segunda-feira, Setembro 29, 2008

Paul Newman

Foi este homem que morreu. Foi ele que nos deixou. Todos aqueles que, em sua homenagem, lhe enfeitam os epitáfios com os melhores retratos, na flor da juventude, amputam-lhe grande parte da existência. Pode ser muita coisa, mas homenagem ao homem é que não é seguramente.

Constatação do Dia

Sabemos agora, afinal de contas, para que serve aquela peregrina ideia de obrigar os promotores imobiliários a reservar uma percentagem dos fogos que constroem para cedência à habitação social da Câmara.

De pressões” em “démarches” até que a censura não passe de um livro de estilo

Parece que parte do Mundo acordou para a ERC e para a verdadeira central de informação informal que o Governo montou e através da qual, com a ajuda da ERC, vai transformando “pressões” em “démarches” até que a censura não passe de um livro de estilo.

Mas há toda uma parte do Mundo, se calhar instalada em casas de todos nós, que continua queda e muda perante tão triste espectáculo. Quem os visse, há uns quatro anos, a verberar contra a Central de Comunicação do Governo que Morais Sarmento, de forma transparente e à frente de todos nós, quis montar, seria tentado a pensar que eram arautos da liberdade de informação. Não eram, pelos vistos. Nem são.

Para essa parte do Mundo, e para uma outra parte que agora acordou, a liberdade de informação não é um meio que antecede a comunicação, e por isso intocável, mas um instrumento de comunicação. E é por isso que, munidos do seu azul lápis, vão entendendo, sempre cheios de si, que a regulação deve regular os outros, aqueles que estão errados e que não sabem a verdade, impedindo a mentira de fazer caminho. E é por isso mesmo, por eles e só por causa deles, que a liberdade de informação é uma ilusão em Portugal.

Quem quer, tem casa

Todas estas histórias de atribuição de casas em Lisboa, e que agora andam a chocar muito boa gente, são uma mera réplica do que se passa por esse país fora, nas Autarquias e no Estado, em que o nosso dinheiro serve, com bons propósitos, para todo o tipo de propósitos. E se agora andam escandalizados com Lisboa, e é bom que andem, não custaria nada desviar os olhos para todo o icebergue que se esconde dos mais distraídos.

E é bom que o escândalo sirva para nos perguntar se os bons propósitos podem alguma vez ser cumpridos por pessoais normais, com simpatias e intolerâncias, amizades e estimas. Talvez uma visão mais realista do ser humano nos impedisse de cometer tantos erros, entre os quais o de acreditar nos costumeiros arautos da seriedade.

domingo, Setembro 28, 2008

The shock doctrine

Atenção camaradas: esta crise foi provocada pelos defensores do mercado livre de forma a avançar a agenda neoliberal de compadrio do Estado com o Grande Capital. Há que impor um sistema de regulação para o século XXI. Desde logo, há que salvar o Grande Capital da crise às custas dos contribuintes. E de imediato deixar o capitalismo selvagem de mãos e pés atados para que não volte a cair.

Short Selling (4)

No Blasfémias ("Regulação e crédito fácil II"):
Este vídeo é de visualização obrigatória. Louçã a pedir mais regulação e juros mais baixos. José Sócrates a concordar que é preciso mais regulação e que também era bom ter juros mais baixos. Também é notável o momento em que Sócrates confessa que nunca tinha ouvido falar de “short selling”, apesar de achar que é uma prática horrível.

No Blasfémias ("Short"):
O primeiro-ministro ficou muito indignado quando soube que existia um mecanismo chamado ’short-selling’, isto é, a possibilidade de alguém vender na bolsa aquilo que ainda não é seu. Mas se o primeiro-ministro se quer indignar com práticas correntes, não é preciso ir à bolsa. Pode indignar-se com o mercado imobiliário, por exemplo. Vejam bem que é possível comprar uma casa que ainda não foi construída. Só que não lhe chamamos short-selling. Chamamos-lhe contrato-promessa.

Via Portugal Contemporaneo, "Agravar a instabilidade dos mercados através do "short selling" é crime" (Jornal de Negócios).
A CMVM divulgou ontem ao início da noite um parecer em que precisa as situações em que a prática de "short selling" pode ser considerada crime. Agravar a volatilidade ou instabilidade dos mercados financeiros ou de um instrumento em particular é uma delas.

Via O Insurgente, "Who's Afraid Of A Big, Bad Short Seller?":
"The Biz Flog" takes a look at the debate over whether short sellers had anything to do with the failure of banks on Wall Street.

Via Livre e Leal Português, "Short-sellers didn't cause this crisis - the government and bankers did":
The point is that the shorts are just taking advantage of the underlying problem. The banks made wildly irresponsible loans all through the property boom, and now that the bubble has popped, they are in serious trouble. In a perfect world without politicians, there’d be no problem with short-sellers taking advantage of that – in fact, the banks are only getting their just desserts.

Inteligência Artificial : marco importante (2)

Do site Artificial Intelligence Topics da The Association for the Advancement of Artificial Intelligence, uma excelente colecção de links e textos sobre a relação entre a Inteligência Artificial e o jogo do Go (Igo, Weiqi, Baduk): AITopics / Go.

Um exemplo:

Computers have started to outperform humans in games they used to lose. The Economist (January 25, 2007). "Researchers in the field of artificial intelligence have long been intrigued by games, and not just as a way of avoiding work. Games provide an ideal setting to explore important elements of the design of cleverer machines, such as pattern recognition, learning and planning. They also hold out the tantalising possibility of fame and fortune should the program ever clobber a human champion. ... Deep Blue and its successors beat Mr Kasparov using the 'brute force' technique. ... In the past two decades researchers have explored several alternative strategies, from neural networks to general rules based on advice from expert players, with indifferent results. Now, however, programmers are making impressive gains with a technique known as the Monte Carlo method. ... MoGo, a [Go] program developed by researchers from the University of Paris, has even beaten a couple of strong human players on the smaller of these boards -- unthinkable a year ago. It is ranked 2,323rd in the world and in Europe's top 300.

Enviado por um amigo investment banker

sábado, Setembro 27, 2008

EPA Fascism versus America (1)

"EPA Fascism versus America (1 of 7)" na Capitalism Magazine:
The EPA action follows a U.S. Supreme Court ruling that defined carbon dioxide as a "pollutant." This ruling defies logic, nature, and common sense. The Canadian Government has openly declared that carbon dioxide is a vital "nutrient"—without it, plants die. It is a natural compound that we exhale. It has always existed in nature, often at far higher levels than today. If carbon dioxide is a pollutant, then all human life is pollution.
Under these rules, the EPA will have the power to ration food production, to approve its content, and to control its distribution.

This is only the tip of an iceberg of massive government power that is about to be unleashed against every American. The EPA intends, for instance, to take authority over transportation, including motor vehicle emissions testing, shipping, and railroads, to assume local building permit authority, to set emissions standards for lawnmowers, and to regulate nearly two and a half million buildings with natural gas heating. Farmers with a few dozen cattle will be required to obtain federal permits to work the land once tilled by their great-grandfathers.

o passado era um paraíso "neoliberal" (?)

Via "The Bailout Reader" (Mises.org), "Sowing the Seeds of the Next Crisis" by Thorsten Polleit (de 4/25/2006):
.... a broad scale economic crisis as a result of a credit expansion and inflation policy in the past would almost certainly lead to a new wave of government intervention, posing a threat to the idea of a free market oriented societal order.

The crisis will be attributed to the failure of the capitalist system rather than the failure of a government controlled monetary system. That said, today's short-sighted monetary policy runs the risk of not only destroying the value of the currency but also poses a serious threat to the free market society.

Ainda bem que o capitalismo está morrer

Marching bands, do século XX e do século XXI:


Top-up: resistance to egalitarism is useless

"Top-up insurance: a way out of the healthcare rationing trap" no IEA Blog:
Carrying the logic deployed by the DH one step further, parents who pay for private lessons to enhance their children’s school performance should be charged the full costs of schooling, because they are “topping up” state education. And people who install a burglar alarm in their homes should be billed with their share of policing costs, because they are “topping up” state-provided security services.

suprimir novas tecnologias privadas em nome das decadentes agarradas ao Estado

Senate Passes Bill Creating 'Copyright Czar' (Wired):
U.S. lawmakers approved the creation of a cabinet-level position of copyright czar as part of sweeping intellectual property enforcement legislation that sailed through the Senate on Friday.
The nation's drug czar, a position created by Congress in 1982 to wage the War on Drugs, also requires Senate confirmation.


got MP3??

onerar as novas tecnologias privadas para suportar as decadentes estatais

O Canon Digital chega ao Reino Unido: iPod tax could be introduced to fund TV news bulletins:
The levy would be imposed by the Government on digital music players, Sky satellite dishes, Freeview boxes and internet subscriptions to fund "public service" shows such as Channel 4 News, Dispatches, children's programmes, arts shows and regional news, Ofcom said.

People could also face a new tax on computers, blank CDs and DVDs under the proposals put forward by Ed Richards, the regulator's chief executive.

Trying real hard to be a shepperd


Tu ne cede malis sed contra audentior ito

Inteligência Artificial : marco importante

Supercomputer with innovative software beats Go Professional:
For the very first time in history, and after 40 years of research, a program defeated a professional Go player in a 9 stones handicap game .... “MoGo played really well,” said Kim, who estimated its current strength at “two or maybe three dan,” though he noted that the program – which had a processing power more than 1000 times higher than the chess program Deep Blue – “made some 5-dan moves.” .... The game was played live the 7th of August at the U.S. Go Congress, with over 500 watching online on the internet Go server KGS.


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MoGo was running on the SuperComputer "Huygens" .... 800 cores at 4.7GHz, with a floating point processing power of 15 Teraflop (more than 1000 times Deep-Blue). This was the most powerful supercomputer ever used by a board game Artificial Intelligence.

Dito isto, o jogo do Go (ou Igo, Weiqi, Baduk) continua a ser the final frontier para a Inteligência Artifical no que toca a jogos de tabuleiro. Como diz — ou dizia — a wikipedia:
Go poses a daunting challenge to computer programmers. While the strongest computer chess hardware has defeated top players (for example, the IBM computer Deep Blue beat Garry Kasparov, the then-world champion in 1997), the best Go programs only manage to reach an intermediate amateur level.

O que inventarão de seguida?...


Facebook para gatos

quarta-feira, Setembro 24, 2008

FW: Subitamente, Ron Paul passou a ser ouvido com mais atenção

Via Causa Liberal,

Ron Paul on Fox Business News 9/24/08

Ein pay cut

Rep. Frank: CEOs "Selfish and Unpatriotic":
Wall Street titans who refuse to take a pay cut to join the $700 billion Wall Street bailout are "selfish and unpatriotic."

"What (Treasury Secretary Paulson) is saying here is, this program that they think is very important, we need it to get the economy out of the doldrums. But if it is going to nick (corporate executives ) of a couple of million of the many millions that they already have, they are going to boycott it. I hope they are not that selfish and unpatriotic."

terça-feira, Setembro 23, 2008

Sacanear as gerações futuras

De "A Verdadeira Fé" de jcd no Blasfémias:
O mais caricato destas linhas de pensamento, é fazer a defesa do sistema público, argumentando que por ser um simples sistema redistributivo não está sujeito às crises. Como se o facto de ficarmos todos mais pobres não tivesse nenhuma influência no que vamos ter para redistribuir amanhã .... Como se o sacrifício futuro que estamos já hoje a impor aos nossos filhos pudesse alguma vez ser aceite por eles quando chegarem aos níveis de consciência que lhes permitam fazer bem as contas. Chamamos-lhe solidariedade intergeracional. Não é. Estamos apenas a sacaneá-los e a penhorar-lhes uma fracção absurda dos seus futuros rendimentos.

Uma esperança para a Educação (2)



No notável podcast "George Will's America" (MP3) do Cato Institute com George F. Will, a propósito do seu livro One Man's America lá para os 4:55 o veterano jornalista diz:
....the problem of course is, and I hate to break this news bulletin here today, is that half of America's children are below average intelligence.

"Governo quer 100 por cento de aprovações no nono ano" (IOL Portugal Diário):

Para tão grande população estudantil haverá necessariamente quem não passaria pelo crivo. Das duas uma, ou só passarão para o nono ano os bons alunos. Ou os níveis de exigência terão de ser rebaixados a níveis absurdamente baixos para satisfazer os absurdos objectivos políticos do Governo.

Por este caminho as explicações que a Ministra tanto abomina não serão para que os alunos passem com boa nota. Serão para que tenham alguma Educação depois de tantos anos de recruta escolar.

How to create a crisis

"How to create a crisis" por Johan Norberg:
.... if I deliberately wanted to create a financial crisis, I think that this is almost exactly how I would do it.

The prices increased, people borrowed more, and Mae and Mac ran leverage ratios that exceeeded 60 to 1 (cheered on by the Democrats who now blame free markets for the crisis) to keep giving loans to people who could not really afford it. And meanwhile everybody involved thought that they couldn´t really lose, because the government would bail them out.

Volt

Ora, no seguimento do post anterior, um exemplo notável foi o desenvolvimento do Toyota Prius, um triunfo genial do Toyota Production System, e dos sistemas de coordenação e cooperação apenas possíveis num sistema capitalista. Para os interessados, recomendo The Toyota Way e The Prius That Shook the World: How Toyota Developed the World's First Mass-Production Hybrid Vehicle.

Um outro notável breakthrough parece ser o novo GM Chevy Volt (Engadget) — ou melhor, será a inovação que o viabilizará - uma bateria eléctrica que está para ser inventada:


Uma excelente explicação encontra-se neste podcast (MP3) da série Econtalk de Russ Roberts com Jonathan Rauch, ou no artigo "Electro-Shock Therapy" da Atlantic:
Of course, what I wondered is what everyone wonders: Can GM pull this off? Whenever I asked this question inside the company, I got one or another version of the same answer: “Failure is not an option.”
History suggests that the largest dangers for the Volt are not technological but organizational and commercial. Will GM have the focus and creativity to market such an unconventional car? Will it have the doggedness, and the cash, to weather the inevitable commercial setbacks and financial losses? To judge solely from history, the odds are not great.

Momento Intimista do Dia.

Não tenho tido tempo. E o tempo que tenho tido nem chega para me lamentar da falta de tempo. E agora, num soluço de tempo, é a isso mesmo que me dedico. Isto vai ter que mudar. Até porque é um desperdício de tempo.

ERP - Entidade Reguladora da Propaganda

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social decidiu não se pronunciar sobre a queixa interposta pela Comissão de Trabalhadores da RTP pedindo a avaliação do processo disciplinar ao pivô José Rodrigues dos Santos.

segunda-feira, Setembro 22, 2008

Piscinas e terra queimada

Uma das falácias económicas mais comuns consiste em argumentar que se em tempos difíceis se encontram soluções inovadoras, então para que soluções inovadoras apareçam, é conveniente provocar tempos difíceis.

O conceito de "atirar à piscina" como condutor da investigação e desenvolvimento ganhou muitos apoiante com o tema das alterações climáticas.

Em nome de uma melhor vida que há de vir, tudo o que seja "alternativo" à tecnologia existente é aceite acriticamente - e colocam-se entraves diversos à aplicação do conhecimento que hoje existe para que essas inovações redentoras possam fazer uma entrada triunfal na nossa vida colectiva.

Por outro lado, quando as inovações surgem, e por vezes são sérios tributos ao recurso humano, são tidas com justificação post hoc ergo propter hoc para as medidas aberrantes que lhes abriram caminho - à custa de uma política de terra queimada.

hard-money heaven with Paul

No seguimento desta intervenção de Ron Paul, , via Reason ("Rep. Ron Paul on Financial Meltdown/Bailout/Etc."):

Paulo Pinto Mascarenhas defende esventramento público de Rui Tavares

Bem, não é bem assim, mas é como se fosse — "A próxima vítima":
.... a grande vítima do Público ainda não parece ter percebido que já não está a escrever no Barnabé mas num jornal impresso e faz dos seus artigos furiosos ping-pong's contra seja quem for. Agora, parece ter finalmente encontrado um adversário que lhe responde à letra, o RAF ....

[ ADENDA : Este post não passa de sarcasmo - é o que faltava não se poder ter opinião sobre um artigo ou publicação. Como nota pessoal, já estive dos dois lados, e garanto-vos nunca me verão a rasgar as vestes como o Rui Tavares neste episódio ]

Couldn’t happen here

Esta notícia já é antiga: "WTC7 collapse findings prompts calls to design against fire" (New Civil Engineer)
"Structural engineers design for gravity, wind and earthquake load cases but not fire," said NIST WTC lead investigator Shyam Sunder.
"Architects specify fire proofing from a catalogue, based on building code requirements. What is missing is a connection between the disciplines. No one evaluates the structural response to fire."

Em Portugal isto não aconteceria. Temos um dos mais completos corpo de regulamentos técnicos de engenharia civil do mundo. E os americanos — apesar dos seus relatórios com "esta folha é deixada propositadamente em branco" ou "medidas em centímetros, para obter metros dividir por cem" — acabam por falhar num aspecto técnico que parece óbvio.

Não aconteceria em Portugal. O problema é que também temos a cultura hiperlegalista que originou esse corpo de regulamentos. E os Americanos não. É por isso que eles têm os arranha-céus. E nós não.

e se não aparecer ninguém, o Estado assumirá essa responsabilidade

Wood's Law:
Whenever the private sector introduces an innovation that makes the poor better off than they would have been without it, or that offers benefits or terms that no one else is prepared to offer them, someone — in the name of helping the poor — will call for curbing or abolishing it.

seguramente mais um ’monopólio’ para 1000 anos

"Why Google needs better antitrust advice" (Wired)
Google is trying to get a mega advertising deal with Yahoo approved by the Justice Department. Advertising agencies, a bunch of big and small advertisers and - big surprise - Microsoft, are all crying that Google is hell bent on world domination and want the deal blocked. Google says the accusations are ridiculous and has stepped up its defense in recent days to press that point. It says Microsoft isn't really credible on antitrust matters, after all. Moreover, it's hard to be a monopolist when you don't have any pricing power. Google ads are auctioned to the highest bidder, not sold in the conventional sense.

Easy, right? Wrong. The truth is, Google has more control over pricing than it lets on, and it is going to need to do a better job of explaining that in the coming weeks if it doesn't want to see this deal - and maybe all future deals - go down in flames.

são os mercados que estão a acabar com o Lehman Brothers e bem;

Excerto de "o ataque ao 'neo-liberalismo' e o 'bacalhau a pataco'" de José Pacheco Pereira no Abrupto, recomenda-se leitura integral do original:
É, nestas alturas de "crise do liberalismo", que eu me sinto mais liberal, que eu tenho mais aguda percepção de como na crítica socialista à "economia do casino" vai um preocupante pacote de restrição de liberdade para as pessoas e para as empresas, de fechamento do mundo, de paroquialismo e intervencionismo e, a prazo, muito maior mediocridade e pobreza remediada do que aquela que a queda do Lehman Brothers e dos seus parentes causa ou pode causar.

No caso português, a coisa é ainda mais alarmante, porque se mistura com o ciclo eleitoral. O que se está a passar com o "conflito" entre o Governo e as "gasolineiras", com o conveniente atiçar do "povo" contra os ricos e poderosos que lhe sugam milhões de euros para viver em plena mordomia, é, para além da encenação, um precedente perigoso para a nossa vida económica e política.

Dia Europeu Sem Carros

Capitalsocialismo en EE. UU. y liberales en España

"Capitalsocialismo en EE. UU. y liberales en España" de Manel Pérez no La Vanguardia:
El viernes, las bolsas volvieron a abrir las botellas de chanpán, después de una longa resaca. Muchos habrán pensado que una vez el Estado asume las pérdidas privadas, las socializa para que las paguen todos, incluidos los que no han participado en la fiesta, se puede volver al casino como si nada hubiera pasado.

Uma esperança para a Educação

"Explicações: «Só acontece nos países de Terceiro Mundo»:
«Entendo que o país não se pode conformar com a dependência que as famílias têm do mercado de explicações para o êxito escolar», afirmou [a ministra da Educação], acrescentando que «o estudo acompanhado, as aulas de recuperação e de substituição» devem permitir que os jovens façam a sua aprendizagem dentro da escola.

Nos países de terceiro mundo observa-se uma saudável economia de ensino privado, que permite às pessoas saírem pelos seus meios da miséria a que foram votadas pelos seus governantes. Em Portugal, a mesma dinâmica permitir-nos-ia ter uma Educação ao melhor nível mundial.

Mas não. Se o Governo estivesse remotamente interessado em melhorar o Ensino em Portugal, estaria a analisar o fenómeno de forma a facilitar o acesso dos alunos a explicações privadas.

Há uma série de medidas socialistas (sim, daquelas que não subscrevemos aqui no A Arte da Fuga) que só poderiam resultar num melhor sistema de aprendizagem.

O Estado, contudo, preocupa-se não com as pessoas, mas com a Escola Pública.

A existência de um dinâmico mercado privado de explicações põe a nu a falência técnica desse sistema público. Um sistema público que falhou - como tantos outros no passado - porque não pode escapar-se à lei económica que traduz que mercados concorrenciais privados resolvem o problema das pessoas melhor que qualquer sistema de planeamento estatal.

Em destaque

O blogue da Causa Liberal, pelo análise económica irrepreensível da crise financeira em curso.

sábado, Setembro 20, 2008

Barcelona


Giulia & los Tellarini - Barcelona

Short selling (3)

"SEC Halts Short-Selling in 799 Financial Stocks " (CNBC.com):
"The Commission is committed to using every weapon in its arsenal to combat market manipulation that threatens investors and capital markets," SEC Chairman Christopher Cox said in a statement.

"This action, which would not be necessary in a well-functioning market, is temporary in nature and part of the comprehensive set of steps being taken by the Federal Reserve, the Treasury, and the Congress," Cox said.

"Don't Sell Short Selling Short" por Gary Galles:
Restrictions on short selling are analogous to a voting process where there are only the possibilities of voting yes (owning shares) or abstaining from voting (current non-owners), but "no" votes (selling what you do not own) are impossible.

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People can vote yes, buying shares and pushing up stock prices, or those who previously voted yes can decide to go back to abstaining by selling their shares, lowering stock prices. But short sellers allow current abstainers to vote "no," giving themselves the ability to benefit from their different views while benefiting others via market prices, without having to first own shares in a company.

"The SEC’s Second-Hand Socialism" por Michael S. Rozeff:
The result is that the SEC has reduced the market’s efficiency. Stocks can go along at overpriced levels for longer periods of time, and then, wham, the bad news comes out in one lump sum, at which point the volatility rises sharply as the price collapses. This means that investors at large cannot be as sure as they once were that prices accurately reflect available information, especially negative information. They will require higher returns to compensate them for that added risk. They will also require higher returns to compensate for the added risk of regulatory interruption and interference in the stock market.

Resumidamente,

- alegando que o mercado não está funcionando eficientemente, a SEC reduz a eficiência do mercado; alegando que há manipulação do mercado, a SEC manipula o mercado para evitar que o preço das acções desça de acordo com a oferta e a procura; "Nothing is so permanent as a temporary government program" - Milton Friedman; estas medidas sugerem que a "guerra" ao mercado continuará por muito tempo;

- o mercado será culpado de todos os inevitáveis fracassos das medidas intervencionistas que procuram salvá-lo; Ainda ouviremos "it became necessary to destroy the village in order to save it".

Deve ser isto que designam por "ética republicana"

"PS termina com voto por correspondência dos emigrantes":
A partir de agora, os portugueses que vivem no estrangeiro e que quiserem votar para as eleições legislativas e europeias terão de o fazer presencialmente ....

Escusado dizer que pertence ao Estado a responsabilidade de garantir a inexistência de fraudes e o segredo do voto. E que em nome dos princípios da democracia representativa, deveria ser alargado o leque de meios de veto — inclusivamente em território nacional. Esta medida tem o mesmo efeito que tirar das urnas votos validamente expressos. E devia ser tão ilegal como essa prática.

forbid your loyal subjects to use their right hands

When we see the advocates of free trade boldly disseminating their doctrine, and maintaining that the right to buy and to sell is included in the right to own property ....

The government that you have honored with your confidence has been obliged to concern itself with so grave a situation, and has sought in its wisdom to discover a means of protection that might be substituted for the present one, which seems endangered.

They propose that you forbid your loyal subjects to use their right hands.

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Once the workers in every branch of industry are restricted to the use of their left hands alone, imagine, Sire, the immense number of people that will be needed to meet the present demand for consumers' goods, assuming that it remains constant, as we always do when we compare different systems of production. So prodigious a demand for manual labor cannot fail to bring about a considerable rise in wages, and pauperism will disappear from the country as if by magic.

Frederic Bastiat, The Right Hand and the Left (A Report to the King)

(dedicado ao Michael Seufert e ao Bruno Garschagen)

Obrigando os agentes a "competirem" com uma mão atada

"Gasolineiras com contratos ilegais" (Jornal de Notícias)
Se o entendimento do Tribunal de Justiça for concretizado em Portugal, o mercado retalhista de combustíveis sofrerá uma mudança radical: cada posto revendedor poderá estabelecer os seus próprios preços de venda, aumentando a concorrência e, em teoria, beneficiando os consumidores.

Não é preciso ter tido pelo menos três aulas sobre supply-chain para saber que eliminar possibilidades de colaboração entre agentes económicos da mesma cadeia de valor acaba por tornar o fornecimento do serviço mais custoso e portanto mais caro para o consumidor.

Contudo, o Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias fê-lo, decretando por via judicial a nulidade legal de uma lei económica. Se esta medida for Avante!, de facto as gasolineiras poderão definir os seus preços livremente - que terão de ser aumentados de forma a passar para o cliente os custos da perda de eficiência operacional.

Adicionalmente, esta medida conduzirá a maior integração vertical — os distribuidores passarem a fazer retalho. Ou, proibidos como de certeza acontecerá, passararem por apuros financeiros o que conduzirá a uma maior concentração da indústria. Ou, proibidos como de certeza acontecerá, a uma degradação tal da cadeia de valor que se sucederão falências e nacionalizações. O socialismo total é sempre o produto do socialismo "com face social".

É este tipo de iliteracia técnica que infecta as instâncias políticas e jurídicas de Estados cada vez mais intervencionistas e irracionais. Os resultados estarão à vista dentro de meia geração, que seguramente não perderá tempo a bramar "falha de mercado!".

quinta-feira, Setembro 18, 2008

Gora Euskadi


Ontem classificaram-me os Bascos de "tontos" porque uma larga maioria do povo basco é autonomista quando "temos" uma Europa em vias de convergência económica, social e política.

Eu expliquei que não, que não era simples populismo, que eu tinha constatado, ao longo de três meses, que o governo do País Basco tinha muita obra feita. Esta, por sua vez, tinha alimentado esse sentimento de identidade nacional. Pois, responderam-me, eis o perigo das autonomias.

Mais do que a idolatria do Estado como substituto da sociedade, preocupa que as pessoas descontem sistematicamente a resposta que os governos de proximidade podem dar aos problemas das populações locais.

Short selling (2)

"FSA to ban short-selling of financial stocks" (Financial Times):
Short-selling of financial stocks is set to be banned in the United Kingdom under rules drawn up by the Financial Services Authority.


Tal como explicado abaixo, com a proibição do ir short, o mercado perde uma ferramenta essencial na correcção de títulos sobrevalorizados.

Ora, a sobrevalorização de acções serve principalmente às gestões das empresas. Os gestores das empresas podem alegar que o mercado aprova a sua liderança — quando as "vozes" discordantes apenas foram caladas. Desse modo, podem mais facilmente atrair capital — parte do qual irá ao engano.

Assim se criam gigantes com pés de barro. E crises às quais a sociedade irá clamar por mais "regulação" redentora.

A medida confunde os anticorpos correctores do sistema com a doença que o inflinge - nomeadamente, outra sobrevalorização — a de certos bens de capital por manipulação estatal do custo do dinheiro.

mais um argumento em nome da privatização dos casamentos

Eis um desenvolvimento interessante em Espanha: "El CGPJ perdona a la juez que no casa a gays":
El Consejo General del Poder Judicial (CGPJ) ha estimado el recurso de la juez del Registro Civil de Dénia (Alicante) Laura Alabau, quien se ha negado reiteradamente a dar validez a matrimonios celebrados entre personas del mismo sexo, y ha levantado la sanción contra ella.

Até que ponto devem os funcionários públicos poder exercer direitos de objecção de consciência — ou devem ser meros executantes das políticas públicas?

Dream ticket


Flying Spaghetti Monster / Cthulhu 2008


(imagens : 1, 2)

Short selling

A propósito de "SEC Tightens Rules on Short Sales" (CNBC) — e resumindo os textos abaixo —, recomendo este excelente podcast do Cato Institute: "Naked Short Selling: A Phantom Shares Menace?" (ficheiro MP3).
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"Short-Sale Restrictions Are an Exercise in Naked Power" por Robert P. Murphy:
.... If investors believe a particular stock is underpriced, they can buy shares of it and then unload them once the stock has met or surpassed what they view as its "proper" level. In this way, they quickly push up underpriced stocks. Notice that it doesn't matter whether the investors who notice the initial underpricing own any of the stock at the outset.

However, things are different when an investor believes a stock is overpriced. If the investor happens to own shares of the stock in question, the obvious move is to sell some or all of the position, which both earns a relative gain for the investor and also speeds the downward move in price.

If this were the end of the story, there would be an obvious asymmetry in the market's ability to rely on the dispersed knowledge of experts in diverse fields. The only people who could act on their belief that a stock was overpriced would be those who already owned the stock. Such a restriction would be even worse than a small random sampling of the population, because the people who purchase a stock are more likely than the average person to have overrated it.

Fortunately, the market allows short selling, where someone who has zero shares of a stock can, in effect, sell shares and hold a negative position.

"Short Selling", Wikipedia:
In finance, short selling or "shorting" is the practice of selling securities the seller does not own, in the hope of repurchasing them later at a lower price. This is done in an attempt to profit from an expected decline in price of a security, such as a stock or a bond, in contrast to the ordinary investment practice, where an investor "goes long," purchasing a security in the hope the price will rise.

"The Economics of Naked Short Selling" (PDF) de Christopher L. Culp e J.B. Heaton.:
.... naked short selling is socially valuable in facilitating competition in the market for security lending — i.e., allowing new buyers to compete with current owners for the price of future delivery ....

Concluindo com Robert P. Murphy:
Short selling is a beneficial process that allows anyone to participate in the market's evaluation of share prices. So long as contracts are enforced, even naked short selling can be a beneficial process that allows the quickest possible adjustment in mispriced stocks.

Ou seja, a prática de short selling permite a qualquer investidor — hoje em dia, qualquer pessoa — contestar o "poder de mercado" dos "capitalistas" instalados. Proibir ou "regular" o short selling resulta na protecção do status quo económico contra as pressões da competição pelo capital.

E resulta em preços errados que induzem más opções de investimento. Procurar "consertar" o actual sistema financeiro "regulando" a prática de short selling para além do que é legítimo — protecção de direitos de propriedade — só resultará em mais sofrimento social.

and bloggers

In the light of recent history it is somewhat curious that this decisive power of the professional secondhand dealers in ideas should not yet be more generally recognized.
Until one begins to list all the professions and activities which belong to the class, it is difficult to realize how numerous it is, how the scope for activities constantly increases in modern society, and how dependent on it we all have become. The class does not consist of only journalists, teachers, ministers, lecturers, publicists, radio commentators, writers of fiction, cartoonists, and artists all of whom may be masters of the technique of conveying ideas but are usually amateurs so far as the substance of what they convey is concerned.

Engenharia social : Divórcio com culpa definida pelo legislador (2)

Excerto de "E se a lei do divórcio violar direitos previstos na Constituição?", editorial de José Manuel Fernandes no Público:
.... há pelo menos um ponto em que esta [lei] me parece violar direitos fundamentalmente previstos na Constituição, em concreto o direito ao livre estabelecimento de contratos e o direito de não ver o Estado intervir, de forma retroactiva, na validade desses contratos.

Refiro-me ao facto de o Código Civil prever três fórmulas para os contratos de casamento: a comunhão de adquiridos, a comunhão geral de bens e a separação geral de bens. Ao escolherem um desses regimes - cuja existência se justifica por motivos que ultrapassam um eventual divórcio -, as partes agem de forma livre e consciente.

Ora sucede que, com a nova lei, na prática se consideram nulos, para efeito de divórcio, todos os contratos livrementes firmados, aplicando em todos os casos a regra única da comunhão de adquiridos.

Engenharia social : Divórcio com culpa definida pelo legislador

"Divórcio: PS revê projecto apenas para clarificar quem pode pedir compensação" no Público de ontem:
Na proposta de alteração, o PS clarifica que só tem direito a .... compensação o cônjuge que contribuiu manifestamente mais para as despesas “porque renunciou de forma excessiva à satisfação dos seus interesses em favor da vida em comum, designadamente a vida profissional, com prejuízos patrimoniais importantes”

quarta-feira, Setembro 17, 2008

Todos ao fundo

"Regulação e desresponsabilização" de João Miranda no Blasfémias:
Percebe-se agora um pouco mais um dos efeitos da regulação. A regulação infantiliza os agentes de mercado criando uma super-estrutura de regulação que faz de forma centralizada que anteriormente era feito por cada um dos agentes de forma descentralizada. De um sistema de responsabilidade individual em que as falências ficam contidas nos agentes que correm mais risco, passamos a um sistema de responsabilidade colectiva em que os riscos são os mesmos para todos e as falências tendem a ocorrer em cadeia.

a bolha do Estado

Excerto do artigo "Este mundo era o vosso" de Rui Ramos no Público de hoje:
.... Como voltar aos eixos? O mercado, explicam-nos, não se corrige si próprio. Cabe aos funcionários públicos corrigi-lo. Eis uma ideia curiosa. Porque é precisamente o contrário que vemos: o mercado está a corrigir-se (daí os colapsos bancários), e a intervenção do Estado (do género a que o Tesouro americano fdinalmente se excusou no caso do Lehman Brothers) é desejada ou exigida precisamente para evitar essa correcção .... Ou seja, espera-se que o Estado use o seu poder para conservar e garantir os resultados da irresponsabilidade e da ganância .... trata-se de substituir a bolha do mercado pela bolha do Estado.

O Mestre e Margarida


fonte

terça-feira, Setembro 16, 2008

Liberal principles, capitalist society

Por via de algumas confusões:
A society in which liberal principles are put into effect is usually called a capitalist society, and the condition of that society, capitalism.
Ludwig von Mises, Liberalism

Political language is designed to make lies sound truthful

Na continuação de Fascist from the start, The Social Imperative of Sound Money também de Lew Rockwell:
This past week, the government announced that it would take Freddie Mac and Fannie Mae, the mortgage giants, under conservatorship, which is a nice way of saying that they will be nationalized.

We don't use the word nationalize any more. We can try an experiment and read the new term "conservatorship" back into history. In fact, we might say that Stalin and Lenin put Russia's industries under a kind of conservatorship. Or we might say that Mao pushed a kind of land conservatorship, or that Hitler's policy was one of national conservatorship. Marx's little book could be re-titled: The Conservatorship Manifesto.

You see, the government keeps having to make up new names for these things because the old policies, which were not that different in content, failed so miserably. The old terms become discredited and new terms become necessary, in an effort to fool the public.

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Hence the same is true of the word bailout, which you might consider unexceptionally descriptive of this move by the government to protect Freddie and Fannie from further losses. No, that word is not allowed either. President Bush told Fox the other day, ''I wouldn't call it a bailout. I'd call it a stabilization.''

We will soon put out a new edition of Mises's 1922 book Socialism. Maybe to keep up with the time we should call it Stabilizing Conservatorship.

Nota: o título do post é retirado do essay "Politics and the English Language" de George Orwell.

FW: Donas de Casa Desesperadas (2)

Na televisão vê-se um grupo de pessoas na sede da AIG Portugal, que se encontram lá para resgatar dinheiro aplicado numa conta poupança reforma.

A propósito, se alguém perder confiança na nossa Segurança Social, pode tentar resgatar o dinheiro que o Estado aplicou em seu nome? O dinheiro está lá?

FW: Donas de Casa Desesperadas

No sempre recomendado Lóbi do Chá - Donas de Casa Desesperadas:
Não corram para os bancos para levantar o vosso dinheiro. Por uma razão simples: eles não o têm.

O filhu du reculusu*


*Depois de vos ter oferecido Natália de Andrade, estavam à espera de quê?

domingo, Setembro 14, 2008

Estás bom?

Depois de ler este post da Catarina C., fui ver das conversas guardadas nos newsgroups qual era a minha mais antiga. Aproximadamente 3 de Maio de 1996. Tenho a certeza que as de 1995 um dia aparecem. O que é estranho é que sou mesmo eu naquela mensagem para o futuro.

the Palin I’d vote for

sexta-feira, Setembro 12, 2008

A Ficção Científica de Al Gore

the whole aim of practical politics is to keep the populace alarmed (and hence clamorous to be led to safety) by an endless series of hobgoblins, most of them imaginary.

H. L. Mencken

Altamente recomendado, A ficção científica de Al Gore (Almedina)

Mário Lewis Jr. contraria neste livro a corrente alarmista do aquecimento global e tem a coragem de pôr em causa, de forma sistemática e minuciosamente documentada, o livro que abriu a Al Gore as portas de um prémio Nobel.
Este trabalho de Mário Lewis Jr., além de fazer uma análise exaustiva do livro de Gore, constitui um excelente manual sobre muitos dos temas climatológicos, na medida em que faculta uma lista de mais de três centenas de referências, com múltiplos endereços de internet, o que oferece ao leitor interessado uma oportunidade para aprofundar os conhecimentos de climatologia e prosseguir outras leituras de modo a tirar as suas próprias conclusões.

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Aqui, uma série de documentos relativos ao livro, incluindo as seguintes apresentações:

primeira parte | segunda parte | terceira parte | PDF

quinta-feira, Setembro 11, 2008

Fascist from the start

"Fannie and Freddie: Socialist from the Start" por Edward H. Crane do Cato Institute:
.... when I hear talking heads on TV this morning claiming socialism is alive and well in America by virtue of the federal takeover of Fannie and Freddie, I think, please, Fannie and Freddie have always been socialist institutions. This is not a market failure as so many are now claiming. It is a government failure, pure and simple.

"Fannie, Freddie, Fascist" por Lew Rockwell:
They were created by FDR in 1938 to fund mortgages insured by the Federal Home Administration. They were used by every president as a means to achieve this peculiar American value that every last person must own a home, no matter what.
In other words, we are not talking about market failure .... They occupy a .... status for which there is a name: fascism. Really, that's what we are talking about: the inexorable tendency of financial fascism to mutate into full-scale financial socialism and therefore bankruptcy.

Recomenda-se o podcast How Fannie and Freddie Got Big" (MP3) de Peter van Doren do Cato Institute sobre estas "the only federal corporations" que alguns insistem em descrever como productos do laissez-faire.

as soon as you discard scientific rigor


PI (Darren Aronofsky) - Math vs. Numerology

Compensações

É claro que estamos em vésperas de eleições. E é claro que estamos num país em que há governo a mais no Estado.

Só isso justifica que o governo se tenha decidido, numa absoluta inversão das normais regras das expectativas, a anunciar mais de 2000 milhões de euros para compensar o Oeste pelos prejuízos da não construção do aeroporto na Ota. E não estamos a falar, como deveríamos, de todos quantos se viram afectados por medidas provisórias mas tão somente da abertura de mais torneiras destinadas a pingar os votos nas autárquicas e nas legislativas que se avizinham.

Mas se pelos vistos é assim que a coisa funciona, não estaria na hora de algumas regiões virem reclamar compensações por serviços encerrados ou transferidos para Lisboa, ou até por nunca se ter feito a regionalização, ou quem sabe porque o governo se escusou a cumprir as promessas que, um pouco por todo o lado, foi deixando?

Plano B

Em boa hora o Jornal de Negócios decidiu tomar a blogosfera como algo mais do que inspiração para peças jornalísticas. A nova secção sobre blogues, dirigida por um amigo (o que, evidentemente, para alguns, relativizará o que a seguir escrevo), não poderia estar em melhores mãos, uma vez que o Paulo Pinto Mascarenhas é um dos mais generosos impulsionadores de talentos na blogosfera nacional. Esta semana, opinião, fotoblog, 'e-bem' e 'e-mal', blogue da semana, citações, canal memória - e ainda notícias sobre o Arrastão, Abrupto e Blasfémias.

quarta-feira, Setembro 10, 2008

Nos EUA como aqui

"Ron Paul Statement to the National Press Club" (Ron Paul's Campaign for Liberty):
The truth is that our two-party system offers no real choice. The real goal of the campaign is to distract people from considering the real issues.

Influential forces, the media, the government, the privileged corporations and moneyed interests see to it that both party’s candidates are acceptable, regardless of the outcome, since they will still be in charge. It’s been that way for a long time.

Quem diz é quem é

Os Republicanos são, como há muito a lusa esquerda sabe e apregoa, uma cambada de gente iletrada, que recusa explicações científicas e que cai na primeira balela evangélica que aparece.

Esta realidade, que só beneficia a lusa esquerda e, claro está, os Democratas do lado de lá, é-nos apresentada dia a dia, hora a hora, take a take. É impossível fugir-lhe, o que deixa muito por explicar acerca do sucesso Republicano e Americano em simultâneo.

A não ser que, claro se torna, os Republicanos sejam bem mais do que essa horda de gente inferior. Vai na volta, até conseguem fazer política, eleger Presidentes e, vejam lá, pregar rasteiras aos mui superiores intelectuais.

Então não é que os Republicanos conseguiram pôr a lusa esquerda e a Democrática asa a papaguear boatos infundados sobre Sarah Palin, mostrando afinal que são os auto-intitulados intelectuais os primeiros a cair na esparrela dos hoaxes que circulam por mail e a ceder a um combate político assente em tudo menos em factos.

E não sou eu que o digo. Nem sequer os burros dos Republicanos. Mas a Newsweek, a que chego pelo Mar Salgado.

E não é que a senhora me diga alguma coisa. Pelo contrário. Mas talvez porque não pertenço, nem quero, à lusa esquerda, ainda não me deu para postar, divulgar e alardear boatos recebidos por mail acerca das personalidades políticas que menos aprecio.

Probabilidade condicionada

Esperança Média de Vida de John McCain por Manuel Rodrigues no recém adicionado à nossa lista de links Ainda Há Lodo no Cais:

É verdade que segundo o world fact book, editado pela CIA, a esperança média de vida de um americano é de 75 anos. No entanto a esperança média de vida de um americano que chegou aos 72 anos é superior a 84 anos.
Falamos do conceito estatístico de “probabilidade condicionada”. A probabilidade do candidato McCain chegar aos 78 anos é superior a 84%. Para que não houvessem dúvidas sobre o seu estado de saúde actual, John McCain fez um “disclose” do seu relatório médico elaborado na Clínica Mayo.

terça-feira, Setembro 09, 2008

Publicidade Institucional

A 1 de Outubro a Obscena regressa com um número fora-de-série inteiramente dedicado aos festivais de teatro e dança que, em vários paragens e nos últimos meses, deram conta das questões mais urgentes da criação contemporânea. E porque algumas destas problemáticas atravessarão a temporada 2008/2009, antecipa a programação de outros tantos festivais, numa edição especial, disponível no sítio da revista em formato pdf, que reflectirá também sobre o papel que os festivais ocupam na definição de uma política cultural.

Formalismos

Só adeptos de um formal conceito de democracia podem considerar normais, saudáveis ou sequer de festejar os resultados das eleições em Angola. Como se, no sentido do voto, o temor reverencial fosse algo de irrelevante e, na análise dos resultados, algo sem importância. E de cada vez que a RTP, de forma acrítica, sanciona os resultados e a acalmia democrática, perdem-se anos de cultura democrática e festeja-se o que há muito deveria estar afastado do nosso quotidiano: a capacidade estadual de enfraquecer a nossa liberdade de escolher onde votar.

segunda-feira, Setembro 08, 2008

Descobriram que o acelerador de partículas produz CO2

"Acelerador de partículas vai ser ligado na Suíça" (Jornal Digital):
Um grupo de cientistas levantou objecções ao funcionamento do aparelho, apelando ao Tribunal dos Direitos Humanos de Estrasburgo a paralisação do projecto, alegando que o LHC poderia desencadear um buraco negro com consequências apocalípticas, sugerindo que a Terra correria o risco de ser engolida.

O fim do silêncio

O discurso de Manuel ferreira Leite, directo, conciso e suficientemente duro, foi um bom diagnóstico do estado das coisas e das coisas do Estado. Poderia ter sido mais do que isso, porque ficou por explicar, para além da forma de fazer, o que poderia ser feito de diferente com o PSD. Mas nada obsta a que a coisa se diga nos próximos tempos, numa ou outra intervenção.

No entanto, o facto de Manuela Ferreira Leite trazer para o debate político a contaminação pública da propaganda socialista e do uso do aparelho do Estado para silenciar incómodos parece sintomático de que a coisa não irá por aí.

Ainda que seja verdade, ainda que essa contaminação e esse abuso existam, um partido de poder não pode, nem deve, assentar nesses pilares a ausência de capacidade para fazer chegar a sua mensagem. É quase uma desculpa de mau pagador, agravada pelo facto de Manuela Ferreira Leite não parecer disposta a reformar radicalmente o Estado, única forma de pôr cobro a abusos desses.

to get the cronies out of the jobs

O último Expresso, no artigo "Compadrio político mata competitividade empresarial", referia o estudo "How Cronyism Harms the Investment Climate" de Raj Desai para o Brookings Institution:
Cronyism undermines markets in several ways. It increases the costs of doing business for firms excluded from inner, "favored" circles. It encourages firms to spend more on cultivating political ties and less on innovation. It allows regulators and policymakers to benefit privately from relationships with certain firms. Reducing the inequality in influence between the most-powerful and least-powerful firms—the "influence gap"—can limit the harmful effects of cronyism. This can be done through support for greater public accountability, anti-monopoly enforcement, and more inclusive consultation mechanisms.

Ora, nao tendo lido o estudo, não tenho eu problemas em afirmar que as conclusões - que o compadrio político "fomenta a ineficiência, desincentiva a inovação, torna mais míope o planeamento, corrompe a competitividade e distorce a concorrência no mercado" - não só nao constituem uma grande surpresa, como já foram largamente exploradas por economistas liberais. A Escola da Escolha Pública, por exemplo, é prolífera neste campo.

O que surpreende são os "antídotos" descobertos para este mal social e económico: reforço do sistema de controlo ao Governo; fortalecimento do aparelho judicial independente; dar voz a um espectro de agentes económicos, incluindo pequeno empresariado, consumidores, contribuintes; reforço do papel dos reguladores. Ou seja, mais Estado.

Aqui aplica-se na perfeição o Princípio de Chodorov — para acabar com os relacionamentos mafiosos entre políticos, burocratas e privados, é absurdo acrescentar mais Estado. Para eliminar os boys, elimine-se os jobs:
During the 1950s, at the height of the McCarthy scare, conservative Republicans complained about the fact that alleged communists were ensconced in government jobs. The libertarian journalist Frank Chodorov (1887-1966) made the sensible reply that there was no need to go after these politically unpopular toilers. Instead, the way to get the communists out of the government was to get rid of the government jobs.

domingo, Setembro 07, 2008

Baboseira da semana

Enquanto existirem juízes independentes e impolutos, enquanto forem capazes de assumir riscos e revelar coragem, todos os males sociais têm cura e solução.

José Miguel Júdice, Público, texto completo aqui

Já é um perfeito disparate sequer pensar que os "males sociais" têm "cura e solução". O que é assustador é pensar que esse "desígnio social" está na mão de "juízes independentes e impolutos". Considerando que por mera repressão judicial não se vai lá.... talvez dando aos juízes poderes legislativos, de supervisão da segurança pública e "bem-estar social", e de gestão do sistema prisional?

Justiça redistributiva à moda da Madeira

De regresso à Ilha, deparo-me com um artigo antigo onde AJJ se declara interessado em fundar um Partido Social Federalista que respeite os "princípios da justiça redistributiva da doutrina social da Igreja". E andou o outro Papa a malhar no comunismo para isto... "roubarás a Pedro para dar a Paulo".

sábado, Setembro 06, 2008

falta de ideologia em tempo real

"Governo vai ser fiscalizado «ao minuto»" (IOL Diario):
Para Pacheco Pereira, o novo plano de comunicação do PSD é simpes. «Por exemplo, se após o anúncio do Governo sobre o computador Magalhães, uma equipa tivesse começado a pesquisar sobre a matéria, poderia rapidamente ter apontado quatro ou cinco mentiras ditas pelo primeiro-ministro».

Pensava que a blogosfera já fazia isso...

sexta-feira, Setembro 05, 2008

Alegado jornalismo

Ontem, na SIC Notícias, quando perguntado sobre a relevância do papel de Condoleezza Rice, Luis Costa Ribas, o suposto jornalista, dedicou-se à empreitada de demonstrar por A+B que a senhora tentava desesperadamente dar credibilidade a uma desastrada política externa de Bush. Os adjectivos saltaram-lhe da boca a uma velocidade pouco compatível não só com a beleza da linguagem mas, essencialmente, com a profissão que exerce. E até que o mandassem calar sentiu-se no dever de desmontar, no seu doutro conhecimento, a política externa dos EUA, É uma vergonha. Uma sistemática vergonha.

Regresso

A Marta Rebelo está de volta. E ainda bem.

quinta-feira, Setembro 04, 2008

Do not rub the wrong way

"Eu próprio assinei a minha demissão logo que ganhei o Congresso"

"Portas justifica silêncio sobre saída de Nobre Guedes"

Sugar Baby Love


The Rubettes, Sugar Baby Love

Controlo de preços

"Bruxelas quer máximo de 11 cêntimos por SMS" (PortugalDiário)

Regozijai todos aqueles que (como eu) nao passam sem SMS - as mensagens de texto vão ficar mais baratas.

Por ora, coloquemos de parte o facto desta proposta fixar politicamente preços de um bem de mercado. Ou seja, esqueçamos o não-tão-incómodo pormenor de planeadores económicos sentados em Bruxelas estarem a euro-nacionalizar a política comercial de empresas privadas. Seguramente será um exagero comparar tão benéfica e benévola medida às tropelias económicas de estadistas do calibre de Chavez ou Mugabe.
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Se as SMS ficam mais baratas, os operadores terão de ir buscar lucros a outras partes. É pouco provável (mas não inédito) que sejam compensados com dinheiros dos contribuintes. Muito provavelmente a compensação terá de ser feita buscando receitas adicionais a outros serviços. Pode ser que não haja aumento de preços, mas seguramente nao descerão como seria de esperar. E é provável que a qualidade dos serviços e o nível de investigação e desenvolvimento sejam afectados por redução de custos.

Assim é porque os investidores exijem determinados retornos no seu investimento. Se as suas aplicações em operadores de telecomunicação nao devolvem uma renda interessante, podem facilmente aplicar o seu capital noutro qualquer sector económico. A consequência é que as telecoms ficariam descapitalizadas e incapazes de se empenhar em guerras de preços e serviços.

A medida é coerente com o pensamento que a riqueza está aí para ser distribuída. Acontece que tornar as SMS mais "baratas" implica obrigar as empresas a serem menos competitivas. Tratar as empresas como "cash cows" implica que se comportem dessa maneira. Todo um sector económico fica menos interessante por causa de uma lei estúpida.

Sobretudo, para que tenhamos SMS mais baratas, estamos a adiar ou sacrificar o desenvolvimento das tecnologias que hão de substituir as actuais. Podemos até argumentar ao contrário - se queremos que novas tecnologias não sejam desenvolvidas, basta simular, com controlos de preços, a senilidade do sector, em que não há lucros substanciais a serem explorados.

Obrigar os preços a um nível máximo é equivalente a impor uma taxa sobre o serviço - como faz o Estado quando nos quer livrar de 'vícios'. Os efeitos serão pagos pelas gerações vindouras. Não desfrutarão de tecnologia tão avançada quanto poderiam, só para que possamos dar ao dedo compondo textos encurtados. k giru. E profundamente imoral.

The Voice, Don LaFontaine


"Morreu a «voz-off» dos trailers norte-americanos" (Portugal Diario)

They just don’t get it

"PCP contra segurança privada nas bombas de gasolina" (IOL Portugal Diário)

Um dos mecanismos menos comprendidos do sistema capitalista é aquele pelo qual os detentores de capital, na procura de lucro, são obrigados a investir para melhorar continuamente os seus serviços, ou seja, a assumir os custos de poderem servir a comunidade.

É inteiramente justo que as gasolineiras paguem os seus próprios custos de segurança. A situação por defeito não é vivermos num país integralmente coberto por um nível homogéneo de segurança pública, e qualquer acção privada perturbar esse "equilíbrio".

É exactamente o contrário - há zonas de maior e menor criminalidade. Para que o território seja tornado mais seguro, ou se tem um sistema centralizado onde uns pagam pelos custos e benefícios de outros, ou se incentiva que indivíduos, empresas e comunidades tomem essa responsabilidade.

Neste caso, o PCP defende que o Estado pague serviços às mais bem sucedidas empresas a operar em Portugal. Argumenta sair beneficiado o "interesse comum". Transferência líquida dos contribuintes para o mundo corporativo. A isto chama-se corporate welfare - ou socialismo económico "de direita". Mais uma prova de como é ténue a distinção entre comunismo e fascismo.

quarta-feira, Setembro 03, 2008

Croudsourcing


(as minhas desculpa, penso que retirei este video da blogosfera portuguesa, nao me recordo de qual)

Que tal deixar de votar em edifícios estatais?

"Subconscious Decisions: Voting in Churches and Buying Designer Labels (Scientific American):
BERGER: Policy makers should definitely pay more attention to where people vote and, if possible, be more careful in the types of places selected. Choosing polling places is already a tough task, though—they need to be centrally located, handicap accessible, et cetera, so we are not arguing to eliminate churches and schools altogether. Rather, if such places are used, there are ways to minimize their potential influence. For example, people should vote in a general multipurpose room rather than a classroom filled with children’s drawings or a church room filled with religious imagery. These steps should help reduce the influence.

Shared Space


( wikipedia | segunda parte do video aqui )


"Roads Gone Wild" (Wired):
.... Monderman considers most signs to be not only annoying but downright dangerous. To him, they are an admission of failure, a sign - literally - that a road designer somewhere hasn't done his job. "The trouble with traffic engineers is that when there's a problem with a road, they always try to add something," Monderman says. "To my mind, it's much better to remove things."

"The traffic guru" (Wilson Quaterly):
.... often, the reports reduced Monderman’s theories to a simple libertarian dislike for regulation of any kind. Granted, he did occasionally hum this tune. “When government takes over the responsibility from citizens, the citizens can’t develop their own values anymore,” he told me. “So when you want people to develop their own values in how to cope with social interactions between people, you have to give them freedom.” But his philosophy consisted of more than a simple dislike of constraints. He was questioning the entire way we think about traffic and its place in the ­landscape.

(aqui visita guiada a Drachten por Monderman)

Verdade conveniente

É certo que José Sócrates falou verdade quando lembrou que Estado só poderia colocar os professores de que efectivamente necessita.

No entanto, se essa é uma verdade para todos aqueles que têm duvidado e alertado para o papel intervencionista do Estado no ensino (ele presta, ele autoriza, ele licencia, ele homologa, ele habilita, ele financia), já parece estranho que um primeiro-ministro socialista que se tem recusado a reduzir um milímetro que seja do papel do Estado se sinta legitimado para, de uma assentada, e com uma arrogância dispensável, negar o fundamento de todas as suas políticas sem mais explicações.

A quem possa interessar, nos dias que correm

Está já publicado na Revista Polis o meu ensaio acerca da caracterização ideológica fundacional do CDS ("O CDS e a democracia-cristã (1974-1992)"). Nele procuro sustentar a tese de que o CDS não só não nasceu como partido democrata-cristão como igualmente nunca logrou assentar exclusiva ou predominantemente a sua acção política nessa corrente partidária.

terça-feira, Setembro 02, 2008

Change means nothing


Ron Paul's Message to Obama

Este mail não pode ser considerado SPAM

Esta é a frase que acompanha muito net-lixo comercial que é enviado diariamente para milhares de caixas de correio electrónicas por esse país fora. Segundo uma determinada lei, este tipo de correio indiscriminado não é um tipo de correio indiscriminado. Porque há sempre uma opção opt-out, ou seja, uma opção para deixar de receber correio daquele destinatário. Contudo, a maior parte dos utilizadores decide marcar o correio como 'spam', uma ferramenta que a maior parte dos programas de mail disponibiliza, e esquecer o assunto. Ou seja, uma esmagadora maioria dos interessados declara que a mensagem é spam - quase por definição. A lei diz o contrário. Não há opt-out para a estupidez legislativa.

Silêncio

O silêncio de Manuela Ferreira Leite não é propriamente algo que escape do campo dos factos. Ou ela falou, ou não falou. E ao que se sabe, não falou. Não se ouviu. E se falou, foi através de outros. Ou num artigo do Expresso. Este silêncio pode chegar, até ser suficiente. Mas não pode ser confundido como um juízo de valor, como se a senhora tivesse andado a pregar aos peixes sem ninguém disposto a ouvir.

Encontro marcado

Dia 11, Quinta-feira, 18.30
Conversas na Bulhosa de Entrecampos.....com Bernardo Pires de Lima
"O 11 de Setembro de 2001 e as Relações Internacionais"

segunda-feira, Setembro 01, 2008

Love for Mankind

mais um monstro legislativo que estão parindo

"UE: comissário quer aumentar licença de maternidade":
"Uma licença de maternidade mais longa terá um efeito positivo na relação com a criança e poderá ajudar as mulheres a tonarem-se mais activas" no mercado de emprejo, segundo o projecto.

Nao se compreende como é que tornar todo um segmento da população menos interessante de contratar pode beneficiá-lo. Concerteza que as mulheres vão tornar-se mais activas - na procura de emprego e na exigência de mais leis de paridade, ou compensações "sociais" para a maternidade. Concerteza que seja quem se atrever a contratar uma mãe que nao tenha cumprido a sua sabática profissional mandatada por lei acabará por sofrer as consequências da sua insensibilidade social. E ai das mães que nao cumprirem o seu dever de atender aos jovens cidadãos nos primeiros meses de vida. Sobretudo, o que é aqui ultrajante é que em nome de uma engenharia social se procura submeter toda a Europa a um mesmo regime político, como se não estivessemos a falar de vidas e indivíduos com vontade própria.

Government

sobre a cegueira colectiva

Neste passado ano em que estive no estrangeiro, tive oportunidade de conviver com muitos americanos, meus colegas no estudo das melhores e piores praticas do mundo dos negócios. Apesar de termos todos aprendido que nao há dois casos iguais ou fórmulas mágicas, e que não há nada mais complicado do que lidar com pessoas, uma distinta maioria desses americanos continua a defender o fatal conceit - que o Estado é capaz de gerir a economia em direcção a um mundo maior. Acredita, em suma, em toda a banha-de-cobra económica socialista que tanto mal já fez à Europa. No Público, Rui Tavares diz que isto é algo muito de novo e refrescante. Eu vejo um regresso às piores políticas dos anos 60 e 70, aquelas que colocaram os países europeus de joelhos, economica e socialmente. Foi o que deu o Progressismo. Mas os factos nao resistem à demagogia da Esperança e da Mudança. Até quando Obama escolhe para vice uma criatura que há décadas vive do sistema, e para aumentar o poder do sistema sobre a sociedade.