Terça-feira, Setembro 11, 2012

não me "libertem"

não me obriguem a ser “liberal” por Rui de Albuquerque:
Não à custa da minha renda, compulsoriamente extorquida para tapar os buracos da conta do estado, para subsidiar empresas públicas e privadas, e para manipular os custos do trabalho dependente ..
Seja qual for o destino e a qualificação técnica dessas medidas, assunto francamente secundário, eu preferiria que o governo utilizasse recursos próprios para pôr em marcha as suas “soluções magistrais de liberalismo prático”. Quais recursos? Aqueles que ele utiliza para sustentar dezenas de fundações e institutos públicos, para pagar as parcerias público-privadas, para cobrir os défices gigantescos da RTP, da TAP, da REFER, da Parpública, do Metro, dos mais de quarenta mil funcionários públicos que contratou nos últimos tempos, do ensino público universal e praticamente gratuito, da saúde pública universal, mal gerida e gratuita, dos pareceres pagos aos escritórios dos amigalhaços, do funcionalismo político que continua viçoso e saudável, do dinheiro que persiste em não querer receber ao recusar-se a alienar a CGD, para continuar a sua actividade de banca privada, etc. Não tem, o governo, dinheiro para estas reformas? Mas como não tem se continua a financiar-se, com o dinheiro dos nossos impostos e com o que tem vindo da troika, para pagar esses custos, dos quais parece não querer prescindir?

Para além disto há que duvidar da eficácia destas medidas, como de quaisquer outras medidas intervencionistas provenientes de qualquer governo, quaisquer que sejam as suas finalidades (sempre as melhores, como sabemos…). Pelo menos, essa é uma obrigação de qualquer espírito liberal, “prático” ou “teórico” ..
.. esta lição de “liberalismo prático” que o governo de Passos Coelho nos deu na passada semana, à força e contra a vontade expressa da maioria dos “libertados”, faz lembrar a célebre proclamação aos portugueses de D. Pedro IV, na sequência do desembarque no Mindelo, em 1832, quando, ao ser recebido com animosidade popular que não esperava nem lhe tinha sido prometida, os advertiu: “Não me obriguem a libertar-vos!”.
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Por mim, agradeço, reconhecido, mas prescindo bem deste “magistral liberalismo prático”, à custa do meu trabalho, da minha renda e propriedade, em vez do trabalho que o governo devia ter feito.

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