quarta-feira, março 31, 2010

A propósito de Golden Grahams

Hoje não havia os cereais que queria no supermercado, pela terceira vez consecutiva que lá vou. Contudo, havia uma meia-dúzia de outros cereais e outras papas, e em grande quantidade. Tal como acontece por vezes com os "meus" cereais. Este fenómeno acontece muito, e não só com os cereais. Por exemplo, ora há muitos vegetais, ou não há. Ou leite, ou ovos. Tanto não há, como há muito.

Este fenómeno não é de difícil explicação. Sempre que as pessoas descobrem no supermercado um artigo que esgote frequentemente, açambarcam logo unidades em excesso do que seria a sua necessidade normal. E logo o produto se esgota. O supermercado poderia entender que a procura é massiva, e pede grandes quantidades. Mas isso acontece com qualquer produto. O supermercado não tem informação correcta sobre o que os consumidores querem. Para o supermercado, os consumidores são completamente erráticos.

Isto não é bom para o supermercado, que procurará sempre aumentar a sua margem, optimizando o espaço de prateleira. Racionalmente, deveria diminuir as quantidades pedidas aos fornecedores para adquirir mais informação. Contudo, o mercado não está preparado para tal. "Falha de mercado"? Nem pouco mais ou menos.

É que até há pouco tempo, as coisas demoravam a sair do porto. E como os supermercados não queriam ficar com prateleiras vazias, encomendavam muito, mesmo em excesso. Como as encomendas sempre foram grandes, nunca houve distribuidores especializados em agregar encomendas pequenas, e a partir encomendas de contentores em parcelas mais facilmente escoáveis nos supermercados. A situação no porto favorecia políticas de reabastecimento pouco interessantes ao consumidor final.

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