Quinta-feira, Agosto 30, 2012

Automutilação

Excertos de Automutilação de Tomás Belchior:
.. o Estado não tem conhecimento, nem incentivos, para resolver os problemas do País. Tem conhecimento e incentivos para usar e tentar manter o poder que lhe é oferecido pelos que lhe exigem soluções para os problemas do País. São duas perspetivas diferentes que, para mal dos nossos pecados, raramente estão alinhadas.
O Estado regula para tentar proteger as empresas que existem hoje (mais vale um emprego na mão do que dois a voar) e taxa-as se estas e os seus acionistas começarem a ganhar demasiado dinheiro (somos todos contra a desigualdade desde pequenos). Até lá, como governar para todos é o mesmo que não governar para ninguém (e não se ganham eleições se não se governar para alguém), distribui uns subsídios e abre umas exceções.

O português não se transforma num santo quando vai para o governo ou para a administração pública. Na melhor das hipóteses fica o português que sempre foi. Na pior, com a polícia, o fisco e a Assembleia da República à mão, transforma-se no tiranete que nunca conseguiu ser. Sendo absurdo ter como objectivo de política económica mudar a natureza humana ou a estrutura do universo, resta-nos o caminho inverso. Resta-nos reconhecer que a única visão, a única estratégia, o único plano de que as empresas precisam é de um plano para levar euros do bolso dos consumidores para os seus próprios bolsos. Ou seja, precisam de começar a ajudar os portugueses a concretizar as suas visões individuais em vez de ajudarem o Estado a acabar com elas.
Há falta de procura? Tenho uma sugestão para os nossos empresários: comecem por exigir que o Estado deixe mais dinheiro na conta dos contribuintes e trabalhem a partir daí.

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