terça-feira, novembro 20, 2012

A indignação fingida

A indignação fingida por André Abrantes Amaral:
O mais confrangedor é que a insolvência do Estado foi previsível. Foi-o para os que pregaram no deserto nos últimos anos, mas também para todos os cidadãos que fizeram uso da razão e foram imparciais. Que não tinham interesse no statu quo e eram isentos. Foram poucos, mas falaram. Como falam ainda hoje.

Não há nada mais ofensivo para a inteligência de alguém que assistir ao esforço daqueles que, nunca querendo saber o que realmente se passava, vendem o seu espanto com indignação. O Estado faliu devido a 30 anos de disparates: concessão aos interesses das corporações com acesso ao poder político; aumento da intervenção do Estado; aumento gradual da carga fiscal sobre quem trabalhava; contratação pública para disfarçar a incapacidade do sector privado de criar emprego à velocidade a que se aumentavam os encargos do Estado, a que se juntou a incapacidade deste de cumprir as suas funções fundamentais. Quem ficou surpreendido com o que aconteceu? Fomos crédulos, mas não podemos ser estúpidos.

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