.. vivemos num país em que o mérito não é premiado, e a inépcia não é penalizada.
Facilmente se compreenderá que é difícil ser bem sucedido num ambiente económico que, muito antes desta crise, já criava enormes dificuldades a qualquer pessoa que arriscasse investir. Todos nós conhecemos alguém com relatos inacreditáveis acerca das complicações burocráticas com as quais teve que lidar na criação e gestão do mais pequeno negócio, dos problemas colocados pela carga fiscal pesada e complexa ou pelo simples facto dos clientes (privados e Estado) não pagarem a tempo pelos serviços prestados pelo nosso interlocutor. O dr. Borges até poderá ter razão no seu louvor das alterações na TSU entretanto abandonadas, mas se há coisa que nenhum empresário ignora, e que tal medida nada faria para resolver, são estes problemas.
Como nada faria para resolver a quase absoluta dependência do Estado para o sucesso de qualquer negócio: as afamadas “pequenas e médias empresas” vivem sujeitas à carga fiscal que o Estado lhes impõe, e os “grandes negócios” vivem num meio de promiscuidade em que nada se faz sem aprovação ou patrocínio do poder político – o sucesso ou insucesso de uma empresa depende assim do poder reivindicativo do sector em que estas se integram para obter do poder condições favoráveis ao exercício da sua actividade. Em Portugal, em vez de um mercado de serviços e produtos que premeie aqueles que satisfazem os seus clientes, temos um “mercado” de influência política que premeia quem melhor bajula o governo do dia. Em Portugal, a única “ignorância” que prejudica um empresário é a do número de telefone dos ministros.
"A Arte da Fuga" ("Die Kunst der Fuge", BWV 1080) é uma obra-prima de Johann Sebastian Bach:
um único tema musical persegue-se, a si mesmo e as múltiplas variações, num diálogo musical intenso desenvolvido a diversas vozes, rico de simetrias, inversões, ritmos e tempos diferentes.
Fugas para aartedafuga@gmail.com
Quinta-feira, Outubro 04, 2012
que os ignorantes comam bolo
Ignorância por Bruno Alves:
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