segunda-feira, outubro 22, 2012

cosmética

A favor dos cortes desde que não se corte:
82,1% defende cortes na despesa em vez de aumento de impostos
0,7% defende cortes nas despesas de educação
0,2% aceita cortes nas despesas de saúde
Como se liquida uma solução por André Abrantes Amaral:
A sondagem publicada ontem no i, com 82% a favor dos cortes na despesa em vez do aumento dos impostos, diz-nos muito do estado do país. Se são tantos a favor do corte na despesa pública, por que é que tal não se nota quando se fala da privatização da RTP? Ou da TAP? Ou da CGD? Ou da extinção de qualquer outro instituto público que o que faz não justifica o que gasta? Talvez porque os que protestam contra a venda da RTP não sejam os mesmos que o fazem relativamente à TAP. E por aí fora. O corte na despesa é bom e desejável, se afectar os outros. A solidariedade colectiva dá nisto. Tornámos as muitas minorias que cercam o estado e vivem à conta dos contribuintes, numa larga maioria.

Mas o resultado da sondagem diz-nos mais: que a maioria é a favor de cortes na despesa, porque tal se tornou o novo chavão do discurso político. É algo que ninguém sabe o que é, e enquanto não se souber o que seja é inofensivo. É a nova forma de atirar o problema para trás das costas. E representa um perigo: é que sendo a única solução (com tudo o que de dramático isso representaria para a vida de milhões de portugueses) corre o sério risco de se tornar algo nebuloso de que todos são a favor, mas em que ninguém mexe porque não sabe o que na verdade significa. Algo parecido com o que se passou com a discussão à volta da regionalização. Mastiga-se, mastiga-se e enquanto se mastiga, os políticos continuam a fazer carreira.

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