Saúde Doente por Miguel Botelho Moniz:
Diz o ditado que a saúde não tem preço. Mas tem um custo sempre crescente. Em 1990, o estado gastava 3,2% do PIB em saúde; em 2011, foram 5,4%.
Se esta escalada de custos já seria um problema numa situação corrente, no contexto de um estado endividado e praticamente falido, ganha contornos verdadeiramente alarmantes. São duas as tendências que explicam este crescimento, sendo previsível que ambas se prolonguem no futuro.
O crescente recurso da população a serviços privados de saúde advém, assim, não de qualquer ideologia mas do racionamento que ocorre quando se utiliza um recurso escasso, neste caso serviços de saúde, por um preço abaixo do seu custo. É mais uma questão de disponibilidade do que de qualidade. Assim sendo, veremos quanto tempo a população está disposta a aceitar pagar elevados impostos, que supostamente cobrem o SNS, ao mesmo tempo que tem que pagar directamente pelos seus cuidados de saúde, no privado ou num SNS remodelado.
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