quarta-feira, Novembro 26, 2008

#Obscena 16/17

Já está online o último número da revista OBSCENA, disponível aqui e aqui.
Esta edição inclui um vasto dossier que analisa com algum detalhe o Orçamento de Estado para cultura.
Nesse dossier são discutidas as prioridades do Ministério da Cultura para 2009 – língua, património e indústrias criativas e culturais.
De lá consta um artigo meu que procura averiguar o que são ao certo as diversas parcerias com privados que o Orçamento prevê, bem como as suas consequências no actual paradigma de actuação estadual neste sector.
Ao longo das quase quarenta páginas são discutidas as implicações jurídicas, as pretensas relações entre o Estado e os privados, o comportamento orçamental dos últimos anos e as intenções de articulação interministeriais.

terça-feira, Novembro 25, 2008

Risco Contínuo

Alguns bloggers já conhecidos aqui da casa juntaram-se a outros bloggers que vão tornar-se conhecidos aqui da casa e fizeram o Risco Contínuo. É esse o novo blogue da Alexandra Marques, do Duarte Calvão, do José Abrantes, do José Mendonça da Cruz, do João Eduardo Severino, do João Távora, da MissangaAzul, do Paulo Cunha Porto, do Tiago Salazar e do Vasco M. Rosa. Bem chegados sejam a estes 99% de infâmia.

Um questão de competência

Há muito que Constâncio tenta transformar a avaliação da sua actuação como Governador num caso de consciência. Não a tendo ele em más condições, não pode senão continuar em funções. Acontece que, ao invés do que pretende o Governador, que nessa linha parece ter levado atrás grande parte dos que o questionam em entrevistas, a questão central não é a sua consciência mas a sua competência. E quanto a essa, salvo o devido respeito, estamos conversados.

25 de Novembro

A ler

O brâmane por Gabriel Silva, com destaques meus:

Os jornalistas queriam saber se porventura Cavaco teria sido accionista do BPN. O presidente ficou amofinado e emitiu um comunicado a disparar contra tudo e todos. Mas porquê? Era uma pergunta normal, de resposta fácil: sim ou não. (...)

Sobre Dias Loureiro, convirá não esquecer que foi ele, Cavaco, que o escolheu, tanto quanto se sabe, livre e pessoalmente. Obviamente com a sua confiança política. Pelo que não lhe fica bem agora chutar para canto com um simples «leiam o estatuto dos membros do Conselho de Estado», insinuando um «demita-se» que não tem a coragem de pronunciar. Custava-lhe assim tanto dizer se mantêm ou não a confiança
política em tal conselheiro? Acaso o presidente quer passar a imagem de irresponsável? De inimputável? Julgará ter algum direito de estar acima do escrutínio público? Está muito enganado.

Por outro lado, sabe-se que as questões de respeito pela constituição e de cumprimento da lei que está encarregue de assegurar não lhe justificaram recentemente sequer uma palavrinha em público. Não se pode deixar contudo de reparar que o que lhe diga respeito pessoalmente o fazem sair com toda a facilidade da toca, sejam quando estejam em causa os seus poderes constitucionais, como no caso dos Açores, seja agora a sua «honra». Sucede que o cargo que desempenha não tem propriamente por fim a defesa dos seus interesses políticos e pessoais directos, pois não?

segunda-feira, Novembro 24, 2008

Eu*

* versão Simpsons
descaradamente inspirado aqui

cof cof!

Tenho de meter-me nesta conversa sobre cameos de Hitchcock, lançada pela Maria João Pires no Jugular.

Para já, porque o Lifeboat é um dos filmes do realizador de que mais gosto, talvez porque o vi um dia, num televisor muito pequeno, sozinho, num quarto cheio de humidade que parecia escorrer do ecrã. Só o revi, anos depois, já existia internet a confirmar aquilo que muitos me negavam: havia mesmo um filme de Hitchcock passado numa barcaça à deriva.

Depois, porque os cameos do senhor há muito me fascinam. Sobretudo pela ideia de que ainda existem alguns à espera de serem descobertos. Já agora, o meu favorito, porque sempre me fascinaram fotografias antigas, de curso ou de viagem ou de família, que persistem nas nossas casas mesmo quando já nada delas se sabe, é o do Dial M for Murder.

Há um ano...

... escrevia aqui o seguinte, acerca de José Sá Fernandes e o Bloco, no seguimento de um texto do Tomás Vasques:

O Bloco de Esquerda está muito empenhado em demonstrar, contra todas as evidências por si lançadas na da campanha, que José Sá Fernandes é mesmo um vereador independente eleito nas suas listas. Mas, com tanto labor, acabará por precipitar a chegada do dia em que acabará por perceber que, afinal de contas, o único enganado nesta história não foi o eleitorado, que o Bloco julgou levar na certa, mas o próprio Bloco, que acreditou alguma vez que José Sá Fernandes não tinha ao que vinha.

Os intocáveis

Há intocáveis neste país, uns para sempre, outros por muito tempo, outros por algum tempo. Vivem, em muitos casos merecidamente, do seu nome e da sua carreira e entendem, e muitas vezes bem, que esse nome não pode ser colocado em causa por dá cá aquela palha, não havendo que desmentir e provar toda e qualquer insinuação que se lhes atravessa no caminho.

Acontece, porém, que esse regime de intocabilidade cria um sistema de dois pesos e duas medidas.

Ao criar-se uma elite de intocáveis na comunicação social, muitas vezes sem qualquer critério habilitante que os distinga de uns quantos que são constantemente “tocáveis”, está a construir-se um sistema de castas na via pública portuguesa, que afinal assenta na cunha e no favor e não, como muitos pensam, no nome e na carreira.

A intocabilidade vem, afinal, da aparência, que é cultivada perante quem tem a obrigação profissional de olhar através dela. E essa aparência, tantas vezes repetida, passa a ser argumento para que não possa ser desmentida.

E depois, claro, vem um escândalo.

Ponto de Ordem

Esta casa tem estado silenciosa, por trabalhos e afazeres, nunca por falta de vontade. E quando o silêncio se prolonga, e o trabalho se adensa, a consciência acaba sempre por tomar o partido do trabalho. Esperam-se dias melhores para esta semana.

sexta-feira, Novembro 14, 2008

Dasez do Dariz

Hoje às seis da tarde, estou com o Miguel Morgado no Descubra as Diferenças da Rádio Europa, sob comandos do Paulo Pinto Mascarenhas, que assim descreve o programa: "Os temas vão da importância de se chamar Vítor Constâncio à irrelevância de uma pretensa reforma na Educação que foi - uma vez mais - adiada". O resto dos temas está no Jazza-me Muito. O programa pode ser ouviido em directo aqui.

quinta-feira, Novembro 13, 2008

A Ministra Socialista (2)

O sistema de avaliação proposto pela Ministra da Educação é a perfeita consequência do sistema de ensino que temos. E é pena que os professores se não apercebam de que um sistema de avaliação justo e amigo do mérito dependerá sempre de um sistema de ensino assente na liberdade de escolha, na competição entre escolas e na autonomia de gestão dos estabelecimentos.

Enquanto o sistema assentar no centralismo, impedir a concorrência e recusar liberdade de gestão, o sistema de avaliação não pode senão ser um emaranhado de burocracias com reflexos exclusivos na progressão das carreiras.

A Ministra Socialista (1)

Manuel Alegre gosta de arvorar-se em representante máximo do verdadeiro socialismo no PS. E daí vêm, sempre com a superficialidade do costume, as críticas que agora dirige à Ministra da Educação. Mas se há vezes em que Manuel Alegre acerta no alvo, vincando alguns desvios do governo ao socialismo engavetado, não me parece que desta vez Manuel Alegre esteja a ser justo para com a Ministra.

De facto, a Ministra da Educação tudo tem dito e feito para preservar um sistema de ensino assente no centralismo, vergado ao eduquês, avesso a rankings, desconfiado de diferenciações com base no mérito, complacente com o marxismo dos programas escolares e atreito a qualquer coisa que cheire a liberdade de escolha e autonomia escolar.

Ela é, no sector da educação, a representação perfeita do socialismo de Manuel Alegre. É por isso que, e Alegre bem o sabe, as críticas que agora ensaia à governação da Ministra, mais não são do que um exercício meramente oportunista e que não serve, antes pelo contrário, para promover o socialismo.

quarta-feira, Novembro 12, 2008

Há coisas extraordinárias, não há?

É verdadeiramente extraordinário que um Presidente da República considere que, quanto a uma ameaça ao regular funcionamento de uma instituição sobre o qual tem poder de dissolução, nada pode fazer. Estamos a falar, para que se note, da ilegal e totalitária decisão de suspensão administrativa de um deputado regional, ao gosto e ao jeito de qualquer ditador que se preze.

Extraordinário porque, bem se vê, não é verdade. Extraordinário porque, ao contrário do Primeiro Ministro que, sob cada facto, tem versões que variam consoante os dias, o Presidente da República nos habituou a falar verdade. Extraordinário porque, em tempos, o mesmo Presidente nos falou na necessidade de impedir que a má moeda expulse a boa moeda de circulção.

Bas-fond

Portugal é o país do bas-fond.

As coisas sabem-se, comentam-se, discutem-se e decidem-se no anonimato da cortina de fumo dos mentideros. E quando, por azar, as coisas vêm a público, nem por isso a verdade sai do bas-fond em que cresceu e se desenvolveu. Começam as meias palavras, o "há muito que se sabia mas não vale a pena falar disso", o "andavam por aí uns senhores", o "eu bem alertei mas não me ouviram".

O Prós & Contras desta semana foi, aliás, um belo retrato dos senhores do bas-fond. Todos sabiam, há muito. Todos comentavam, há muito. Todos sussurravam, há muito. E o que fizeram foi pouco, ou nada. E o que revelaram sobre responsabilidades foi pouco, ou nada.

Para estes senhores, a regulação faz-se no bas-fond. Que é a forma mais rápida de, como a verdade, não a fazer de todo.

domingo, Novembro 09, 2008

The Relevance of the Great Depression

"The Relevance of the Great Depression " por David Friedman:
It could happen again. One can imagine a future in which President Obama, supported by Democratic majorities in both houses, engages in massive interventions in the economy following the massive interventions already under way and the result is a serious economic downturn prolonged for years, perhaps for two terms. If that happens many people--most obviously, the same people who insist that the collapse of Fannie Mae and the associated difficulties are the fault of laissez-faire and deregulation--will conclude that only massive intervention preserved us from a still worse outcome.

sábado, Novembro 08, 2008

Now, I’ve noticed a tendency for politics to get rather silly

Via The Beacon, no seguimento deste artigo no WSJ, "Plants Have Rights Too!":
For years, Swiss scientists have blithely created genetically modified rice, corn and apples. But did they ever stop to consider just how humiliating such experiments may be to plants?

That’s a question they must now ask. Last spring, this small Alpine nation began mandating that geneticists conduct their research without trampling on a plant’s dignity.

Aqui vai o PDF: "The Dignity of Living Beings with Regard to Plants"

quinta-feira, Novembro 06, 2008

Michael Crichton e Ambientalismo

Michael Crichton (1942-2008), apresentação no Commonwealth Club (PDF completo no Heartland Institute):

Today, one of the most powerful religions in the Western World is environmentalism. Environmentalism seems to be the religion of choice for urban atheists. Why do I say it's a religion? Well, just look at the beliefs. If you look carefully, you see that environmentalism is in fact a perfect 21st century remapping of traditional Judeo-Christian beliefs and myths.



Michael Crichton on Environmentalism as a Religion



Michael Crichton on Global Warming, Part 1 of 3
Part 2 | Part 3

quarta-feira, Novembro 05, 2008

Poncho power

Obama on Obama

Depois de não ter percebido qualquer linha programática no discurso de vitória de Obama, virei-me para o youtube:


Shocking: Obama's Attack Ad On Himself

Obama will make it right

To sit back hoping that someday, someway, someone will make things right is to go on feeding the crocodile, hoping he will eat you last - but eat you he will.

Ronald Reagan

Parabéns a Obama

Sobretudo este é um momento histórico para uma naçao formidável. Que o filho de um imigrante queniano tenha ascendido ao mais alto posto governamental do país mais poderoso do mundo é um testemunho poderoso a favor de uma sociedade democrática, livre, e sobretudo baseada nos princípios do capitalismo liberal.

De candidato a Presidente



Parabéns a Obama, claro vencedor das eleições presidenciais americana. Não é uma vitória que me entusiasme, como não me entusiasmaria a sua derrota. Esta coisa do bipartidarismo dá nisto, pelo menos no meu caso: a tendência dos candidatos, e dos partidos que os apoiam, de agradar a todos, tendo que, para o efeito, dizer tudo e o seu contrário, não me consegue cativar.

Espero agora que Obama deixe de pensar nos americanos como eleitores, e os passe a tratar rapidamente como cidadãos. É importante que se aperceba da diferença. Como é igualmente muito importante que os americanos, e o resto do mundo, deixem de o ver como Messias e o olhem como Presidente, que tem de decidir, de conceder, de escolher, de ganhar e de perder.

terça-feira, Novembro 04, 2008

Peter Schiff: Economic Impact Of Obama Victory


11/3/2008 -Peter Schiff On Squawk Box:Economic Impact Of Obama Victory

The Obamessiah


Is Barack Obama the Messiah?

Movember


Movember.com
(wikipedia)

Vernon Smith on Barack Obama

Via International Economics, "Vernon Smith on Barack Obama" (Wall Street Journal):
I think the answer to Alan Reynolds's excellent question and article ("How's Obama Going to Raise $4.3 Trillion?," op-ed, Oct. 24) is that Barack Obama is not going to raise $4.3 trillion, and he is not going to perform on his rhetoric. He excels as a rhetorician -- common to both the great and the least of past presidents -- but performance cannot run on that fuel. Inevitably, I think his luster will fade even with his most ardent supporters as that reality sets in.

segunda-feira, Novembro 03, 2008

cyberwar

"Air Force Aims to 'Rewrite Laws of Cyberspace'" (Wired):
It's part of a larger Air Force effort to gain the upper hand in network conflict. An upcoming Air Force doctrine calls for the service to have the "freedom to attack" online. A research program, launched in May, shoots for "gain access" to "any and all" computers. A new division of information warriors is being set up under Air Force Space Command. "Our mission is to control cyberspace both for attacks and defense," 8th Air Force commander Lt. Gen. Robert Elder told Wired.com earlier this year. Apparently.

domingo, Novembro 02, 2008

it is through exchange that difference becomes a blessing, not a curse

Da Quote of the Day no Austrian Economists:
A primordial instinct going back to humanity's tribal past makes us see difference as a threat. That instinct is massively dysfunctional in an age in which our several destinies are interlinked. Oddly enough, it is the market -- the least overtly spiritual of concepts -- that delivers a profoundly spiritual message: that it is through exchange that difference becomes a blessing, not a curse. When difference leads to war, both sides lose. When it leads to mutual enrichment, both sides gain.

Steven Horwitz, "Comparative Advantage", no website do Fraser Institute:
.... once one understands the concept of comparative advantage, one can see how economics helps us to reveal perhaps the most important benefit of diversity: when people are free to produce by comparative advantage and then trade what they produce, human diversity becomes a source of both increased material well-being and expanded peaceful human cooperation. The more freedom we give to people to engage in the market process, the more that diversity and difference really do become humanity’s blessing and not its curse.

Orwell, or porque temos de chamar os Porcos de Porcos

"Why We Need to Call a Pig a Pig" (Newsweek):
Since its publication in 1945, "Animal Farm" has sold more than 10 million copies worldwide, and become a standard text for schoolchildren, along with Orwell's other dystopian vision of the future, "1984." But it is the writer's essays on the importance of clear language and independent thought that make him relevant. Consider this, from "Politics and the English Language": "The word Fascism has now no meaning except insofar as it signifies 'something not desirable.' The words democracy, socialism, freedom, patriotic, realistic, justice, have each of them several different meanings which cannot be reconciled with one another … Words of this kind are often used in a consciously dishonest way."

A realidade é mais estranha que a ficção

Via Marginal Revolution,

Does the free market corrode moral character?

Does the free market corrode moral character?, discussão no site da John Templeton Foundation.

A resposta de Ben Asa Rast:
Perhaps the best way to answer this question is to ask another: does an un-free market improve moral character? Or, to phrase it differently, can coercion improve moral character? I think the answer is found in history. Rare is the man who can exercise such power over others without eventually being corrupted by it. As C.S. Lewis said: Aristotle was right; some men are fit to be only slaves; but I oppose slavery because I do not believe any man is fit to be a master.