O André Abrantes Amaral retoma n'
O Insurgente a ideia de que o CDS demonstrará a sua utilidade
se puder oferecer ao PS a possibilidade de formação de um governo maioritário que não dependa da extrema-esquerda*.
Acontece, porém, que inflexão à extrema-esquerda pode ser evitada através de um apoio parlamentar pontual nas matérias em que tal se justificar, orientando o ónus da responsabilidade política para o PS, a quem cabe, a cada momento, responsabilizar-se pela escolha do partido a quem se alia.
E se a situação do país não puder comportar um governo minoritário, o aliado natural do PS é, como aliás se nota pela ausência de oposição, o PSD. Convergem ambos em grande parte das políticas de Estado, divergindo apenas na forma e nos protagonistas, pelo que a negociação de um Programa de Governo de salvação nacional será ideologicamente mais fácil.
Não deve, por isso, recair no CDS o dever patriótico de salvar o país da extrema-esquerda. Esse dever recai no PS, em primeiro lugar, que não deve nunca, em caso algum, aí procurar apoios, e no PSD, em segundo lugar, que partilha com o PS a mesma ideologia social-democrata.
Aliás, se Paulo Portas quiser ser útil ao partido, ao país e ao nosso sistema partidário, sê-lo-á forçando um novo bloco central e forjando uma clarificação das alternativas políticas que permita ao CDS, por fim, e
como tentado por Lucas Pires, exercer a sua função de único partido não socialista em Portugal.
* Comento o tema porque considero que o mesmo não está em discussão interna no CDS. Não conhecendo no CDS quem defenda, sequer de forma implícita, a formação de um Governo com o PS, e tendo a ideia sido negada em Congresso, parece-me que estes comentários não violarão, por isso, a minha regra de aqui não comentar assuntos relacionados com a vida interna do partido em que milito.