Nem o Hans Hoppe nem quaisquer outros anarquistas liberais põem em causa a necessidade, a legitimidade e a naturalidade de haver “governo”, “governance”, “self-governement”, regras e autoridade natural. Os anarco-capitalistas, ao contrário dos anarquistas de esquerda, não são contra toda e qualquer forma de autoridade.
O que contestam antes são autorides ilegítimas, ou seja, baseadas em relações hegemónicas e violações da legítima propriedade privada de quem quer que seja. E é por isso que contestam o ESTADO (incidentemente, convém notar que estado e governo são duas coisas diferentes: se é verdade que todo o estado governa, nem todo o governo é um estado).
Não contestam organizações voluntárias como a família, a empresa, a igreja, a cooperativa, a associação de condóminos, o clube desportivo, a milícia popular, a sociedade por acções (com a sua “democracia” dos accionistas), e a associação caritativa – pelo menos enquanto se mantiverem voluntárias e respeitadoras dos direitos de propriedade legítimos existentes em determinada altura. Nem contestam o governo – absolutamente necessário – das “partes comuns” duma sociedade qualquer (estradas, ruas) por parte dos seus legítimos proprietários (por exemplo, um condomínio de residentes locais que tenham construído e financiado voluntáriamente determinadas estradas/ruas, mas NÃO um estado que se tornou dono destas através de expropriações, impostos e conquistas militares).
Ou seja, não contestam a legitimidade de aldeias e cidades privadas, “condomínios urbanos”, que possam impôr uma série de regras restritivas quanto ao uso da sua propriedade, apesar de estes condomínios se parecerem – mas não serem – com estados. Não contestam “o governo” em si. É esta, a “alternativa que Hoppe oferece ao futuro da política”: aquilo que ele chama de “private property based social order”.
"A Arte da Fuga" ("Die Kunst der Fuge", BWV 1080) é uma obra-prima de Johann Sebastian Bach:
um único tema musical persegue-se, a si mesmo e as múltiplas variações, num diálogo musical intenso desenvolvido a diversas vozes, rico de simetrias, inversões, ritmos e tempos diferentes.
Fugas para aartedafuga@gmail.com
Sexta-feira, Novembro 12, 2010
Hoppe e a política
Lamentavelmente eivado de ataques ad hominem, este comentário do Pedro Bandeira tem uma tirada interessante:
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