terça-feira, março 30, 2010

wake up little Susies

Dizem-nos os estatistas que sem o Estado-gestor público as coisas seriam bem piores.

Dito de outra forma, que o mercado só pioraria a condição das pessoas. O mesmo mercado que produz uma imensidão de produtos cada vez melhores e mais baratos, serviços cada vez mais acessíveis a cada vez mais gente, um intercâmbio de culturas sem precedentes na história humana.

Isto quando, convenhamos, é preciso muita cegueira estatista para dizer que o desempenho do Estado nas "funções do Estado-Social" melhorou nas últimas décadas. Hoje as pessoas não estão mais saudáveis, não estão mais instruídas, não estão mais protegidas do desemprego ou da velhice. Em alguns casos, é exactamente o contrário. O Estado consome cada vez mais recursos, gera cada vez mais conflitualidade social, e produz resultados cada vez mais medíocres.

Foram feitas experiências com o Estado a gerir os bens e serviços que hoje gozamos porque são produzidos pelo mercado. Miséria e brutalidade generalizada. E contudo persiste a ideia que a livre iniciativa não seria capaz de arrancar o Estado social-democrata e as suas "funções" do século XIX onde ainda hoje se encontra.

Há alguma coisa que não bate certo?

6 comentários:

  1. Retiro duas frases que me tocaram mais:

    "O Estado consome cada vez mais recursos, gera cada vez mais conflitualidade social"

    "E contudo persiste a ideia que a livre iniciativa não seria capaz de arrancar o Estado social-democrata e as suas "funções""

    1ª,
    O estado para funcionar como "salvador, protector" precisa de criar esses conflitos, assim mantém o campo de acção, dimensionado aos seus objectivos (ele tem que dar provas de ser insubstituível), certo?

    2ª,
    Essa livre iniciativa, hoje, não é mais que produto do impulso (controlo) criado pelo estado, com toda a "maquinaria" envolvente. Então, se não é livre iniciativa, em que ficamos, chamamos-lhe o quê?

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  2. 1. penso que há pouca gente que o faz de propósito. mas o facto é que há ali um mecanismo de feedback. a burocracia pública gere mal algo, e logo se acumulam mais problemas que a burocracia pública logo se ocupa de "resolver". a presunção é que políticos e burocratas são no mínimo neutros relativamente aos problemas sociais. logo, que sem Estado, tudo ficaria pior;

    2. hoje em dia é impossível fazer negócio sem prestar vassalagem à política e à burocracia, é certo, mas aqui eu estava a distinguir entre sector produtivo e sector não-productivo...

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  3. Sobre o ponto 1, diria que estou mais convencida com a minha (embora eu tenha criado exagero na argumentação, e admito que o faça algumas vezes, com propósito, eheh)
    no entanto, no ponto 2, concordo com o António

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  4. Hum sim... eu não tenho simpatias por burocracias públicas, mas também não gosto de atribuir a um grupo de pessoas, decerto coordenadas por um sistema perverso, "intenções".

    Ou seja, a um nível macro não tenho problemas de dizer "o Estado" isto e aquilo; mas de perto, há todo o tipo de gente, gente bem intencionada, gente mal intencionada, e gente que não está nem aí...

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  5. Sim António, também não gosto de fazê-lo, mas não preciso de definir isso, porque parto do princípio que entre os maus também estão os bons (e bons que se tranformam em maus, o contrário já não acredito). Eu sei filtrar...

    Entendidos?:) Ou ainda resta alguma dúvida?

    Acho que sim, resta dúvida... mas virá a seu tempo. :)

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