Segundo o
novo Pravda Público,
O Instituto Português de Corporate Governance (IPCG) está em guerra. Um grupo de grandes empresas portuguesas, que integram o PSI 20, o Banco Espírito Santo, o Banco Comercial Português, a EDP, a Portugal Telecom (PT), a Mota Engil, a Brisa, a Zon e a Jerónimo Martins, recusaram-se a assinar a versão final do Código de Bom Governo das Sociedades e auto-excluíram-se do IPCG, não comparecendo à reunião magna que hoje se realizou para aprovar o documento.
No Facebook, o ex-director (ainda sem link na blogosfera) do jornal emitia a sua opinião:
Uma história absolutamente lamentável: Grandes empresas recusam assinar código de boa gestão
Notas rápidas:
1. "gestão" e "governo" são conceitos diferentes. uma empresa pode ter excelente gestãio com um sistema de governo abandalhado, e uma gestão ruinosa com um sistema de governo
by-the-book;
2. Empresas em fases de vida diferentes, ou de naturezas diferentes (familiares, sociedade anónima, ...), ou de diferentes dimensões, ou a operar em mercados geográficos diferentes, ou em indústrias diferentes tenderão a ter sistemas de governo diferentes
3. Mais, todos os sistemas de governo têm vícios, porque são geridos por pessoas diferentes. E é por isso que os sistemas de governo também devem competir entre si. Aliás, é o que acontece num mercado competitivo - também competem modelos de negócio e de organização das empresas;
4. Não existe um único modelo de gestão "socialmente correcto" para todas as empresas. Seria muito duvidoso que um grupo de grandes empresas tivesse descoberto a
cura para a má gestão ou o mau governo. E é infantil pensar que todos
os outros são "maus".
5. É patético "reprovar" que empresas tenham boicotado o circo corporativo que se montava. Lá porque recusaram assinar um código não quer dizer que preferem conduzir os seus negócio de forma desonesta.
6. Antes pelo contrário: é motivo de regozijo que as maiores empresas do país tenham recusado participar numa cartelização deste género. Em pouco tempo, o cartel estaria a usar a sua influência política para que
o Estado impusesse a "norma da indústria" (mais onerosa) aos concorrentes de menor dimensão. Dispensa-se toda e qualquer corporativização da economia.