terça-feira, outubro 23, 2012

Rant Liberal do Dia

Que a dependência do Estado - e do dinheiro dos contribuintes - provoca patologias mentais tramadas, não é notícia. É uma mistura de abuso psicológico, dependência emocional, e vício material. Cria Gollums um pouco por todo o lado - ora extremamente subservientes, ora hostis. Sobretudo manipuladores e sem escrúpulos morais.

Nem estou a falar de pessoas, se bem que isso também acontece - o que não falta são beneficiários a viver à custa do gado contribuinte (não vou usar a palavra "gado" com os beneficiários porque isso sim, já seria politicamente incorrecto!). Falo de instituições (que sim, não têm mente, mas a analogia penso que passa). O que não falta é instituições (ou seja, as pessoas que delas dependem) a reagirem passivo-agressivamente, em modo instinto de sobrevivência (vulto fera ferida, ou melhor dito parasita-ferido), a quererem a todos os custos, mesmo indignamente, preservarem os seus privilégios pagos por terceiros.

Um caso da semana passada foi o Instituto Superior Técnico, que ameaçava "fechar portas" por causa dos cortes orçamentais. Como se tudo fosse absolutamente imprescindível, como se não houvesse nada, nenhuma unidade, nenhuma actividade -- acessória, complementar, redundante, supérflua -- que possa ser reformulada, cortada, extinta. E que a melhor solução de gestão seja extinguir a instituição. A infantilidade está à vista. É esta a maturidade - de administração, de comunicação, de atitude de serviço público - que têm os gestores públicos habituados a décadas de torneirinha estatal. E a filosofia que transmitem "pelo exemplo" à próxima geração de engenheiros. (atenção, não que já não sejam uma classe aberrantemente corporativa)

Outro caso é o da Lusa, Diário de Notícias, RTP, licenciadinhos em Comunicação Social com o cérebro bem lavadinho. Claro que ninguém gosta de ver o seu mundo virado do avesso. Claro que desperta sentimentos de negação e revolta. Agora, a retórica que ali vem é de um nível retórico de sumidouro (se eu escrevesse "sarjeta" as pessoas viriam comentar o meu estilo retórico, em vez do que eu estou a escrever). É que por um lado não podem dispensar - despedir! - ninguém, como se aquilo fosse um centro de emprego, e toda a gente fosse indispensável. E, insuflados de insuportável sentido de auto-importância, acham-se o garante da "democracia". Como é que o povo terá opinião se não forem eles, prometeicamente, a entregar a verdadeira realidade à sociedade?

Estas situações absolutamente indignas e petulantes repetir-se-ão. E cada uma será um insulto a todos os que estoicamente "apertam o cinto" e dispensam o dispensável para poderem sair à rua de cabeça erguida. Tudo isto precisamente porque durante décadas esta aristocracia das influências políticas pôde viver com honras de Estado à custa dos que sobrevivem com aquilo que podem. E não só (mas também) porque são tão poucos os primeiros que é "injusto" e "inconstitucional" que se eles se adaptem quando há tantos que podem continuar a alombar para garantir-lhes os direitos adquiridos.

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