Eles dizem que não têm culpa. Que a dívida não é deles. Mas a questão é: que fizeram estes senhores de bem ? Não fomos os campeões do progresso, do crescimento, da prosperidade. Fomos os campeões das rotundas. Da panóplia de empresas municipais que por aí floresceram, prometendo um tacho ao primo e ao companheiro, um concerto à freguesia e um festival à cidade inteira. À custa de quem ? Do seu suor, caro leitor. Estádios, gimnodesportivos, salas de concertos, pontes, marginais, festivais de Verão, festivais de Inverno, corridas de carros, campeonatos de surf, exposições, tourada, sessões de cinema ao ar livre, “eu sei lá”…
E eu pergunto: quantos festivais e concertos foram subsidiados por autarquias este ano ? Quantas obras foram encomendadas por autarquias neste ano de aumento de impostos ? Quantos museus mantiveram as portas abertas à custa do orçamento da autarquia ? Caro leitor, pergunte-se quantas autarquias ainda subsidiam o clube da terrinha. É capaz de ficar surpreendido se tentar encontrar a resposta.
E a questão ainda pode ser levada mais a fundo. Quantos autarcas estabeleceram ou mantiveram negócios obscuros ? Com clubes de futebol, construtoras, etc. Quantos mais compraram carros topo de gama a fim de “dignificar a figura do presidente” como a criatura que preside ao município de Matosinhos ? E como este, quantos mais se atreveram a tentar salvar clubes de futebol enquanto o país passa fome ? Quantos dementes se lembraram de, à imagem do tipo que é presidente da CM de Gaia e só abre a boca para falar do Porto, propor mil e uma obras, eventos e eventos, para um município que ainda nem gerem e com a possível consequencia de contribuír para o seu endividamento – e o do país ? Que dizer de um génio pensante como Fernando “Rotundas” Ruas, eterno facilitador do trânsito e intelectual da rodovia, mas que se despista cada vez que abre a boca e propõe o que lhe vai na alma ( ou o que lhe há-de vir no bolso)?
"A Arte da Fuga" ("Die Kunst der Fuge", BWV 1080) é uma obra-prima de Johann Sebastian Bach:
um único tema musical persegue-se, a si mesmo e as múltiplas variações, num diálogo musical intenso desenvolvido a diversas vozes, rico de simetrias, inversões, ritmos e tempos diferentes.
Fugas para aartedafuga@gmail.com
Sexta-feira, Outubro 05, 2012
os campeões do progresso, do crescimento, da prosperidade
A defenestração dos incapazes por Ricardo Lima:
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