Sexta-feira, Setembro 14, 2012

Sanguessugas

Sanguessugas por Maria João Marques:
Houve .. dois momentos em que era apesar de tudo fácil reformar o estado de forma a redimensioná-lo (i.e., encolhê-lo) às capacidades e às necessidades do país. Um desses momentos foi o primeiro governo de Guterres, que apanhou um ciclo de crescimento económico onde teria sido fácil encolher o estado sem grandes custos para a população. Como é sabido, Guterres decidiu-se por políticas de insuflar o estado, no meio de uma maré despesista que conseguiu dar cabo das contas públicas mesmo em tempos de aumento das receitas fiscais.

O segundo momento vivêmo-lo no ano passado, quando o PSD venceu as eleições legislativas e formou governo em coligação com o CDS .. Sucedeu, no entanto, que os sacrifícios pedidos e aceites pela população não foram acompanhados por reestruturação e encolhimento do estado. Pedro Passos Coelho .. tinha obrigação de ter ideia do que fazer ao estado quando foi chamado a formar governo ..

Mas, lá está, o PSD de Passos Coelho não tinha, afinal, nenhuma ideia para além das brincadeiras de diminuir ministérios e pôr os governantes a viajar em classe económica. Não estava preparado para ir além do simbólico .. E, assim, os sacrifícios para as populações continuaram e reproduziram-se mas a reforma do estado não veio. Mais de um ano depois do governo em funções .. Toda a gente percebe que o governo não quis – e agora, se quiser, já não consegue – encolher o estado.

Se o governo tivesse anunciado um aumento de impostos depois de anunciar ou, preferencialmente, implementar reformas estruturais que libertassem a economia e a sociedade do estado .. o governo teria o país consigo. Assim, não passam de mais umas sanguessugas de que a população muito legitimamente se quer livrar ..

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