanto o PSD não se livrar de grande parte dos militantes que o encostam ao bloco central dos interesses, enquanto não perder grande parte dos históricos que passam a vida a deixar a caravana passar, qualquer alternativa no PSD, mesmo munida de um bom programa, está sujeita a esbarrar em problemas e questiúnculas desnecessárias.

É por isso que Menezes está a fazer um bom trabalho à direita. É preciso dar-lhe um pouco mais de tempo para que o PSD se redefina de vez, se possível com deserções e saídas. Nesse dia, que o CDS seguramente viverá, será possível qualquer coisa de novo e para melhor.

segunda-feira, Abril 14, 2008

Dar-se ao respeito

Se Cavaco Silva mantém a sua viagem à Madeira, e aceita fazê-lo sem a sessão solene no Parlamento madeirense, então não estamos perante uma derrota de Cavaco Silva, como escreve Medeiros Ferreira.

Estamos é perante uma derrota daquela Assembleia, que também Cavaco, por motivos diferentes dos de Alberto João Jardim, parece considerar indiferente. Não é contra Jardim que os partidos e os deputados deveriam estar. É contra o Presidente da República, que manifestamente os desconsiderou e os reduziu a nada.

...

Fui àquela coisa do peixe ali para o Terreiro do Paço. Interessante conceito, aquele. Migalhas de comida a preços absurdos acompanhadas de bar aberto de vinho. É preciso dizer mais?

Acordo com os professores

Se era para isto, Sócrates bem poderia ter colocado a senhora Ministra da Educação no carrinho em que colocou Isabel Pires de Lima e Correia de Campos. Pois que ou a reforma era boa o suficiente para o governo se ter prestado ao que prestou, e a coisa só tinha de continuar, ou a reforma era uma treta sem jeito nenhum e a Ministra tinha de ser dispensada.

E é curioso, precisamente, que perante este acordo, de certezinha ordenado por altas instâncias, a Ministra não tenha optado por sair pelo seu próprio pé, mantendo a dignidade com que vinha exercendo o cargo.

Tristes figuras

Rui Gomes da Silva volta a prestar-se à triste figura de megafone dos sussurros partidários, o que até significaria coragem se nele existisse ponta de inteligência para seleccionar os sussurros bons.

Isto a propósito da triste ideia de trazer a questão Fernanda Câncio à baila, logo ela que tanto quanto se sabe é i) jornalista, ii) tem experiência televisiva, é iii) reconhecida pelo que faz e iv) nunca se deu à patetice de passear pelas revistas cor-de-rosa ao estilo “por detrás de um grande homem está sempre uma grande mulher”.

Mas que esta absurda táctica não nos faça esquecer dos moralismos bacocos que tomam, por exemplo, o PS quando o PSD está no governo. E foram muitos os exemplos, sobretudo em tempos de Santana Lopes.

Be cool

O Pedro Passos Coelho que se deixe lá estar no seu canto, que até tem dito coisas acertadas, não tudo mas mais do que os políticos que temos por cá. Bem sei que lhe custará. Mas nenhuma renovação à direita será possível enquanto o PSD não perder grande parte dos que por lá andam. Por arrasto, para não pensarem que puxo brasas, o CDS vai atrás. Então sim, é possível. Até lá, é perda de tempo e de recursos e de paciência dos portugueses.

quinta-feira, Abril 10, 2008

Catolicismo e liberalismo

Diz o Carlos Novais, a propósito do debate que vem surgindo acerca dos católicos e o Estado, em que participei através do artigo publicado na Atlântico com o André Abrantes Amaral e que este, em boa hora, recuperou:

Sendo a Igreja a maior das instituições da "sociedade civil" e a única cuja autoridade faz (alguma) frente ao Estado (que desde que perdeu a monarquia transformou-se num conceito eminentemente nacionalista), cuja propriedade foi roubada, cujas instituições de educação foram atacadas pela escola pública (cuja primeira razão de ser foi o ataque ao catolicismo pelo laicismo uns e pelo protestantismo outros) tem piada vir agora pedir que esta "desista do Estado" como se tivesse que ignorar que é um centro de disputa e de onde emana uma religião civil com os seus dogmas e puritanismos com nova face.
Ora, salvo melhor opinião, ainda não vi ninguém dizer que a Igreja deve deixar de se relacionar com o Estado, enquanto instituições que ambos são, intervenientes no espaço público. Antes pelo contrário. O que se disse no artigo e que o André volta a referir é, precisamente, que numa sociedade que tende para a laicização, os católicos e a Igreja devem tentar encontrar diferentes formas de relacionar-se com o Estado, sob pena de serem encostados a uma posição defensiva e que lhes dificulta a vivência do catolicismo.

Como então dizíamos no artigo, "uma sociedade laica munida de um Estado poderoso, naturalmente exige formas de vida únicas e igualitárias. Formas de vida que agridem muitas crenças católicas".

Daí que, precisamente, "a visão política de um católico já não é fazer o Estado à sua imagem, mas não permitir que este o transforme à semelhança de uma sociedade de sentido único. Ao católico, em nome da sua liberdade de crença, cabe-lhe pugnar não por uma sociedade universal, mas diversificada onde possa viver conforme aquilo em que acredita. Cabe-lhe a coragem para ter espaço e realizar os seus valores".

Custa, por isso, ver uma posição que tende para reflectir sobre a melhor forma de garantir o exercício das plenas liberdades dos católicos seja confundida precisamente com o oposto. Isso quase que nos deixa a pensar que, para muitos, os católicos só admitem a sua vivência através do Estado. E se é isso, então vão por maus caminhos. Maus, porque dependem do Estado. E maus, porque os tempos não estão para isso.

Como então dizíamos no artigo, "seria desejável que os católicos apoiassem e se mobilizassem no sentido do alargamento da esfera individual face ao Estado, mesmo que desse alargamento possam resultar vivências de outra ordem, que um católico, no âmbito da sua crença, não possa acompanhar".

Pergunta do Dia

Como é que o PCP e o Bloco, os dois maiores defensores da economia colectivizada e da intervenção estadual na economia, podem aparecer com dedos acusadores contra a promiscuidade entre a política e os negócios?

E dura, dura, dura...

Leio no Público que o ministro do Trabalho, Vieira da Silva, deverá hoje garantir que o Governo está apostado no combate ao trabalho precário, com o reforço da contratação colectiva e a adaptabilidade interna das empresas. Ou seja, vai combater a precariedade com a adopção de mecanismos ultrapassados que criaram, precisamente, essa precariedade.

Os socialistas podem não gostar, por uma qualquer comichão, de ver os efeitos das leis de trabalho que durante anos andaram a cozinhar ou a impedir de mudar, mas insistir no agravamento desses efeitos é que me parece demais. Continuar a espartilhar as entidades empregadoras é incentivá-las, cada vez mais, a não empregar, a desistir, a fugir, a utilizar expedidentes.

terça-feira, Abril 08, 2008

RE: Liberalismo por quotas (2)

Caro Tiago,

No teu primeiro post insinuaste que as críticas dos liberais à contratação de Jorge Coelho para a administração da Mota Engil tinham necessariamente que ver com a sua militância de esquerda. E disseste que, para os liberais, os convites para as administrações deveriam ser feitos à direita do PS, o tal "campo de possíveis do liberalismo", e que a competência das pessoas ou a liberdade das empresas era, afinal, a coisa menos contava.

Perante isso, escrevi, em resposta a esse teu post, que os liberais não colocavam em causa a liberdade da empresa, nem a militância política, nem a competência de quem quer que fosse. Escrevi, e é essa a opinião que tenho, que "a recorrente escolha de políticos para a administração das grandes empresas deve-se essencialmente à necessidade de garantir boas relações com o Estado já que, sem ele, nada se faz neste país".

Essa situação não se resolve com nenhuma das medidas que propões. Aliás, em bom rigor, elas pressupõem uma intervenção adicional do Estado na liberdade das empresas, atenta a impossibilidade (que nenhum liberal sequer defende) de abolição do Estado. A situação resolve-se, e é curioso que não tenhas levantado essa hipótese, com o arejamento da economia privada, libertando-a da quantidade de coisas que tem de obter do Estado. E com a redução do Estado se alcança também a redução da contratação pública, esse verdadeiro maná.

Mas o que agora também interessa é que continuas a colocar a questão num prisma em que a não coloquei. Em parte alguma, de forma alguma, em momento algum, me viste colocar a questão, no caso concreto, da militância partidária de Jorge Coelho, nem presumir-lhe a incompetência.

Aliás, tenho sempre muita dificuldade em desqualificar pessoas apenas pela sua proveniência partidária, como aliás tive oportunidade de escrever após a nomeação de Guilherme d’Oliveira Martins para o Tribunal de Contas, que saudei. E é precisamente ao se colocar a defesa da opção da Mota Engil nesse campo que, aí sim, se está a incorrer, porque a expressão é tua, num "exercício de demagogia". Há quem lhe chame homens de palha.

Atlântico

A suspensão da Revista Atlântico é uma péssima notícia, sob vários pontos de vista.

Começo pelo pessoal, já que tenho colaborado com a revista e, dentro do possível, me venho esforçando para que a mesma vença os desafios que lhe são colocados por um panorama jornalístico assim a modos que canhoto. Ver este projecto parar na berma, com tudo o que tem dado, com a gente que tem revelado, com as ideias que tem divulgado, não pode deixar de me causar alguma tristeza.

Mas é uma péssima notícia para a direita portuguesa, que se vê privada de um espaço para se pensar a si própria. A Atlântico permitia, sem fronteiras partidárias, agendas encomendadas ou pruridos de aparelho, que à direita se discutisse o país e o Mundo de forma descomplexada. A Atlântico ofereceu uma nova geração de direita, não só liberal, não só conservadora, ao país.

E esse mérito, que os partidos não têm, não lhe pode ser retirado. E a sua suspensão parece indiciar que à direita, afinal, ninguém está disposto a pensar além do que lhe ditam os líderes do momento. E, nesse sentido, é também uma péssima notícia para o futuro da direita, que vai ficar agarrada ao passado.

É uma péssima notícia para o panorama jornalístico português, que perde não só o equilíbrio mas um contraponto, elemento essencial para o debate e para o interesse das discussões políticas. E indicia que, afinal, não conseguem vingar projectos de qualidade que consigam afrontar o consenso de esquerda que tradicionalmente existe em Portugal. Que não haja ninguém com vontade de apoiar uma revista como esta, dá bem sinal de quão dependentes estamos ainda do que vai pensar o senhor engenheiro de tudo isto, não dá?

Envio daqui um grande abraço ao Paulo Pinto Mascarenhas. Muito mais do que um Director da Revista, ele foi a sua verdadeira alma. Com um notável espírito de iniciativa e uma abertura invulgar, conseguiu arejar e abrir o pensamento político à direita. Sem pedir nada em troca, sem impor agendas, sem aconselhar critérios.

Lembro-me do que me disse quando lhe perguntei se poderia escrever um artigo sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo, um assunto muito delicado, longe de recolher consensos, sobretudo à direita, com críticas ao PSD e ao CDS, e em contraponto a um outro colaborador da Revista, o Pedro Picoito. Respondeu-me que a revista só fazia sentido se quem lá escrevesse fosse livre de dizer o que quisesse. Não conheço muitos mais assim. E tenho a certeza, de verdade que sim, que a suspensão é só isso mesmo.

Câncio

Conheço poucos jornalistas em Portugal capazes de provocar uma reacção de jeito ao que relatam e como relatam. Ou são muito coladinhos ao take da Lusa ou quase parece que estão a fazer uma reportagem em nome de terceiros.

E entre as excepções a este estado de coisas, que suponho seja algo transversal, pelo que não há mal, é a Fernanda Câncio. Não se trata aqui de gostar do que diz ou como escreve, o que não acontece assim tão poucas vezes como isso, mas tão somente de lhe apreciar a forma como nos questiona e nos obriga a tomar consciência sobre as coisas. Recordo uma reportagem sobre Cuba, por exemplo. Notável.

Tudo isto para concordar com o Henrique Raposo:
O tal programa de TV é de reportagens e sobre os jovens "complicados" das cidades e subúrbios de Lisboa, não é? Então, o primeiro nome a aparecer na lista é mesmo e do Fernanda Câncio. Isto não é uma questão de opinião. É uma questão de facto.

quinta-feira, Abril 03, 2008

Alarido

5 anos a acordar assim e assado não é para qualquer um.

Ler

Antecedendo a edição em papel, a LER já está na internet. Um abraço ao Francisco José Viegas e votos de sucesso na revista.

RE: Importa atender ao sucedido no período de análise da ERC

Caro Carlos,

A escolha do período de análise da ERC não foi deliberadamente o mais feliz. Precisamente porque permite que as suas conclusões possam ser desvalorizadas ou mitigadas exactamente pelos motivos que apontas.

Mas ainda assim, muito do que a ERC diz não pode ser desvalorizado com a presidência portuguesa da UE. Por exemplo, quando a ERC diz que "na distribuição da presença no serviço público dos diferentes partidos com assento parlamentar, é sistemática, e por isso justifica reparo crítico, a sub-representação do PSD nos diferentes serviços de programas da RTP". Esta subrepresentação ocorre quando comparado com os outros partidos e, portanto, fora do contexto da presidência portuguesa.

Isto já para não falar no conjunto de acontecimentos nacionais que tiveram lugar no mesmo período, como a abertura do ano escolar, o estatuto da carreira docente, a entrega de portáteis a alunos, o Orçamento do Estado, as OPAS, uma greve geral, a discussão sobre o Código do Processo Penal, o encerramento de serviços de urgência e centros de saúde ou a localização do novo aeroporto.

RE: Liberalismo por quotas

A propósito das críticas do André Abrantes Amaral à escolha de Jorge Coelho para a administração da Mota-Engil, o Tiago Barbosa Ribeiro parece considerar que os liberais deveriam aceitar as escolhas dos accionistas das grandes empresas sem delas retirar qualquer ilação.

Ora, se os liberais devem respeitar a livre escolha desses accionistas, também dessas escolhas devem retirar as devidas conclusões. E elas são simples. A recorrente escolha de políticos para a administração das grandes empresas deve-se essencialmente à necessidade de garantir boas relações com o Estado já que, sem ele, nada se faz neste país.

E isto significa que a competência dos administradores não é o único critério de escolha e que outros existem, como a proximidade com o poder, que igualmente relevam no momento dessa escolha.

E quando as empresas têm de recorrer a critérios desses para a escolha de administradores, ainda que livremente, dão um belo sinal do estado a que isto chegou. Precisamente como dizia o André Abrantes Amaral.

quarta-feira, Abril 02, 2008

Preços populares

A propósito das recentes intervenções do CDS acerca dos preços dos bens essenciais, postei no blogue da Ala Liberal, juntamente com o Michael Seufert, um texto bastante crítico e que procura demonstrar não só os efeitos nefastos das propostas do CDS como também a fragilidade dos pressupostos de que partem. O texto chama-se Não é este o caminho:

Portas e o grupo parlamentar atiram-se para a esquerda do PS com esta proposta, e ficamos com dúvidas que tal disparate consiga ser corrigido a tempo de convencer o eleitorado liberal para as eleições de 2009. Fica a ideia que com este CDS no governo a economia estaria ainda pior que com o PS. É pena. E não nos apetece ir por aí.

terça-feira, Abril 01, 2008

Relativo excesso

Parece que a ERC detectou um "relativo excesso da presença do Governo e do PS à luz dos valores de referência definidos" e uma "sistemática sub-representação do PSD" nos canais da RTP, tendência que se manifesta nos canais regionais, especialmente, e toma lá o défice democrático, na RTP Açores.

Nada disto é supresa, e por muito que a ERC tenha tentado, por todos os meios, que foram vários, desviar as atenções ao longo do tempo, os canais públicos servem os interesses de quem neles manda. E se a ERC vem falar em "relativo excesso", então é porque a coisa é grave e já ultrapassou os limites do pudor.

Câmara dos Comuns

Uma catrefada de gente, entre os quais alguns amigos meus, juntou-se na Câmara dos Comuns. Têm em comum algumas coisas, mas aposto que a coisa vai mesmo passar pelo que eles não têm em comum. E ainda bem.