sábado, Maio 30, 2009

semana trágica

As celebrações populares da vitória do Barça na Liga dos Campeões foram manchadas por actos de vandalismo e actos de confrontação com as forças policiais, tal como tinha acontecido nas comemorações anteriores deste ano - e, em grau menos, de há uns cinco anos para cá, segundo relatos.
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É fútil procurar explicações sociológicas. Provavelmente a alta taxa de desemprego tem algo que ver. Provavelmente podemos apontar as culpas às politicas alienantes do socialismo progressista quer do Estado Espanhol quer da Generalitat.

Nem que seja por associação de ideias, é interessante constatar que 2009 é um ano histórico para os movimentos nihilistas catalães.

Em Julho de 1909, há cem anos, desencadeou-se a revolta civil que ficou conhecida por Setmana Tràgica. Espanha estava envolvida numa guerra em Marrocos, a mobilização de reservistas foi recebida com desagrado.



Elementos anarco-sindicalistas aproveitaram para destruir edifícios públicos, incluindo numerosas igrejas, já que identificavam a Igreja com o regime político em vigor.



À luz desta efeméride, alguns cartazes espalhados por Born, Barri Gotic e Raval parecem anunciar vagos acontecimentos ominosos...

o destino dos fundos comunitários

Não é legítimo aumentar a repressão fiscal em nome da "Europa". Mas uma vez que os fundos 'comunitários' estejam disponíveis, é legítimo que os governantes nacionais procurem reavê-los. Contudo, esse dinheiro foi confiscado às pessoas; deve ser devolvido na forma de rebates fiscais, ou de outra forma directa.

É profundamente imoral propor a criação de um imposto europeu, mas pelo menos é honesto não andar com meias-palavras.

Agora, é desonesto fazer de conta que "os fundos europeus" caiem do céu e que não têm dono. É desprezível rasgar as vestes e bater com os punhos no peito porque há fundos 'comunitários' desperdiçados, dinheiros 'públicos' que queridos governantes poderiam estar a usar para 'consertar' a Economia.

O dinheiro sonegado à Economia por políticos e burocratas — de esquerda e direita — não cria valor. Não só acrescenta aos problemas de liquidez e crédito das pessoas e das empresas, representa prosperidade económica que nunca chegou a existir. É um dos custos da manutenção de uma classe improdutiva que é economicamente ignorante por definição.

Há uma forma de melhor aproveitar os fundos comunitários - baixar impostos. Querer coordenar a Economia nacional a partir da Europa denota uma ideologia iliberal que não reconhece a soberania económica de cada indivíduo.

Tot el camp, és un clam

Por Barcelona a a festa continuou na quinta-feira, ontem ainda apitavam nas ruas.

- El Camp Nou rinde homenaje al mejor Barça de la historia (Libertad Digital)
- El Barça celebra la triple corona en un apoteósico fin de fiesta (La Vanguardia)
- Una ciudad 'blaugrana' (El País)



Estive aqui há seis anos, por altura do Mundial da Coreia e Japão, a Espanha qualificou-se para a fase de grupos ao vencer o Paraguai: nem um pio nas ruas. Este ano, no Europeu da Áustria e Suiça, mesma situação, desta vez em frente à Suécia: nenhuma comoção. As celebrações da vitória na final foram fraquinhas.



Até para quem está habituado a ver Barcelona entupida de gente — os turistas nas Ramblas e no parque Guell; as compras de Portal de L'Angel; Gracia, Born e Gotic formigando de borguistas; Icaria e Bogatell sem um metro quadrado onde por a toalha — as celebrações foram um choque.

Catalunha não é Espanha e o Barça é més que un club.

sexta-feira, Maio 29, 2009

o conceito de Justiça para a Esquerda

Justicia de izquierdas por Emilio Campmany
Importa más investigar qué opiniones tiene Obama acerca de la justicia. En su libro La audacia de la esperanza, que hace falta ser cursi, se lee:

"Últimamente, sin embargo, estoy de acuerdo con la visión que el juez Breyer tiene de la Constitución, esto es, que no se trata de un documento estático, sino vivo y debe ser interpretado en el contexto de un mundo cambiante".

Esta frase resume a la perfección el programa de la izquierda occidental respecto de la justicia. Renuncian a cambiar las leyes, especialmente las constituciones, cuando se trata de reformas que los ciudadanos podrían rechazar.

En su lugar pretenden que "sus" jueces lean las leyes vigentes torciendo su sentido bajo el pretexto de estar haciendo una "interpretación actualizada" de ellas
. Esto es lo que Obama espera de Sonia Sotomayor y esto es lo que sobresale en su designación, no que sea de origen hispano.

País faz de conta (5)

Sempre pronto a defender José Sócrates dos certamente irrelevantes escândalos da licenciatura, das casas na Guarda e do Freeport, Vital Moreira não tem qualquer pudor em associar o caso BPN ao PSD. É por estas e por outras que este país está como está. O que os indigna não é o quê nem o quando mas o quem. E se o "quem" é dos deles, a sensatez e a verticalidade são metidas no mesmo sítio do socialismo: na gaveta.

quinta-feira, Maio 28, 2009

Ontem em Barcelona (2)



Liberdade de escolha "mista"

Paulo Rangel defende sistema misto para a saúde e educação (Sol)
.... Paulo Rangel afirmou que o modelo que defende «vale para a saúde como para a educação».

«Deve haver um sistema nacional, uma rede, a qual pode comportar parceiros públicos e privados, com direito a igualdade de tratamento e que, por sua vez significará para os utentes uma liberdade de escolha» , defendeu.

Pergunta-se o que é "igualdade de tratamento". Presumivelmente que os privados possam concorrer entre si e contra os serviços do Estado em "igualdade de circunstâncias".

Boa sorte com essa quadratura do círculo. O Estado de "bem-estar" necessita cobrir os prejuízos dos serviços públicos estatais. Nada equitativo ou concorrencial. A menos que o Estado também cubra os prejuízos dos privados. Como contrapartida, controla-se a concorrência selvagem. Os privados terão de garantir o mesmo "nível de serviço" dos excelentes serviços públicos. Eis o mercado misto a funcionar.

No meio disto esquece-se o essencial. São as pessoas que têm de ser tratadas igualmente — não a relação entre o Estado, serviços estatais, e serviços privados. As pessoas nunca serão tratadas por igual enquanto o Estado brincar ao mercado com o dinheiro delas.

O reino do fartar-vilanagem (2)

Não basta a Paulo Rangel denunciar a vontade de Vital Moreira de instituir um imposto europeu.

É necessário que Paulo Rangel declare que os seus deputados tudo farão para frustrar a aprovação de um imposto europeu. Que tudo farão para boicotar a implementação de tal imposto europeu. Que não sairão do europarlamento sem prometerem aos portugueses que no mandato seguinte tudo farão para eliminar o imposto europeu.

chegou-se a invocar estranhamente que já não há grande capital na Europa...

Via ABC do PPM,

O reino do fartar-vilanagem

A propósito da vontade de Vital Moreira de criar um novo imposto europeu, o meu colega de blogue AMN escreve ali em baixo que os socialistas:
.... parecem julgar democraticamente aceitável que um candidato apenas concretize as suas propostas uma vez eleito.

Considero bem mais perturbador, à cabeça, que os socialistas considerem que uma maioria de mandatos é licença suficiente para expropriar propriedade privada. Que julguem uma maioria democraticamente eleita está acima de leis morais tão fundamentais como "não roubarás". Esta gente é nojenta de imoral.

O reino da opacidade

A proposta de Vital Moreira de criação de um imposto europeu fala por si e pela tradicional falta de criatividade política dos socialistas europeus, incapazes de resolver qualquer problema que não seja pelo encaixe de mais dinheiro dos contribuintes.

Mas essa proposta fala também pela arrogância dos nossos socialistas, alimentada pelo nosso Primeiro-Ministro, que parecem julgar democraticamente aceitável que um candidato apenas concretize as suas propostas uma vez eleito.

Claro que, vindo de quem achava que os portugueses eram uma cambada de analfabetos incapazes de perceber o que estava em causa no Tratado de Lisboa, a coisa não espanta. O que espanta, isso sim, é que Vital Moreira e os socialistas percam tempo a falar da transparência das candidaturas dos outros quando à sua volta, de Elisa Ferreira a propostas não concretizadas, reina a opacidade.

quarta-feira, Maio 27, 2009

Kill the pig! Cut his throat! Kill the pig! Bash him in!

Schwarzenegger liquida el Estado del Bienestar en California (Libertad Digital)
Los californianos han sido tajantes. En la votación que tuvo lugar a finales de la pasada semana, los electores de este Estado dieron carpetazo a las medidas de urgencia propuestas por Schwarzenegger para adelgazar el déficit a base de impustos.
Schwarzenegger se muestra ahora dispuesto a abordar "un presupuesto de locura" para resolver "nuestra inmediata y dolorosa crisis de liquidez", abogando por "dolorosos y profundos recortes en el gasto" público.

País de faz de conta (4)

Num país em que a regulação funcionasse, a comissão de inquérito do BPN não precisava de existir. Num país em que a justiça funcionasse, a comissão de inquérito do BPN não precisava de existir. Num país em que o parlamento fosse vigilante e actuante, a comissão de inquérito do BPN não precisava de existir.

Num país a sério, as comissões de inquérito são redundantes. No nosso, são a demonstração clara de que as coisas se passam como se não se passassem.

E isto, meus caros, não é neoliberalismo nem capitalismo desregulado: é um Estado tentacular que, no meio de tanto compadrio, é incapaz de regular o que quer que seja. É por isso que, paradoxalmente, as diversas tentativas de concentrar poderes no Estado como resposta à crise apenas servirão para disfarçar as culpas, quase todas, de quem andou a brincar à regulação.

terça-feira, Maio 26, 2009

Self Fulfilling Prophecy

composição politicamente correcta

A 'lei natural' pode ser lida à luz de diferentes perspectivas culturas, a 'lei da terra' não. Um Supremo Tribunal cujos elementos são escolhidos segundo o critério da 'diversidade' presta-se a derrotar o princípio elementar que diz que todos os indivíduos devem merecer igual tratamento à luz da Justiça, independentemente cor, raça ou etnia.

eurocepticismo

Não me parece que o euro-entusiasmo dos partidos do arco do poder se deva a cálculo político — por outras palavras, não creio que aquilo que os atrai é a possibilidade de mais jobs for the boys.

Aqueles partidos chegaram ao arco de poder porque nunca foram cépticos relativamente ao uso do poder político. Servirem-se à mesa da Europa não é uma questão utilitária, é uma questão de princípio.

Memorial


A máscara da tristeza

o medo de morrer pela espada

López Aguilar: "El PP echa de menos una huelga general" (El País)
Tras el debate de anoche entre los candidatos del PSOE y del PP a las elecciones europeas, Juan Fernando López Aguilar y Jaime Mayor Oreja, en el que primó la política nacional, el cabeza de lista socialista ha censurado hoy de nuevo el planteamiento en clave nacional con el que, en su opinión, los populares están enfocando la campaña.

"El PP quiere convencer a la sociedad de que la crisis es española y que se puede solucionar en España", ha asegurado esta mañana en una entrevista en la Cadena Ser. "Ven la cifra de parados como baldosas del empedrado que les llevará a La Moncloa y echan de menos una huelga general", ha añadido López Aguilar.

máscaras para baixo

Concordo que Marinho Pinto se tenha comportado como um apparatchik histérico e que lhe tenha faltado boa-educação e civismo. Do que discordo é que o Bastonário da Ordem dos Advogados tenha uma qualquer obrigação social de se conduzir com a dignidade exigida ao cargo.
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A Ordem dos Advogados existe para defender os interesses corporativos do statu quo — os advogados em exercício que estão alinhados com a Ordem. Estes interesses estão às avessas com os princípios de uma sociedade livre.

Ao Estado interessa-lhe este arranjo institucional porque os dirigentes da Ordem têm todo o interesse em aprofundar a captura de poder — que é sempre partilhado por burocratas, políticos e representantes corporativos.

É preciso muito afã republicano para descrever tal negociata institucional com as bonitas palavras O Estado de direito delegou na Ordem dos Advogados importantes competências reguladoras de um exercício fundamental para a sociedade.

O "exercício fundamental à sociedade" foi traído pelo Estado e pela Ordem. Não vejo qual é a lógica de exigir que essa gente que não baixe a máscara.

Make Mine Freedom

segunda-feira, Maio 25, 2009

A batalha contra o Aquecimento Global acaba sexta-feira

"Market has Got it Wrong on Climate Change: Gore" (CNBC):
Business leaders from across the world are meeting in Copenhagen this week to discuss tackling climate change. They hope to influence world leaders who will decide in December on a follow up to the Kyoto agreement.

Former US Vice President Al Gore kicked off the summit with a key note speech in which he warned that the true cost of pollution is being miss-priced by the market.


Agora para algo completamente diferente. Dizem as previsões que em Copenhaga o tempo piora amanhã, e as temperaturas caiem a pique de 23ºC a 12ºC:


Sexta-feira uma multidão de dinamarqueses enregelados sai às ruas, rega Al Gore com gasolina, pega-lhe fogo. Os governos assinam o Protocolo de Kyoto. Próxima causa global, como apagar a pira humana.

Momento Chris Cocker: Leave Obama Alone!!!

Barack Obama: 100 Days of No Accountability (O Insurgente)

What if W? por Donald Luskin (The Conspiracy to keep you poor and stupid)

A imagem da cidade

lucha de clases

Não é de estranhar tanto enamoramento da esquerda portuguesa com o espanhol PSOE.

Para a maior parte dos portugueses, o PSOE é o PS espanhol - um partido social-democrata domesticado, com algum salero progressista. Mas quem acompanha a política espanhola sabe que pelo PSOE passa tipos demagogia tipo "bloquista", que faria corar o PS dos brandos-costumes.

A mais recente é o slogan que vai passando pelo Facebook — consegue a proeza de misturar anticapitalismo primário com futebolês.
Trabajadores vs. Especuladores - este partido se juega en Europa
E há quem se queixe dos cartazes portugueses.

sexta-feira, Maio 22, 2009

EPA Fascism versus America (5-7)

[Porque falhou este mail na série começada há meses]

EPA Fascism versus America: The Failed Predictions of the Environmentalists (5 of 7):
.... scares are now used to justify greater government power. One advocate of the man-made global warming hypothesis, who seeks a foundation for political action, wrote that “global warming will soon take its place as a primary driver of a wave of mass extinctions that will sweep the planet this century.”
The goal of such scare-mongering tactics is political action, not scientific understanding.

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EPA Fascism versus America: There Are No Practical Alternative Fuels in the Short-Term (6 of 7)
This correlation between increases in CO2 emissions and American population growth suggests that emissions are good, because life flourishes where industrial gases are emitted.
In the production of electricity there are no practical alternatives to fossil fuels today, except nuclear fission. Solar and wind have two inherent problems that limit them as adjuncts to coal, gas, nuclear and hydroelectric power.

EPA Fascism versus America: The Descent into Dictatorship (7 of 7):
The expanded EPA authority will interject the EPA into local decisions, and place local businesses and their customers under the direct control of a federal bureaucracy. This .... will subvert, distort, and destroy the American form of government and thus the liberty necessary to our well-being. This will smother the intellectual cause of our prosperity by shackling the thoughts and actions of every American to the whims of bureaucrats. This will wreck the material cause of that prosperity by chaining its private industrial base to a bewildering maze of arbitrary, shifting rules.

From now on, every industry and every citizen will exist by permission of the EPA administrator, and not by right.

Mainstream Macro in an Austrian Nutshell

Mainstream Macro in an Austrian Nutshell por Roger W. Garrison no The Freeman:
Of all the losses suffered during the current recession, one of the most notable (and well deserved) is the loss in reputation suffered by today’s macroeconomics textbooks ....

While the events that have unfolded over the past year have required some outside-the-box theorizing by mainstream macroeconomists, the economists of the Austrian school can offer a straightforward, fill-in-the-blanks explanation by drawing on the theory first articulated by Ludwig von Mises and then developed by Friedrich A. Hayek.
Leitura recomendada.

Penn Jillette’s Love of Truth and a little Bullshit


Penn Says: Skeptic Article

quinta-feira, Maio 21, 2009

The Climate-Industrial Complex

Via Bruno Gonçalves @Facebook, "The Climate-Industrial Complex" por Bjorn Lomborg no The Wall Street Journal:
The partnership among self-interested businesses, grandstanding politicians and alarmist campaigners truly is an unholy alliance. The climate-industrial complex does not promote discussion on how to overcome this challenge in a way that will be best for everybody. We should not be surprised or impressed that those who stand to make a profit are among the loudest calling for politicians to act. Spending a fortune on global carbon regulations will benefit a few, but dearly cost everybody else.

Hope and Devotion


V - Upfront Trailer

Huerta de Soto explica a crise em 30 minutos (2ª Parte)


Huerta de Soto explica la crisis en 30 minutos (2ª Parte)

sobre os efeitos económicos dos ’casamentos homossexuais’

No video abaixo, o anchor Keith Olbermann insurge-se contra Michael Steele, chairman do Republican National Committee, por ter sugerido que os casamentos homossexuais prejudicariam o pequeno comércio.

Olbermann responde que estudos apontam que os 'casamentos homossexuais' criariam $16bn (16 mil milhões de dólares) de actividade económica — e depois parte para um rant absurdo contra o Partido Repúblicano onde se excede a misturar estupidez de taberna, e desonestidade intelectual.



Nada parece mais lógico - o 'casamento homossexual' criará imensa riqueza, inclusivamente entre os pequenos negócios que Steele quer defender. Errado, de um lado e de outro.
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O dinheiro que os casais homossexuais gastarão nas suas bodas - inclusivamente em pequenos negócios - terá de sair das carteiras dos novos noivos. Esse dinheiro não será gasto nos bens e serviços que os casais habitualmente consomiam. É um disparate infantil dizer que a economia crescerá imediatamente por simples liberalização da instituição do casamento civil.

O que surge — sim —, é um mundo de possibilidades de criação de valor, que empreendedores saberão explorar - tal como acontece com qualquer inovação tecnológica.

Tem razão Steele, contudo, quando diz que a Economia é prejudicada se os negócios tiverem de estender benefícios sociais aos novos cônjuges - pois tal representa um custo acrescido para as empresas. Curiosamente os maiores prejudicados serão aqueles que anteriormente eram valorizados por serem "solteiros".

O mal não está no 'casamento homossexual', mas sim no muito socialista welfare state - que parasita os sectores produtivos para financiar a imposição de um modelo ideal de sociedade. Seja 'progressivo', seja 'conservador'.

quarta-feira, Maio 20, 2009

Blogtúlia com Paulo Rangel

Não estive presente na blogtúlia, uma vez que ainda estou em Barcelona, mas acompanhei os trabalhos pela internet - webcasts, blogues e Facebook.

Gostei de alguns comentários e de algumas perguntas, não gostei do que ouvi do candidato. Aquele que me parecia ser o menos mau dos que se apresentam a eleições acabou não só por defraudar as minhas expectativas como por deixar-me muito apreensivo. Discordo de muito do que disse, resumo a cinco pontos:
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1. Que seja à "Europa" que devemos "a paz" é um raciocínio falacioso. Post hoc ergo propter hoc. Vindo de Rangel, e perante a audiência que era, fica muito mal.

2. Dizer que 'a regulação aumenta a liberdade' é um jogo semântico infantil. Se o objectivo é impedir que os Estados-membros passem legislação proteccionista, então proíba-se. Coisa muito diferente é proceder à normalização por via burocrática de tudo o que se mexe, destruindo valor, sabotando o processo de descoberta de mercado. O euro-regulador não conhece limites, não gosta da 'anarquia' do mercado, e sem saber ler nem escrever, tudo quer 'disciplinar'. Esteve bem o RAF com o exemplo dos Apple e dos PC - e do Magalhães. Pela mesma lógica, talvez fosse bom passarmos a falar a mesma língua.

3. Chamar o Papa para a discussão política europeia— enfim—, é não querer entender que a Santa Sé não se pronuncia sobre matérias prudenciais. Que o Papa João Paulo II tenha falado cobras e lagartos do capitalismo — algo muito sujeito a debate —, não quer dizer que tivesse subscrito a implementação de qualquer tipo de economia "mista" — sobretudo ele que sabia bem o que estava do outro lado do espectro político.

4. Rangel diz-se federalista, porque tal define os "direitos" dos Estados. Isso é vago. O que interessa é se Rangel defende o Princípio da Subsidiaridade — não faça a Europa o que os Estados-membros são capazes de fazer por si — ou se acredita que é melhor suprimir a competição entre países em nome do 'aprofundamento da integração europeia'. Pela conversa — sobre a harmonização fiscal por exemplo, ou pela alusão a Soares — está claro que Rangel está mais próximo de um Governo Europeu que se substitua aos Estados.

5. Rangel defende que os Estados protejam as pessoas dos "riscos sociais". Dito de outra forma, que se socializem riscos que caso contrário seriam individuais. Muito pouco liberal. E por concordar com o "modelo social europeu" suponho que queira dizer que nunca faltará dinheiro do contribuinte para políticas sociais socialistas.

Dito isto, está de parabéns o PSD e de Paulo Rangel pelo encontro com bloggers. O convite estendeu-se a pessoas que não perderam oportunidade de atirar curve-balls. Rangel respondeu aberta e francamente, não fugiu ao essencial das questões. Foi um serão estimulante. E obrigado pelo webcast.

Come a papa

Paulo Rangel não tem dito muito coisa com que concorde. O que não acontece com o que é dito por alguns dos seus apoiantes. Fossem eles o candidato e a coisa era diferente. Muito diferente. Vale a pena passar pelo Papa Myzena, sobretudo para ler o que gostaríamos que Rangel andasse a escrever.

terça-feira, Maio 19, 2009

Huerta de Soto explica a crise em 30 minutos (1ª Parte)


Huerta de Soto explica la crisis en 30 minutos (1ª Parte)

País de faz de conta (3)

O Gabriel Silva mostra aqui, por comparação, porque é que o nosso é um País de faz de conta, onde inquéritos e processos e procedimentos são a perfeita desculpa para perpetuar a ilusão.

País de faz de conta (2)

Portugal é um país pequeno demais para que os biltres, como Ana Gomes lhes chama, que exercem funções públicas não tenham amigos no exercício de idênticas funções. É por isso que, neste pequeno país, as mãos nos fogo que colocamos um pelos outros valem zero. Se valessem alguma coisa, a corrupção não existia por estas bandas.

País de faz de conta

Quem regula não regula. Quem pressiona não pressiona. Quem investiga não investiga. Quem tem de explicar não explica.

segunda-feira, Maio 18, 2009

How Stalin Won World War II

Via Incentives Matter, How Stalin Won World War II:
The excellent PBS/BBC documentary WWII Behind Closed Doors explains how Stalin, having actively contributed to the outbreak of the war, also got the biggest prize at the end of it by the ruthless and immoral manipulation of all parts involved (on the right, Stalin as TIME's "Man of the Year" in 1942). The documentary also depicts a somewhat dictatorial, sometimes unethical FDR, in contrast with a more virtuous and human Churchill.


WWII Behind Closed Doors: Stalin, the Nazis and the West | Clip #3 | PBS

Regresso

Primeiro o excesso de trabalho, depois as férias. O meu silêncio terminou. A ver vamos.

public schooling


TED Talks - Ken Robinson says schools kill creativity

Nuevo Trato

El Gobierno pactará con los agentes sociales "el nuevo modelo de crecimiento" (El País)

El presidente del Gobierno, José Luis Rodríguez Zapatero, ha anunciado hoy que en las próximas semanas firmará con empresarios y sindicatos un "gran acuerdo" sobre el nuevo modelo de crecimiento para salir de la crisis .... y ha dicho que debe llevarse a cabo con la "suma de todos".

El jefe del Ejecutivo ha adelantado que con los empresarios y los sindicatos quiere firmar en las próximas semanas "un gran acuerdo sobre el nuevo modelo de crecimiento", en el que tendrá cabida la formación, la educación y la protección social para salir de la crisis "sólidos, firmes y unidos, trabajadores y empresarios".

domingo, Maio 17, 2009

Ontem em Barcelona





Segunda fiesta en Canaletes en cuatro días

censuras democráticas

Por Espanha deram-se dois episódios que ilustram bem a faceta absolutista do Estado democrático.

Na transmissão televisiva da final da Copa del Rey, o Hino de Espanha foi transmitido em diferido. Jogavam Athletic de Bilbao e Barcelona FC, as duas equipas mais representantes das regiões mais autonomistas de Espanha, e associações cívicas tinham apelado a manifestações de desagrado - que incluiriam cartazes, apitos e assobios. Quando o hino começou a tocar, a produção mudou para o estúdio. Ao intervalo as imagens foram mostradas - e observou-se como o estádio tinha demonstrado, quarenta e cinco minutos antes, uma profunda referência à melodia.
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Para que o Estado ficasse bem na figura, alguns funcionários medíocres decidiram alterar a realidade. Os protestos foram reduzidos a um wardrope malfunction. Algo censurável, infelizmente difícil de controlar porque se na regie seria fácil desviar câmaras, seria impossível separar a música dos assobios. As aparências foram preservadas, e todo o contexto foi sonegado para sempre da opinião pública.

Este exercício orwelliano teve os seus 15 minutos de fama antes de ser atirado pelo memory hole. É tanto o desconsolo da população como os gestores da coisa pública que não compensa uma pessoa enervar-se. E, convenhamos, supõe-se que a Taça do Rei seja um evento de consensos e união. Onde não há lugar a desunião pois tal seria antidemocrático.

Na linha do mote 'quem controla o presente contra o futuro', outra vez o Estado Espanhol moveu-se contra uma força política por causa da sua ideologia. O movimento Iniciativa Internacionalista (II) foi ilegalizado por ser muito próximo da organização terrorista basca Euskadi Ta Askatasuna (ETA). Os políticos do regime declaram que "em democracia ou se está com os votos ou se está com as bombas" e "todos os democratas nos alegramos".

Acontece que por muitas afinidadas que de facto existam entre a II e a ETA, não se antevia que os políticos da II fossem apelar à luta armada, porque isso seria incitação à violência, algo violentamente reprimido pelas leis espanholas. Como movimento partidário, protestariam contra o centralismo democrático do Estado Espanhol. Teriam o seu tempo de antena, e possibilidade de demonstrar, em comícios e votos, a dimensão do apoio popular nas suas ideias. Assim como expor-se ao ridículo e à rejeição social.

O Estado democrático tem rasgos autoritários perigosos, demonstrados em toda as facetas da vida pública em que indivíduos e populações deviam ter escolha de rejeitar o planeamento democrático das suas vidas.

Os bascos têm direito à auto-determinação - como qualquer outro povo - e cabe a eles resolverem esse assunto.

Com o governo basco tomado pelos partidos nacionais PSOE e PP, coligados contra o nacionalista PNV - o partido mais votado nas últimas eleições -, não se espera grandes avanços no aprofundamento da autonomia política do País Basco - antes pelo contrário.

A demonização do sentimento independentista basco servirá como arma de arremesso político contra o PNV, eternamente culpado por associação, e de doutrinamento contra todos aqueles que preferem que o poder se exerça mais próximo das populações, do que em metrópoles distantes onde se cantam as democracias inclusivas.

La mejor afición del mundo


Recibimiento Athletic de Bilbao Copa 2009
Reportagem da RTVE
um vídeo amador

sexta-feira, Maio 15, 2009

End the Fed

Todos contra Bernanke por Adrián Ravier:

La crítica de la Escuela Austríaca, no sólo a Greenspan y Bernanke, sino a todo el sistema de la Reserva Federal, no necesita ser indagada .... El keynesianismo, representado por Paul Krugman o Greg Mankiw también ha optado por alejarse de Obama y Bernanke .... Quien también se sumó a esta crítica general contra Bernanke ha sido Alan Meltzer, quizás –tras el fallecimiento de Milton Friedman– uno de los principales representantes de la Escuela de Chicago.
Sintetizando, el mundo académico está contra Bernanke. Los mayores representantes de las distintas escuelas de pensamiento económico ya no manifiestan su apoyo a quien es el máximo responsable de detener el avance de esta crisis.

The Fed is a government central planning agency

The Malicious Myth of the 'Libertarian' Fed por Thomas J. DiLorenzo:
In addition to recklessly manipulating the money supply and causing boom-and-bust cycles for more than ninety years (including the Great Depression and the current one), the Fed "has supervisory and regulatory authority over a wide range of financial institutions and activities." That’s an understatement if ever there was one. Among the Fed’s "functions" are the regulation of:

Bank holding companies | State-chartered banks | Foreign branches of member banks | Edge and agreement corporations | U.S. state-licensed branches, agencies, and representative offices of foreign banks | Nonbanking activities of foreign banks | National banks | Savings banks | Nonbank subsidiaries of bank holding companies | Thrift holding companies | Financial reporting procedures | Accounting policies of banks | Business "continuity" in case of economic emergencies | Consumer protection laws | Securities dealings of banks | Information technology used by banks | Foreign investment by banks | Foreign lending by banks | Branch banking | Bank mergers and acquisitions | Who may own a bank | Capital "adequacy standards" | Extensions of credit for the purchase of securities | Equal opportunity lending | Mortgage disclosure information | Reserve requirements | Electronic funds transfers | Interbank liabilities | Community Reinvestment Act sub-prime lending demands | All international banking operations | Consumer leasing | Privacy of consumer financial information | Payments on demand deposits | "Fair Credit" reporting | Transactions between member banks and their affiliates | Truth in lending | Truth in savings

All of this financial market regulation and regimentation was in full force during the Greenspan era. None of it could conceivably be considered to be "libertarian" or "free market" in any way. The Fed is a government central planning agency, period.

Ponzicare

"Economic woes hurt Medicare, Social Security" (Reuters):
The U.S. Social Security and Medicare retirement and health programs for the elderly will run short of funds sooner than previously thought because the recession has taken a toll on tax revenues, a government report released on Tuesday showed.



5/8/09 John Stossel on Fox Business: Medicare is a Giant Ponzi Scheme!

Star Trek



No geral, o filme Star Trek é recomendável - mas over-rated.
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Suficiente reverência ao passado (do espectacular Ira de Kahn ao míserável The Voyage Home), assim como ao legado sci-fi que o franchise ajudou a criar. As personagens são as do costume, o elenco não é homogéneo (Quinto, Bana, Urban estão muito bem, Zoe Saldaña também mas não pelos mesmos motivos, Nimoy continua genial, os outros cumprem). A história é sofrível, e há humor, ironia, emoções à flor da pele, nerdiness e camp.

Há liberdades que não estragam o filme - concessões necessárias a Hollywood de Armageddon e dos video-jogos. Ainda passa que a filmagem seja feita aos pulos, que a montagem não permita perceber nada do que se passa, que as cores do filme sejam super saturadas, que a pós-produção tenha tido tempo a mais para introduzir efeitos parvos em todas as cenas. Enfim.

Mas a banda sonora é absolutamente atroz e dispensável. A USS Enterprise está entregue a um grupo de putos rebeldes que tudo podem. Não há qualquer solenidade perante o Espaço e o desconhecido - e nenhuma densidade existencial ou moral. Talvez no próximo episódio.

Star Trek é excelente como filme de acção fantasiosa, mas não vivemos numa realidade alternativa em que este filme seja excelente como exemplo de ficção científica.

quarta-feira, Maio 13, 2009

Athletic Zu Zara Nagusia

Se os socialistas podem ignorar todas as Leis económicas, também eu posso declarar que o Athletic merecia ganhar a Copa del Rey.

sexta-feira, Maio 08, 2009

intervention in the market was the driving factor behind the bust

"No, the Free Market Did Not Cause the Financial Crisis" por Ed Woods:
Consider a restaurant owner who mistakes the temporary demand for his product deriving from the presence of the Olympics in his city with real, sustainable demand. Suppose he opens a new location to accommodate all this new demand. When the Olympics are over, he’s left with idle resources – labor with nothing to do and empty restaurant space for starters. Should we want to “stimulate” these resources back into activity? Of course not. They shouldn’t have been allocated this way in the first place. We should want the market, guided by the price system, to redeploy them into sensible channels.

The problem, therefore, isn’t that we lack enough “spending” or “demand,” and that we need government to fill in the “missing demand.” The problem is that in the wake of Fed-induced misallocations of resources we wind up with structural imbalances, a mismatch between the capital structure and consumer demand. The recession is the period in which the economy repairs this mismatch by reallocating resources into lines of production that actually correspond to consumer demand. The modern preoccupation with levels of spending instead of patterns of spending obscures the most important aspects of the question.

Vem um vento e estoira a bolha

Industria prepara un decreto para rebajar las ayudas a las renovables (El Economista):
El Ministerio de Industria va a reducir las primas que reciben las energías renovables. Para el Gobierno "la tendencia que están siguiendo estas tecnologías podría poner en riesgo, en el corto plazo, la sostenibilidad del sistema, tanto desde el punto de vista económico por su impacto en la tarifa eléctrica, como desde el punto de vista técnico, comprometiendo además la viabilidad económica de las instalaciones ya finalizadas".

São excelentes notícias para o desenvolvimento das energias renováveis, uma vez que a redução da comparticipação do Estado aproxima o sector de um regime mais concorrencial.

no sítio do costume

Nota: o som deste vídeo está muito alto. Recomendo que o ajustem para o mínimo, ou ouvir-se-á por toda a blogosfera.


Monty Python - Spot the Looney

Soviet-style self-criticism & moral cowardice

Jon Stewart: Wimp, Wuss, Moral Coward por Justin Raimondo:
So let’s see if I get this straight: it is not okay to torture a member of al-Qaeda, who no doubt has information we need in order to stop terrorist attacks. Instead, we have to treat him as a prisoner of war according to the rules laid down by the Geneva Conventions. On the other hand, it is okay to murder hundreds of thousands of innocent civilians in cold blood, to incinerate entire cities and poison the land for generations to come, as long as your name is Harry Truman.

Quote of the Day

A politician divides mankind into two classes: tools and enemies.

Friedrich Nietzsche

quarta-feira, Maio 06, 2009

feel the pain

"Insolvent banks should feel market discipline" por Matthew Richardson e Nouriel Roubini no Financial Times:
.... The other argument against allowing banks to fail is that after a big loss by creditors, no one would be willing to lend to banks – which would devastate credit markets. However, the creative-destructive, Schumpeterian, nature of capitalism would solve this problem. Once unsecured debtholders of insolvent banks lose, market discipline would return to the whole sector.

This discipline would force the remaining banks to change their behaviour, probably leading to their breaking themselves up. The reform of systemic risk in the financial system would be mostly organic, not requiring the heavy hand of government.

Why did creditors not prevent the banks taking excessive risks before the crisis hit? For the very same reason creditors are getting a free pass now: they expected to be bailed out. For capitalism to move forward, it is time for a little orderly creative destruction.

de vitória em vitória...

Via Financial Times, "Czechs clear way for Lisbon treaty":
The upper house of the Czech parliament on Wednesday approved the European Union’s Lisbon treaty by a convincing majority, increasing the chances that long-awaited institutional reforms in the 27-nation bloc will come into effect on January 1, 2010.

Com este voto do Senado checo, a "Europa" fica mais perto da aprovação de um Tratado que penhora o futuro político, social e económico da região — ou alguém se atreve a defender que o monolitismo federal não é um éssimo enquadramento institucional para competir num mundo cada vez mais flexível e diverso?

terça-feira, Maio 05, 2009

Danger 50000 Volts Zombies


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o Estado como destruidor de valor

"Is All Spending Created Equal?" por Mario Rizzo no ThinkMarkets:
When government adds to investment as a result of fiscal stimulus or directed monetary expansion .... it does not act as a super-entrepreneur who is trying to determine the efficient and sustainable direction of resources, including the allocation of capital goods. It spends according to economically irrelevant criteria of job creation, propping up over-expanded sectors, and preventing politically painful adjustments.