Breaking the mould

O erro do dilema randiano — ceder ou desistir — é que a política não se esgota nos mecanismos políticos do Estado.
Os preceitos liberais são incompatíveis com este sistema. Pelos axiomas e teoremas da lógica estatista, o liberalismo é tão ilusivo como a quadratura do círculo. Nem é preciso ir ao grande esquema das coisas. Por exemplo, em eleições, a escolha resume-se a correr para um lado, ou correr para o outro, ou ficar parado. Ao hamster não é dada a hipótese de saltar para fora da roda, porque essa ideia nunca lhe ocorreu.
O desafio de explicar ideias liberais é o de provar que existe uma outra dimensão utilizando unicamente as ferramentas teóricas que existem para justificar um mundo que não se concebe sem estatismo.
Mais, a magnitude do potencial da liberdade individual é inconcebível para quem vive formatado para conviver com o Estado. Já dizia a personagem Sócrates na Alegoria da Caverna "E se o forçarem a fixar a luz, os seus olhos não ficarão magoados?". Os cidadãos soviéticos não concebiam a ideia de hipermercados, há um século ninguém acreditaria em iPods, todas as épocas rejeitaram conceitos transformadores. Mas eles existem.
tema por António Costa Amaral em 22:25 - URL -


4 Comentários:
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Boa análise. Estou a reler "O caminho para a servidão" e dou-me conta das importantes mudanças ao nível dos pressupostos, da interpretação da realidade económica e social, e por aí fora, que se exige para mostrar que há não só "conceitos inovadores" mas um outro mundo de Liberdade. Para lá da pobreza do nosso espaço e discussão políticas. Ceder ou desistir? Como faço com os meus alunos ao explorar a Alegoria da Caverna, procuro que vislumbrem um outro mundo possível, para lá do conforto das grilhetas. Utópico? Não, julgo que realista.
Saudações,
Luís Vilela.
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Caro Luís,
Obrigado, a ideia não era fazer uma análise, mas deixar escritos alguns pensamentos.
A parte do "Ceder ou Desistir" é referência ao 'Atlas Shrugged' da Ayn Rand, há outras referências espalhadas pelos textos - um pouco por associação livre de ideias.
O que estava a passar-me pela cabeça é que nas condições actuais o liberalismo tem muito de messiânico, o que torna muito difícil convencer as pessoas a sequer considerarem tomar a pílula correcta.
Acontece que a liberdade não é uma utopia. Em múltiplos domínios de acção, podemos ver como funciona, e como produz prosperidade e paz social (não há debates nas TVs sobre o que o Pingo Doce deve ter nas prateleiras, mas sobre a Saúde e a Educação, todos os meses).
O desafio [era uma série de posts, que ainda não acabei, nem sei se vou acabar] é adaptar essas analogias precisamente aos domínios onde nos parece inconcebível haver mercados livres. Nem que seja por higiene cívica.
Abraço!
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