segunda-feira, outubro 17, 2011

Crónica de uma farsa anunciada

Crónica de uma farsa anunciada:
Em último lugar, o ponto para mim mais significativo: depois de toda a encenação em torno de remeter para a discussão do orçamento as tais “medidas de corte de despesa”, aquilo a que assistimos ontem, numa perspectiva duradoura, foi à apresentação nem de muitas, nem de poucas, mas de zero medidas. Zero.

No rol de iniciativas que primeiro ministro escolheu na sua alocução ao país, não se inscreve uma medida que seja de corte na despesa que perdure para lá de 2013 e que tenha natureza estrutural. Para lá de a generalidade de medidas de corte de despesa que apresentou terem uma natureza que se aproxima perigosamente do confisco, ou terem legalidade mais do que duvidosa, todas elas têm horizonte temporal definido, pelo menos a acreditar na palavra (cada vez menos valiosa) do governo. Não há nada de estrutural que se sobreponha a um desespero de tesouraria, e parece que a mensagem a passar é a de que se “aguentarmos” até ao final de 2013 tudo ficará bem, e tudo poderá mudar para voltar a estar exactamente na mesma.

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