Domingo, Maio 27, 2012

estatização = enlatados e mais nada para comer

A propósito do Rock in Rio, uma reacção popular é que o país está em crise, e lá estão as pessoas a estourar dinheiro. Não é objectivo deste comentário recomendar que as pessoas metam-se na sua própria vida, que os outros têm o direito de divertir-se como quiserem. (a propósito: A solução para a crise é o Estado gastar menos -- e sair da vida das pessoas, deixá-las trabalhar e gozarem os salários da forma como entenderem.)

O facto é que apesar destes festivais, o tempo dos mega-concertos acabou. É só para alguns. Não só, mas sobretudo por causa da imensa escolha - de géneros, artistas, e canais - que hoje existe. Não há aqui qualquer "revolução" -- é a evolução natural de uma indústria cujos custos de produção e transacção caíram brutalmente, e com eles os efeitos de escala.

Pode ser chato para os moralistas, e para quem vivia de estádios cheios, mas existe um processo de desindustrialização em curso, acompanhado de imensa criatividade cultural. Hoje em dia quem se der ao trabalho encontra exactamente a música (ou literatura, ou filme, ...) que gosta. Ou cria-a.

O mesmo podia acontecer noutras actividades económicas, em indústrias "industriais". Sobretudo aquelas protegidas por monopólios mafiosos destinados a esmagar competição, e que resultam em produtos enlatados iguais para todo o mundo -- esses privilégios legais vão pelo nome de "propriedade intelectual".

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