Sábado, Setembro 22, 2012

democracia = pessimismo

Preferia nunca ter tido de escrever este texto por José Manuel Fernandes:
Hoje sabemos que estamos a ficar mais pobres e não sabemos quando isso vai acabar, se é que vai acabar. Hoje alguns acham que essa pobreza deriva das intenções malévolas de políticos desapiedados, mas enganam-se: o mal já cá estava quando ninguém sequer ouvira falar de alguns desses políticos.
Hoje estou ainda mais pessimista. Começo a duvidar que existam condições para Portugal superar as principais debilidades e até que a Europa nos possa salvar de nós mesmos .. recordar, com tristeza e desalento, que desde a revolução liberal, há quase dois séculos, nunca Portugal conseguiu equilibrar as suas contas em democracia – só o fez em ditadura ..

Estar mais pessimista não era inevitável. Num país que estivesse mais habituado à democracia e com uma elite mais sensata, as manifestações de sábado teriam sido recebidas como uma enorme demonstração de maturidade do povo português e incorporadas com naturalidade no processo de decisão política ..
.. não é sério – não é sério hoje como não era sério no passado – sugerir que o problema se resolve com as PPP, as fundações ou os carros dos ministros. Tudo isso é importante e, sobretudo, é simbólico, mas vai para a cova de um dente. Os cortes necessários são muito maiores e muito mais dolorosos. Omiti-lo é demagogia.

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