Do mesmo modo que hoje olhamos para o passado, criticando como bárbaras as acções daqueles que esperavam mudar a realidade sacrificando cordeiros, e mesmo pessoas, no altar de uma qualquer divindade, no futuro este nosso presente será visto como bárbaro pelas acções daqueles que esperam mudar a realidade através do exercício de uma ciência que conhecem superficialmente, mas cuja essência ignoram.
Algumas das maiores atrocidades cometidas no século XX foram feitas em nome de ideias pseudo-científicas; desde fé religiosa na eugenia, ou no seu oposto “lysenkoismo”, até à soberba do planeamento económico e socialismo (ou marxismo) científico. Se nos regimes totalitários essa fé pseudo-científica resultou em milhões de mortos, nos regimes moderados, como no ocidente, essa fé teve também impactos consideráveis, mesmo que menos letais. Talvez a principal consequência seja a absorção de uma responsabilidade tutelar universal pelo estado. A ideia de que é possível o estado reduzir os riscos inerentes à vida e proteger os indivíduos não apenas uns dos outros, mas de si próprios e – pior das soberbas – da própria imprevisibilidade da vida.
"A Arte da Fuga" ("Die Kunst der Fuge", BWV 1080) é uma obra-prima de Johann Sebastian Bach:
um único tema musical persegue-se, a si mesmo e as múltiplas variações, num diálogo musical intenso desenvolvido a diversas vozes, rico de simetrias, inversões, ritmos e tempos diferentes.
Fugas para aartedafuga@gmail.com
Terça-feira, Outubro 23, 2012
Um dia o Estado será considerado uma instituição primitiva
Obscurantismo mascarado de modernidade por Miguel Botelho Moniz:
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