Terça-feira, Setembro 04, 2012

Elegância, pluriculturalismo e multiculturalismo

Pelo pluriculturalismo, contra o multiculturalismo:
Começo pelo fim, pelo exemplo dado, distinguindo entre dois tipos de comportamentos: os positivos (aqueles que por hábito cultural os indivíduos praticam) e os negativos. Um indivíduo fora do seu ambiente cultural deve abster-se dos comportamentos positivos que são mal vistos na cultura que o recebe, mas não considero ser ofensivo o não inverter os comportamentos negativos. Posso dar o meu exemplo pessoal. Eu fui educado, como todos os portugueses, a dar dois beijos na face ao cumprimentar uma mulher, mas a não o fazer quando cumprimento um homem. No meu país de acolhimento há 5 anos, islâmico por coincidência, é tradicional dois homems cumprimentarem-se com um beijo (e um toque de narizes), mas um homem não tocar na mulher na mesma situação. Como todos os Ocidentais, abdiquei do meu tradicional comportamento positivo (não beijo mulheres muçulmanas quando sou apresentado), mas também não inverti o comportamento negativo: não beijo (nem toco narizes) com homens locais na mesma situação. Nunca fui acusado de desrespeitar a cultura local por não o fazer, embora o fosse se alguma vez tentasse beijar uma mulher muçulmana. O exemplo é especialmente mau devido ao evento em que se inseriu: um evento que é, por natureza, multi-cultural e que hoje é realizado em Londres mas que amanhã pode ser na Arábia Saudita. Obrigar os atletas a aculturarem-se à pressa à cultura de cada país organizador dos JO seria uma forma rápida de acabar com eles.
Há questões culturais que, sem abdicação de valores, só se aprende a lidar com maturidade tendo vivido em países de cultura diferente da nossa.

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