Sábado, Setembro 15, 2012

A manif que desmascara os falsos liberais

Uma vez Murray Rothbard terá perguntado Do you hate the state? Carregarias num botão que acabasse com o aparato repressivo do Estado? Claro que tal botão não existe, e thought experiments fantasistas não são base para fundar um sistema de valores. Mas é um exercício mental que permite ter os olhos no objectivo. Quem se diga "anarco-capitalista", "voluntarista", etc, tem de ter claro que o objectivo é devolver a sociedade à sociedade.

Ora ontem apareceu um "botão". Mais ou menos. E aparentemente há quem ache que liberal que é liberal (ou qualquer pessoa que percebe política) devia apoiar a manif. Como se atrevem não compreender que começou a Era Aquarius da cidadania? O sonho partilhado por um imenso colectivo?

Ora bem, e piroseiras à parte, se fosse politicamente possível que os objectivos declarados da manif fossem atingidos da noite para o dia, acabava-se o financiamento externo ao Estado Português e à economia privada nacional, de que o Estado depende. Seria um colapso muito caótico, mas o facto é que o Estado como o conhecemos colapsaria, e revelaria a suas verdadeiras cores - porque teria de expropriar à ganância para poder garantir os mínimos.

Independentemente de considerações "caos não é anarquia", este cenário nunca se materializará. Antes disso tínhamos um eurocomissário a mandar no burgo, e um governo de salvação nacional, de iniciativa presidencial, como testa-de-ferro. E por muito que o actual Governo esteja aos papéis, teríamos mais "austeridade", e uma recuperação económica nada baseada na restruturação da economia (porque isso demora tempo, é penoso, e há formas mais técnicas de dar a volta ao PIB). E nada do aparelho do estado desmantelado — porque o povo não o quer.

É lindo o empenho do povo a gritar brejeiradas na rua ("regresso à política"). Ora, a política hardcore faz-se em escuros corredores onde o povo só interessa quando pode ser manipulado para objectivos comuns. Que não passam por emagrecer o Estado.

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