sexta-feira, outubro 19, 2012

equacionar outros modelos menos estatais

Um excelente artigo - O país já começou a desistir. Vamos ser como a Grécia de José Manuel Fernandes:
Constatei uma unanimidade fácil: são todos contra o Orçamento do Estado. Não surpreende: é um orçamento de quem está encurralado. E também estão todos indignados com o aumento de impostos. Na verdade, quem pode ser a favor deste saque fiscal? Eu também sou contra ..
.. Para sairmos do poço, não basta “negociar com a troika”, tal como não basta reduzir o défice público: é preciso mudar tudo ou quase tudo, e isso é muitíssimo doloroso.
A única hipótese que Portugal tem de conseguir melhores condições é não fingir que faz sem faze .. e não arrastar os pés à grega, sempre a resmungar que “não funciona, não funciona” .. O que estes últimos dois anos mostram sem margens para dúvidas é que Portugal, a economia portuguesa, não sustenta o Estado que temos ..
.. sem rever o nosso Estado social não podemos suportá-lo com o nível de impostos que estamos disponíveis para pagar, sobretudo se pensarmos que a sociedade está envelhecida e a economia há mais de uma década que estagnou. E repensar o nosso Estado social é equacionar outros modelos menos “públicos” do que o actual. Era isso que este Governo dito “liberal” deveria ter já começado a fazer ..
Portugal, se quiser ter futuro, terá de conseguir diminuir a sua dívida com o acordo negociado dos credores, terá de estar num espaço monetário menos germânico do que o do actual euro, terá de devolver à sociedade civil muitas das funções do seu Estado social e terá de ter uma cidadania e uma economia menos protegidas, logo mais habituadas a viver com riscos e a lutar pela competitividade. É isto que temos de discutir a sério, pois os excessos fiscais de 2013 só são superáveis com outro Estado e outra moeda. Tudo o resto serão paliativos, aspirinas que apenas mascaram a nossa velha doença. Mas tem sido apenas de aspirinas, paliativos e gongóricas indignações que vivemos por estes dias. Ou de puras ilusões, de teimosas recusas em encarar a dimensão do buraco em que estamos e as novas realidades de um mundo a que a Europa não está a saber adaptar-se.

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