Domingo, Setembro 02, 2012

Autonomias e despotismo tecnocrático

A propósito de ¿Quién roba a los catalanes?,

Há quem diga que o fracasso das autonomias em Espanha é prova que o Estado devia ser ainda mais centralizado. Ora, o descalabro aconteceu porque o Estado continua demasiado centralizado - as autonomias não são responsáveis pelo financiamento das suas loucuras despesistas. O socialismo adoooora que os outros paguem as contas.

Não é uma questão de "perspectiva". Ou se entende o Estado ao serviço das pessoas, e nesse caso o poder político deve ser exercido o mais perto dos cidadãos, e pelos cidadãos, tanto quanto possível, ao nível das autonomias, das autarquias, dos bairros...

...ou se entende que o cidadão existe para alimentar o Estado, os seus burocratas, os seus políticos, os seus interesses instalados -- em suma tudo menos a liberdade dos indivíduos --, e aí entram as teorias de economias de escala estatal, de controlo centralizado, de administração colectivista.

E quem defende as últimas, imbuído de inspirado "patriotismo" (não mais do que social-nacionalismo), no fundo está a defender que comités distantes, impessoais e "eficientes" façam a gestão da vida das outras pessoas. Tudo para o seu bem. É este tipo de respeito que têm pelo próximo.

Como se alguém tivesse a autoridade de passar esse tipo de procuração a terceiros, e por cúmulo a uma imensa esmagadora máquina político-burocrática. Tragicamente, este poder de ter voto despótico na vida das outras pessoas é fundação das democracias modernas.

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