Os indignados com os cortes a que chamam cegos são os mesmos que defenderam e defendem que se gaste cegamente. Dirão os ingénuos que é tudo uma questão de cegueira. Eu diria que antes pelo contrário é ter alcance de vista.Acrescento que da mesma forma que o Estado é incompetente para alocar eficientemente recursos (roubados aos contribuintes) aos usos que mais eficazmente servem os objectivos declarados e implícitos do próprio Estado [por "implícitos" refiro-me à satisfação da própria burocracia, classe política, interesses instalados tanto do lado do capital, como do lado do "trabalho"], o Estado é também incompetente para saber onde, na monstruosa máquina administrativa, fazer cortes cirúrgicos -- isto quando (como dizia Thatcher) o socialismo acaba com o dinheiro dos outros.
Por muito que os decisores que querem reduzir despesas em vez de aumentar impostos (e são tão poucos esses decisores) queiram não fazer cortes "cegos", quando tentam ser precisos, algumas artérias serão cortadas e haverá sangue. Ou cortarão nervos ou vias respiratórias. A economia+sociedade é um organismo demasiado complexo.
A "solução" _não_ passa por microgerir "melhor" os cortes -- precisamente porque o sistema é tão complexo -- passa sim por torná-los ainda mais cegos. Top-down, estabelecer quotas de redução de despesa estatal (a causa última da crise), e fechar a torneira às macro-estruturas do Estado.
Os críticos dirão que assim morrerão criancinhas, velhinhos, e flores de vaso. A sério?
Já se sabe que no Estado existem megalómanos que julgam que a sociedade e a economia podem ser manipuladas como uma máquina, puxando umas alavancas que libertam dinheiro fresquinho, e mais leis e mais regulamentos e mais proibições, e propaganda e manipulação emocional para dividir e reinar... gente como esta só pode ter perturbações sociopáticas... mas estão _verdadeiros_ psicopatas à frente dos ministérios, e das secretarias de estado, e dos múltiplos organismos do Estado?
As mesmas pessoas que com dinheiro do contribuinte fariam maravilhas maravilhosas pelo país... num contexto em que é preciso poupar à séria não têm o discernimento de cortar nas rubricas com menos impacto social? Escolheriam o pior possível?
Mas que bela ideia ter metido o Estado a tomar conta de tudo. Saúde, Reforma, Educação, Desemprego, "Investimento" Público... Talvez fosse melhor reduzi-lo um pouco. Calma, estou a ler o que escrevi, talvez não. Estou confuso.
Sem comentários:
Enviar um comentário