quarta-feira, novembro 28, 2012

A farsa

Algo que já venho dizendo, especialmente a quem achava que o FMI vinha cá meter ordem na casa. A esperança "neoliberal" - uma liberalização top-down - era disparatada. A Troika age no interesse dos seus membros - que é diferente (por truismo) do interesse dos países intervencionados. Nada rebuscado -- mas claro que a ideia da "ditadura financeira" (tese que a esquerdalha tanto gostava) também não tinha pés nem cabeça -- afinal ninguém gosta de emprestar dinheiro a quem pode renegar dívidas a qualquer instante. O status quo preserva-se, e reforça-se. E porque ainda não houve inversão palpável de políticas, para algo menos estatizante, estamos mais falidos do que antes. Os gregos, esses, estão mortos e ninguém lhes diz.

A farsa por Ricardo Arroja:
Hoje, o FMI é uma espécie de polícia bom, enquanto que os ministros da zona euro são os polícias maus. Será motivo para pensar que o bom prevalecerá sobre o mau, ou vice-versa? Ou será motivo para pensar que existe uma articulação entre os dois com vista a um determinado fim?

Inclino-me para a segunda hipótese, como de resto costuma suceder nos policiais, em que polícias bons e polícias maus divergem publicamente, mas apenas na aparência, com o propósito de extraírem um objectivo comum do suspeito. Ora, nos dias que correm, esse objectivo comum é muito simples: consiste em libertarem-se da Grécia com o menor custo possível.
Está visto que a Grécia vai necessitar de um terceiro programa de resgate, e que tão cedo não regressará aos mercados para emissões de longo prazo.

A austeridade será prolongada, sem esperança à vista. E, portanto, voltando ao polícia bom e ao polícia mau, creio que o objectivo dos credores não é mais do que manter os gregos em lume brando, até que um dia estes fervam e tomem a decisão que ninguém quer tomar por eles: a saída do euro.

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