sexta-feira, julho 03, 2009

Tortura (3)

Há três anos, escrevi aqui:
Maria João Pires lanzarotou-se: abalou para o Brasil, agastada com a "tortura" que sofreu em Portugal. Por outras palavras, todas as fibras do seu ser foram brutalizadas pela falta de reconhecimento monetário do Estado português pela sua incontestável grandeza artística. A artista disse "basta". E foi para a terra de Heitor Villa-Lobos.
Hoje finalmente as boas notícias: Maria João Pires renuncia à nacionalidade portuguesa.

Good riddance! Que se vão todos os parasitas subsídio-dependentes. Não há pachorra para estes novos-imortais, arrogantemente acima das materialidades mundanas, desavergonhadamente dependentes da mesada do Estado. Que levem o seu direito divino ao reconhecimento da pátria para bem longe. Estes insolentes são os primeiros na fila de espera para exigir um tributo automático que é tão natural — e tão inquestionável —, que só não aparece porque a pátria é ingrata. Pois reduzam-se à sua insignificância. Longe.

9 comentários:

  1. Olá!
    Venho parabenizar pelo seu blog! Muito bom!
    Eu tenho um que é relacionado com música classica e ficaria agradecido se você pudesse fazer um link dele em seu site. www.concertosincero.blogspot.com
    Abraço

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  2. Até que enfim que esta dona brasileira deixou de ter dupla nacionalidade e tenha desistido de plagiar Béugais !

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  3. Olá John, obrigado, mas não ligue ao nosso blogroll, aquilo já não é actualizado há muito, hoje em dia é tudo por Google Reader. Bons post!

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  4. Maria João Pires, bem pode aproveitar quando for entregar o passaporte português e devolver os subsídios que recebeu, mesmo antes de ir para o Aeroporto da Portela embarcar na Varig. Portugal já tem talentosos arrogantes e imodestos suficientes que demonstram desdém pela sua identidade, ficaremos apenas com menos um…!

    PS: Parabén pelo aniversário!

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  5. Obrigado Bruno, acontece que o jogo é mesmo estourar dinheiro dos contribuintes em "cultura". O capital já não lá está.

    Seja como for, não concordo que se deva pedir dinheiros de volta (não só para MJP como também para empresas apoiadas, etc), legitimaria uma função creditícia do Estado que seria uma desgraça económica...

    Obviamente, o rumo é abolir o Ministério da Economia (e o da Cultura) e deixar o mercado funcionar.

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  6. Fico estupefacta com o que leio! A questão não está na renúncia à nacionalidade, está sim na única forma que Mª João Pires encontrou para mostrar que não teve nunca o apoio que merecia do Estado Português. Ela e o seu projecto de Belgais! Afinal, não é todos os dias que nasce em Portugal uma pianista que dá o seu primeiro recital aos três anos, que é reconhecida e admirada mundialmente, que tem um contrato vitalício com a Deutsche Gramophonn (que é só a mais importante e prestigiada editora discográfica que existe), que toca e esgota diariamente as maiores salas do mundo,e que, de facto, pode não representar a escola dos virtuosos, mas que mudou para sempre a forma de tocar e interpretar Mozart, tal como Brendel fez com Beethoven e Haydn e Glenn Gould com Bach! Mas é óbvio que é sempre mais proveitoso construir estádios de futebol... É de facto muito difícil ser artista em Portugal e é talvez por isso que Mª João Pires tenha decidido sair, tal como Emanuel Nunes, Artur Pizarro ou mesmo o único Prémio Nobel da Literatura que temos! Só alguém com muito pouca noção pode falar desta forma...

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  7. Cara Blimundina, tenho a certeza que MJP tem muita noção de quanto dinheiro queria dos contribuintes portugueses.

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  8. Caro AA,

    Eu tenho o privilégio de a conhecer e também eu tenho a absoluta certeza que ela está bem longe de ocupar o seu pensamento com esses objectivos mesquinhos!

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  9. Curioso, eu também tenho o previlégio de conhecer MJP. Pelos discos que já comprei. Que não custaram nada ao contribuinte português.

    Quanto aos pensamentos mesquinhos, o problema é mesmo esse. Seria mais honesto dizer que uma artista precisa de dinheiro nem que venha do Estado.

    É esse desprezo pelo material - e pelo que é dos outros - que tornam o episódio especialmente revoltante.

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