segunda-feira, Fevereiro 23, 2009

Rant of the Year (2)

Continuando o Rant of the Year,

Robert Gibbs vs. Rick Santelli



Rick Santelli Responds to Whitehouse Mouthpiece Robert Gibbs on CNBC's Kudlow:

"this is an unprecedented White House assault on a member of the media" — diz Kudlow — "the worst press relations we've seen in a lifetime"



White House Press Secretary Defiles The Office of The President

sexta-feira, Fevereiro 20, 2009

Momento Intimista do Dia

Neste carnaval vou mascarar-me de AMN. Circunspecto, cheio de certezas, muitos pontos finais, quase a chegar aos 40, pouco sentido de humor. É a forma mais cómoda e menos trabalhosa de deixar de ser o Adolfo, como aliás se supõe que seja o carnaval, e passar a ser qualquer coisa de diferente. Volto Quarta. Até lá.

Paradoxo do dia

Não deixa de ser divertido ver aqueles que defendem a nacionalização da banca, porque o Estado é que sabe velar pelo interesse público e coiso e tal, criticar as discutíveis opções de gestão da Caixa. Ah e tal mas a culpa não é da titularidade da Caixa é das pessoas que lá estão. Ah bom, mas se a coisa é assim, não me parece que a nacionalização seja a resposta. Ou não?

Freeport (3)

A existência de arguidos no caso Freeport não toca, nem tem de tocar necessariamente, na actuação de José Sócrates enquanto Ministro do Ambiente. Mas já toca, num plano de investigação criminal, no procedimento administrativo de licenciamento do empreendimento, em que actuam dezenas de pessoas. É o que basta para terminar, de uma vez, com a tese da cabala e da campanha negra, que o Ministro Censor ainda ontem foi repetir na casa em que o Governo combina com os jornalistas as peguntas a fazer.

Pergunta do dia

Se o Ministério Público quer acabar com coisas de mau gosto no carnaval de Torres Vedras, porque é que não acaba com o próprio do carnaval de Torres Vedras?

Censura

O Ministério Público não tem, nas suas competências, qualquer atribuição ou competência para, da forma que fez, determinar a cessação de uma qualquer sátira de carnaval. Tratou-se manifestamente de um acto de censura, de cariz inédito porquanto não repara na nudez que sempre desfilou por aqueles carnavais, e de um acto de subserviência a uma das obras do regime, o computador que José Sócrates vende em cimeiras internacionais.

Espírito fundador

Vale muito a pena, até para fingir que a União Europeia é um espaço aberto ao confronto de ideias, ler o discurso de Václav Klaus no Parlamento Europeu, a que cheguei pelo Gabriel Silva. E valeria ainda mais a pena compará-lo, juntamente com todos os outros discursos que por lá se fazem, com os dicursos dos pais fundadores da União Europeia.

Talvez se percebesse com mais facilidade quem é que, afinal de contas, melhor representa o espírito e os ideiais da União: se o Presidente checo que pugna pelo princípio da subsidiariedade, se deputados que, sem qualquer pudor e sem qualquer amor à liberdade de expressão, abandonaram o Parlamento Europeu durante o discurso.

quinta-feira, Fevereiro 19, 2009

Rant of the Year


Rick Santelli and the "Rant of the Year"

Normalidade

D. José Saraiva Martins não detém, sequer para os católicos, o poder de ditar o que é ou não é normal. Nem mesmo, sequer para os católicos, o poder de fixar, frente a Fátima Campos Ferreira, a posição da Igreja Católica. Tratem-se pois as suas declarações face à (a)normalidade da homossexualidade com o estatuto que de facto detêm.

quarta-feira, Fevereiro 18, 2009

Notas sobre o P&C

O Prós & Contras sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi útil para perceber tudo aquilo que tem inviabilizado uma discussão produtiva sobre o assunto. De um lado, o dogmatismo antijurídico de Isabel Moreira, que faz da sua opinião a Verdade Revelada, do outro a profunda convicção de que o homossexualismo é algo moralmente degradante, de Vaz e Gala. De um lado, os formalismos de Eduardo Nogueira Pinto (muitos pertinentes, outros menos), do outro a tibieza em colocar a questão nos seus exactos termos de Fernanda Câncio.

De um lado, a intolerância de quem vê homobofia em todos os gestos e palavras. Do outro, a intolerância de quem entende que a união entre duas pessoas do mesmo sexo não tem relevância social e em nada colabora para a dignidade dos envolvidos.

O Rui Castro colocou muito bem a questão, com argumentos não intolerantes e não desprovidos de sentido. Se é apenas aí que reside a sua oposição ao casamento entre pessoas do mesmo sexo ou se esses argumentos são extensíveis ao casamento tal qual o conhecemos, é outra conversa. O Miguel Vale de Almeida esteve também bastante bem durante todo o programa, excepto na sua intervenção final. Não posso concordar que o casamento seja a única forma de resolver a questão e que a consagração de um qualquer outro contrato possa diminuir a dignidade de quem o contrai.

Dito isto, como penso que se sabe, sou favorável, no actual quadro jurídico em que ninguém parece interessado em reformar o casamento entre pessoas de sexo diferente, à consagração do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Por uma questão de liberdade contratual.

terça-feira, Fevereiro 17, 2009

Pergunta do dia

Valete ou não valete?

Posta Restante

Tem estado em pausa, este A Arte da Fuga. O António entrou num sono profundo, de onde sai vaidosamente quando lhe apetece. E eu entrei numa correria de prazos e trabalho acumulado frente ao computador, de onde não consigo sair. Sobra pouco tempo. Muito pouco tempo. E nesse muito pouco tempo o computador (e portanto, a bloga) não são opção. Seria quase como passar 24h agarrado à coisa.

Ao lado da minha presença blogosferica vão passando os desmandos de Santos Silva e os cartoons que promoveu nos seus tempos d'A Acção Socialista (quando é que esta gente percebe que o maior prejuízo que causam à democracia são os seus eternos dois pesos e as suas cansativas indignações selectivas?), as trocas e baldrocas de Dias Loureiro e do Governador do Banco de Portugal (quando é que se percebe de uma vez por todas que as novas tecnologias permitem cruzar e multiplixar a informação em segundos?), as propostas verdadeiramente deliciosas de Louçã para salvar a economia (quando é que vai explicar porque é que essas receitas falharam em todo o lado e aqui serão com a porta de entrada para o shangrilá?) e o Prós & Contras de ontem sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo (quando é que se percebe que a questão tem inevitavelmente de sair dos moldes da tolerância e da moralidade para passar para o estrito foro da liberdade contratual?).

A ver se tenho tempo.

terça-feira, Fevereiro 10, 2009

RE: O eventual regresso do CDS ao poder

O André Abrantes Amaral retoma n'O Insurgente a ideia de que o CDS demonstrará a sua utilidade se puder oferecer ao PS a possibilidade de formação de um governo maioritário que não dependa da extrema-esquerda*.

Acontece, porém, que inflexão à extrema-esquerda pode ser evitada através de um apoio parlamentar pontual nas matérias em que tal se justificar, orientando o ónus da responsabilidade política para o PS, a quem cabe, a cada momento, responsabilizar-se pela escolha do partido a quem se alia.

E se a situação do país não puder comportar um governo minoritário, o aliado natural do PS é, como aliás se nota pela ausência de oposição, o PSD. Convergem ambos em grande parte das políticas de Estado, divergindo apenas na forma e nos protagonistas, pelo que a negociação de um Programa de Governo de salvação nacional será ideologicamente mais fácil.

Não deve, por isso, recair no CDS o dever patriótico de salvar o país da extrema-esquerda. Esse dever recai no PS, em primeiro lugar, que não deve nunca, em caso algum, aí procurar apoios, e no PSD, em segundo lugar, que partilha com o PS a mesma ideologia social-democrata.

Aliás, se Paulo Portas quiser ser útil ao partido, ao país e ao nosso sistema partidário, sê-lo-á forçando um novo bloco central e forjando uma clarificação das alternativas políticas que permita ao CDS, por fim, e como tentado por Lucas Pires, exercer a sua função de único partido não socialista em Portugal.

* Comento o tema porque considero que o mesmo não está em discussão interna no CDS. Não conhecendo no CDS quem defenda, sequer de forma implícita, a formação de um Governo com o PS, e tendo a ideia sido negada em Congresso, parece-me que estes comentários não violarão, por isso, a minha regra de aqui não comentar assuntos relacionados com a vida interna do partido em que milito.

Ai se isto fosse nos tempos do Santana (8)

Leio no Blasfémias que o director do jornal SOL, José António Saraiva, confirmou ter sido pressionado por alguém muito próximo do primeiro-ministro, que não pertence ao Governo, que lhe terá comunicado que se o jornal parasse com as investigações do caso Freeport veria a sua má situação financeira resolvida nesse fim-de-semana.

Desta vez, ali pelos lados de Augusto Santos Silva, não se vislumbra indignação contra a central de propaganda com o dinheiro dos contribuintes montada pelo Governo.

segunda-feira, Fevereiro 09, 2009

Social blogosférico

1. O Corta-Fitas está de parabéns, que já lá vão três anos.

2. O Tiago Loureiro mudou-se para o Espelho Mágico e abriu o Sem Filtro, juntamente com Nuno Silva, Eric Rodrigues, Luis Santinhos Ribeiro e Sara Albuquerque.
3. O ABC do PPM está uma animação com tantos convidados, com especial destaque para a Ana Sá Lopes.
4. Com muito atraso, vai linkado o bcbg da minha amiga Maria Pia!

Bater no ceguinho

O muito citado artigo Mário Crespo ("Está bem… façamos de conta"), vindo de quem vem, peca por tardio e, de certa forma, por oportunismo.

Tardio porque, como se vê da enumeração (bastante incompleta) que ali se faz, há muito que o tom e a denúncia deveriam ter sido adoptados em anteriores artigos.

Oportunismo porque, como tenho vindo a repetir, é estranho que apenas se destaquem os desmandos do Governo quando este enfrenta o caso Freeport. Agora, que o Governo deu em ceguinho, é muito fácil bater no dito.

domingo, Fevereiro 08, 2009

Meltdown

"Meltdown: A Free-Market Look at Why the Stock Market Collapsed, the Economy Tanked, and the Government Bailout Will Make Things" por Thomas Woods:
The media tells us that "deregulation" and "unfettered free markets" have wrecked our economy and will continue to make things worse without a heavy dose of federal regulation. But the real blame lies elsewhere. In Meltdown, bestselling author Thomas E. Woods Jr. unearths the real causes behind the collapse of housing values and the stock market--and it turns out the culprits reside more in Washington than on Wall Street.
Meltdown also provides a timely history lesson to counter the current clamor for a new New Deal. The Great Depression, Woods demonstrates, was only as deep and as long as it was because of the government interventions by Herbert Hoover (no free-market capitalist, despite what your high school history teacher may have taught you) and Franklin D. Roosevelt (no savior of the American economy, in spite of what the mainstream media says). If you want to understand what caused the financial meltdown--and why none of the big-government solutions being tried today will work--Meltdown explains it all.

sexta-feira, Fevereiro 06, 2009

sobre a perfeição artística

"That Synching Feeling" (WSJ):
Not only are we told that prerecording is "standard operating procedure," but we're supposed to believe that it is actually a virtue: The performers, you see, care too much about their art to risk presenting something substandard. But what is art without risks? Any live performance is a high-wire act, and the wire can be wobbly. Nowadays, it seems that -- when it really counts -- musicians are willing to put the wire on the pavement and walk along it as if they were doing something just as daring as the real thing.

But far worse, the emphasis on technologically assisted perfection is at odds with a human conception of artistic beauty. "In all things that live there are certain irregularities and deficiencies which are not only signs of life, but sources of beauty," wrote the 19th-century British critic John Ruskin. "To banish imperfection is to destroy expression, to check exertion, to paralyze vitality."

quinta-feira, Fevereiro 05, 2009

Updates

A Origem das Espécies, do Francisco José Viegas, está com nova cara. E o Paulo Pinto Mascarenhas voltou a entrar no ABC do PPM , o que só lhe fica bem. Sobre ele, deixo o que aqui escervi no Delito de Opinião:

Se existe um ABC da blogosfera em Portugal, o "P" será seguramente ocupado pela entrada do nome do Paulo Pinto Mascarenhas. Não que a coisa tenha começado por ele ou sequer acabado nele. Mas porque com ele, e também por mérito dele, surgiu uma nova geração de pessoas que gosta de olhar para o país e o para mundo através de um prisma ligeiramente distinto daquele que vinha sendo utilizado pela maioria da opinião publicada em Portugal.

Não foi ele que criou esta geração. Nem sequer foi ele que a ensinou ou tutelou. Mas foi ele que nela apostou, dando-lhe espaço e oferecendo-lhe palco. Foi ele que a motivou, criando projectos, divulgando nomes. Foi ele que a honrou, oferecendo sem pedir, dando sem exigir.Muitos dos nomes dessa geração venceram o desafio sistematicamente lançado pelo Paulo. Uns escrevem nos jornais, outros falam nas rádios, outros chegaram mesmo à televisão. Não foi graças a ele. Mas com ele. E poucos podem, como ele, sentir que deixaram uma marca na blogosfera que os ultrapasse. Que persista para além dos seus posts e dos seus blogues e dos seus sitemeters.

quarta-feira, Fevereiro 04, 2009

terça-feira, Fevereiro 03, 2009

Zigzag

Engraçada a forma como, de um dia para o outro, de um momento para o outro, apenas porque o investigado ou suspeito ou arguido ou inocente é dos "nossos", Cândida Almeida já não é incompetente e servil a interesses particulares, governos de gestão já não têm de ser governos sem acção, vésperas de eleições já não são períodos de luto legislativo, a Procuradoria já não anda a reboque de cabalas, os arquivamentos já não são encomendados e a investigação jornalística e as fugas e as escutas e os-mails e as cartas anónimas já são ilegítimas e devem ser silenciadas.

Querem maior investida contra a credibilidade da classe política do que este permanente ziguezear de comentadores consoante as conveniências (basta fazer search no google para descobrir a que ponto vai este ziguezaguear)? Querem maior investida contra a razão de alguns dos moderadores da fúria difamatória do que o seu aplauso a fúrias difamatórias que atingiram terceiros? Querem maior obstáculo à eficiência do sistema de investigação do que a sua constante travessia entre bestial e besta ao sabor das amizades?

Prós & Contras

Está a ser divertido este Prós & Contras que a RTP prontamente arranjou para debater a triste sina de José Sócrates e a injustiça que estão a fazer a José Sócrates e a desgraça que seria para o país se José Sócrates se deixasse abater e o quão determinado é José Sócrates e o quão reles são aqueles que ousam querer saber mais sobre o caso. Tudo sem o menor sinal da sarjeta de que em tempos falou Augusto Santos Silva. Amén.

domingo, Fevereiro 01, 2009

tradewarmongering

Via 31 da Armada, "Out of Gaps In Treaties, First Salvos Of Trade War" (Washington Post):
pic
buy german goods
In 1930, Congress fired the first shot in a protectionist battle that prolonged and deepened the Great Depression. After passing a bill aimed at saving American jobs by effectively barring 20,000 imported goods, including French dresses and Argentine butter, other nations retaliated by raising their own barriers on U.S. products, effectively bringing global commerce to a halt.
[Now] In the United States, a move to greatly expand Buy American provisions as part of the $819 billion fiscal stimulus package has generated shock waves in other countries, with Canadian and European officials in particular rising up in protest. The provision, passed by the House on Wednesday, would mostly bar foreign steel and iron from the infrastructure projects laid out in the stimulus package. A Senate version still being considered goes further, requiring, with few exceptions, that all stimulus-funded projects use only American-made equipment and goods.

Agora mais do que nunca Henry Hazlitt faz-se actual:
The effect of a tariff, therefore, is to change the structure of American production. It changes the number of occupations, the kind of occupations, and the relative size of one industry as compared with another. It makes the industries in which we are comparatively inefficient larger, and the industries in which we are comparatively efficient smaller. Its net effect, therefore, is to reduce American efficiency, as well as to reduce efficiency in the countries with which we would otherwise have traded more largely.

Nota: o poster da imagem pode ser exagerado para ilustrar este novo exemplo de Obamanomics. Mas é ele próprio produto da desestabilização política que as políticas económicas retrógradas do New Deal produziram na Europa.