No seguimento de
Uma evidência inultrapassável:
O actual sistema de ensino está implementado para promover os alunos com elevada capacidade de memória (essencialmente memória primária, i.e. de curto prazo). São eles que têm as melhores notas nos exames e, consequentemente, são os primeiros a escolher o percurso académico superior. Para os restantes ficam os cursos com baixo valor de mercado!
O que é que isso interessa? Não sai no exame.:
Na escola portuguesa também se despreza cada vez mais a capacidade de desenvolver projetos, em grupo ou individualmente, promove-se pouco o desejo de ir mais longe do que é debitado nas aulas e dá-se muito pouco valor à expressão oral. Depois de centenas de exames, um aluno com excelentes notas pode acabar a escola sem saber desenvolver oralmente uma ideia e sem conseguir argumentar num debate. Porque o essencial da avaliação é feita através de provas escritas, sem consulta, e iguais para todos.
Compreende-se esta opção: é aquela que melhor serve o raciocínio do burocrata. E para o burocrata a exigência não se mede por o gosto por aprender (ui, o que eu fui escrever!) e pelo desenvolvimento de capacidades que são forçosamente diferentes, de pessoa para pessoa. O burocrata abomina, pela sua natureza, as variações que lhe estragam os gráficos.
O que Daniel Oliveira parece não perceber é que a burocratização dos alunos é uma
consequência de um sistema de ensino centralmente planeado... qualquer professor que se atreva a inovar é logo esmagado pelo sistema; e qualquer aluno que saia da forma, idem.
Uma obra indispensável para superar este tipo de problemas cognitivos é
Bureaucracy, de Ludwig Von Mises:
The bureaucrat is not free to aim at improvement. He is bound to obey rules and regulations established by a superior body. He has no right to embark upon innovations if his superiors do not approve of them. His duty and his virtue is to be obedient.