Para que Portugal possa crescer e ter algum futuro com esperança ou faz reformas profundíssimas, sem precedentes na história recente, ou sai da zona euro. Infelizmente o meio termo não é uma solução viável, mas antes um compasso de espera para mais pobreza.
Mas as elites portuguesas insistem no meio termo. Basta ler as recente entrevistas de Rui Vilar, António Borges, do ministro da Economia, do presidente do Tribunal Constitucional ou mesmo do Presidente da República para perceber que todos gostam muito de ficção. À direita, uma mão cheia de nada supostamente já resolveu tudo (de um governo que não tocou nem nas PPP nem nas rendas na energia e noutros sectores, não reformou nem a administração local, nem a justiça, nem as universidades, nem o Estado, não fez nenhuma reforma fiscal). Falam mesmo já de um caso de sucesso. Mau sinal pois sempre que Portugal foi um caso de sucesso, de Cavaco a Sócrates, sabemos agora, era uma mentira pegada. À esquerda, com medo de assumir o inevitável, espera-se por mudanças na zona euro. Ora isso é simplesmente irresponsável porque não vão acontecer nem à velocidade nem com a profundidade que Portugal precisaria (ao contrário do que diz o ex-presidente Soares, mandar a senhora Merkel de volta para a Alemanha de Leste não resolve nada; mostra apenas uma ignorância absoluta e confrangedora sobre a realidade política alemã).
Quando um país está condenado ao fracasso económico e as suas elites bem como a sua opinião pública recusam entender onde estão metidas, o problema é fundamentalmente cultural e muito pouco económico. Podem até proteger os interesses instalados bem como os direitos adquiridos dos lóbis, dos sindicatos, de todos aqueles que conseguem condicionar e influenciar as políticas públicas. Podem continuar a governar os pensionistas das políticas que, sendo os principais responsáveis do desastre (como mínimo, por uma profunda falta de visão), acham que mudando o acessório, conseguem manter o fundamental. Mas o empobrecimento não espera.
"A Arte da Fuga" ("Die Kunst der Fuge", BWV 1080) é uma obra-prima de Johann Sebastian Bach:
um único tema musical persegue-se, a si mesmo e as múltiplas variações, num diálogo musical intenso desenvolvido a diversas vozes, rico de simetrias, inversões, ritmos e tempos diferentes.
Fugas para aartedafuga@gmail.com
Sexta-feira, Julho 27, 2012
As causas da crise portuguesa
Via O Insurgente, A crise é fundamentalmente cultural por Nuno Garoupa:
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