Segunda-feira, Setembro 17, 2012

A escolha

A Escolha por Bruno Alves:
.. não nos iludamos: um corte de despesa em alternativa ao aumento de impostos não será nenhum mar de rosas para a mesma "classe média" que nos queixamos de estar a ser fiscalmente sufocada, pois ela foi (e é) feita em grande medida por essa mesma despesa.

Não são apenas os 56% de dependentes directos ou indirectos do Orçamento, contabilizados por Medina Carreira. A Saúde "tendencialmente gratuita" ofereceu melhoria dos cuidados médicos sem que os seus custos acrescidos se sentissem no bolso de quem a eles recorria. As propinas irrisórias nas Universidades públicas permitiram a obtenção de formação superior. Os benefícios fiscais à aquisição de casa própria facilitaram o acesso ao crédito. De uma forma ou de outra, a despesa pública permitiu aos portugueses canalizar uma boa parte do seu rendimento para a aquisição de bens que alimentaram a cândida fantasia de que vivíamos num país com um nível de vida "europeu".

Um corte significativo na despesa pública implicaria o fim do pouco que resta dessa ilusão. O custo real da Saúde, das escolas ou das Universidades, por exemplo, teria de ser suportado por quem delas usufruiu. E com a diminuição da despesa e do peso do Estado viria também a redução do número de empregos na Administração Pública. A "classe média" está condenada a perder parte do seu rendimento, quer opte Gaspar por um aumento de impostos quer opte por uma redução da despesa e inerente perda de benefícios.

Há no entanto uma razão para escolher a segunda: a manutenção (e subida) da despesa e constantes aumentos de impostos foi o caminho que nos trouxe até aqui. É por isso, aliás, que este Governo é um fracasso: não por piorar a vida dos portugueses em 2013, mas por nada fazer para evitar que no futuro piore ainda mais.

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