Sucede que não existe um povo, mas inúmeros indivíduos com desejos e necessidades diferentes uns dos outros. A unidade que nos junta está nos laços familiares, na língua, na cultura, no nosso passado e no futuro que podemos construir, mas não esgota a nossa individualidade. Somos mais que um povo: somos pessoas concretas.
Sentimos hoje uma enorme frustração por não conseguirmos dar a volta aos problemas que nos afectam. Habituados que estamos a considerar tudo de forma colectiva, vemos a solução no acesso ao poder dentro do Estado: se mandarmos, recuperamos as nossas vidas. Mas não é assim: outros decidiriam por nós, algo que piora quando as massas mandam.
Se queremos as nossas vidas de volta, é tempo de exigir que os governos tenham menos poder. Que o Estado decida menos e gaste menos. Isso pressupõe poder de escolha e mais responsabilidade. Esperar menos do Estado e mais de nós, no que a nós e aos nossos diz respeito. Se não queremos ser mais explorados pelo Estado, este tem de decidir menos sobre os assuntos que nos interessam. Um Estado com menos poder é um Estado com menos vícios. Um país com cidadãos mais livres e responsáveis é um país verdadeiramente solidário e mais justo.
"A Arte da Fuga" ("Die Kunst der Fuge", BWV 1080) é uma obra-prima de Johann Sebastian Bach:
um único tema musical persegue-se, a si mesmo e as múltiplas variações, num diálogo musical intenso desenvolvido a diversas vozes, rico de simetrias, inversões, ritmos e tempos diferentes.
Fugas para aartedafuga@gmail.com
Terça-feira, Outubro 09, 2012
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