segunda-feira, outubro 22, 2012

"Trabalho sexual é trabalho"

[483.] "Trabalho sexual é trabalho" de Eduardo Cintra Torres:
A legalização da prostituição é um assunto melindroso em sociedades como a portuguesa. Por um lado, uma forte corrente na opinião pública, com expressão no poder político há décadas, não a considera uma actividade profissional, baseando-se em critérios de moral aceitáveis, se bem que discutíveis; por outro lado, a prostituição e outras actividades decorrentes, como as referidas no vídeo, comparam-se efectivamente, numa lógica económica e social, a uma troca de serviços a troco de pagamento, como milhões de outras trocas comerciais. A diferença está no que a sociedade tem considerado a mais íntima utilização do corpo. De facto, diversas profissões usam o corpo sem qualquer problema moral envolvido: desde as profissões manuais às performativas. Muitos actores engajam-se em actividades eróticas, para não dizer sexuais (e para difusão pública), sem que haja qualquer reparo moral e social: talvez por estarem a representar ficção, enquanto os profissionais do sexo se representam a si mesmos.
O absurdo é querem sacudir a imagem de "escravatura sexual" para adoptarem a realidade de uma escravatura fiscal...

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