quarta-feira, outubro 24, 2012

Exportando para a pobreza

Via A desvalorização monetária como estímulo às exportações, Exportações – a Ilusão do Estímulo Cambial:
No entanto, é isso que se passa quando se fomenta exportações recorrendo à desvalorização monetária. Ao desvalorizar a nossa moeda exportamos mais unidades dos nossos bens mas como a nossa moeda tem menos poder aquisitivo, não conseguimos necessariamente comprar mais bens estrangeiros. Na realidade o que se verifica é um subsídio ao consumo da outra sociedade à custa do trabalho da nossa sociedade. De facto vendemos mais mas não conseguimos comprar mais graças a isso, qual é a utilidade? A nossa moeda está mais fraca, o que implica que precisamos de mais unidades da nossa moeda para obter uma unidade da moeda estrangeira. Sendo assim, todos os bens estrangeiros ficam mais caros. Esta perda de poder de compra é precisamente reflectida no aumento do preço das importações e, simultaneamente, num aumento dos preços internos devido à inflação. As exportações aumentaram mas a nossa economia não ficou mais próspera, antes pelo contrário. Em geral a nossa capacidade de consumir bens e melhorar o nosso nível de vida não aumentou, apenas passámos a subsidiar o consumo da sociedade estrangeira. Estamos a desviar esforços produtivos do mercado interno para as exportações e, ao mesmo tempo, a causar inflação. Este problema é ainda mais intenso em sociedades que dependam bastante de importações (de matérias-primas, por exemplo) para a sua produção. Ao fim de algum tempo as alterações internas levarão necessariamente a um aumento de preços (inclusive dos bens a exportar), eliminando assim a eficácia desejada da medida. Este facto, por seu lado, tende a levar a uma nova desvalorização cambial, perpetuando assim este ciclo.

Sendo assim, o desejável é ter uma moeda estável e forte («sound money»). Se a moeda for estável ou mesmo fixa a apreciação da mesma é algo natural e não um colapso económico eminente, como alegam os economistas actuais. Estes apenas olham para os dados das exportações e ignoram as outras questões essenciais.
Para além da explicação económica, penso que faltou mencionar que muitos estímulos à exportação devem-se ao favorecimento de interesses particulares (grandes empregadores exportadores, etc) em deterimento dos interesses dispersos dos consumidores.

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