Uma das
defesas dos socialistas-democratas (de todos os partidos) à mais do que evidente falência do seu modelo económico — intervencionismo; Estado "Social"; défices; dívida; desorçamentação de despesa futuras (
unfunded liabilities); Estado gordo politizado e burocratizado — é que
incorrecto analisar a situação por analogia com a economia de uma família. Esta crítica vai além do superficial "a tua analogia não é exactamente igual à realidade, logo não pode ser usada como analogia à realidade".
A analogia diz que se uma família gastar mais do que produz durante várias décadas (como Portugal faz), e endividar-se em montantes cada vez maiores (como Portugal faz), e andar a esconder dos credores que vai ter encargos violentos no futuro (como Portugal faz) ... algum dia o dinheiro vai acabar, e o nível de vida que gozava acima das suas possibilidades vai ter de ser reduzido drasticamente, a bem ou a mal.
###
Dizem os socialistas-democratas deste país — e de qualquer país de irresponsáveis em pleno exercício de
negação — que uma vez que estamos em crise; e que os consumidores estão a retrair-se; e que as empresas também... tem de ser o Estado o responsável por estabilizar "a Economia".
Ainda vivemos numa Idade das Trevas económica, em que não há vestígios de separação da Economia e do Estado, pelo que é preciso repetir pacientemente os fundamentos:
- mesmo que não fosse
uma máquina político-burocrática que chafurda em desperdício, mina as condições de prosperidade de toda uma sociedade, e destrói riqueza passada, presente e futura — mesmo que fosse
eficiente — o Estado nunca conseguiria investir o
meu dinheiro [ para evitar o pronome
nosso ] melhor que
eu. Se milhões de pessoas, sem comando central, entendem que em tempo de crise há que ter contenção, é um
exercício de puro surrealismo que
agentes públicos iluminados por algum saber livresco façam ideia do que convém às pessoas e às empresas, e decretem que tudo se resolve gastando mais;
-
o problema das contas do Estado é o gasto do Estado. Tentar curar o problema das contas públicas com mais despesa pública é estúpido. Tal como tentar curar alcoolismo bebendo mais quando chega a ressaca é estúpido.
Bombing for Peace is Like Fucking for Virginity. A "Economia" só "sofre" (coitadinha!) com a diminuição das despesas do Estado na medida em que supostamente diminui um agregado macroeconómico que contribui para o PIB — e depois os governante portugueses passam vergonha quando comparam o PIB de Portugal com o dos outros. A Economia real só pode agradecer.
- isto porque
toda e qualquer despesa pública vem dos bolsos do "contribuinte", do produtor de riqueza — seja em impostos e taxas, seja por assalto às suas poupanças (hoje - inflação, ou amanhã - dívida pública). O Estado nada produz, tudo consome. Se o Estado fosse
eficiente na gestão do
gado contribuinte, tentaria maximizar a sua receita futura — encontrar o máximo de Laffer [atenção: seria à mesma imoral, por ser uma expoliação racional da riqueza privada]. Mas o Estado não é um parasita evoluído — os parasitas sobrevivem porque por selecção natural evoluiram para não dizimarem a população dos hospedeiros. Não é por aí que o Estado deixa de ser um fracasso organizacional. Graças aos incentivos políticos, e outros, o Estado vive para
hoje, e portanto expolia
irracionalmente a riqueza privada. Em tempos de crise os interesses financeiros do Estado e das pessoas (da Economia real) são diametralmente opostos.
Em tempos de crise, o Estado tem de se comportar "como" uma família em apuros se comporta, porque tal é do interesse de todas as famílias de carne e osso. Quanto mais austeridade o Estado mostrar — se reduzir o seu tamanho, se gerir superavits orçamentais, e ser reduzir a despesa pública —, mais dinheiro ficará com as famílias, e portanto menos dificuldades terão que passar, e portanto melhor se adaptarão aos tempos diferentes que aí vêm. Paradoxalmente, isto também salvará grande parte dos fundamentos filosóficos do Estado. Mas, lembremos, o Estado é um parasita pouco evoluído.
A defesa de défices públicos - mais despesa pública - é procura a salvação do Estado
no Estado. É uma espécie de criação destrutiva. Esta política arrasará com a classe média do país, e abrirá as portas a uma verdadeira luta de classes — os oprimidos pelo Estado, e aqueles que o capturaram. As leis da realidade eventualmente ganharão, não sem grande sofrimento social.