sexta-feira, novembro 16, 2012

a insuportabilidade da liberdade para os socialistas

A propósito de bifes e meias-solas, de caridade e de fraternidade:
Na verdade, goste-se ou não, as mudanças em Portugal terão sempre de passar por algumas alterações dos hábitos de consumo. Primeiro porque, como país, andámos demasiado tempo a consumir muito mais do que produzíamos. Todos, em média, 10 por cento a mais. Daí boa parte da dívida. Depois porque, nas famílias, a expectativa de que o rendimento disponível tendia sempre a aumentar, como havia aumentado nas décadas que levaram até à viragem do milénio, induziu comportamentos (e nalguns casos níveis de endividamento) que hoje não são sustentáveis.
O que certos sectores da opinião quiseram fazer foi ajustar contas com uma organização que ajuda realmente os pobres sem obedecer aos paradigmas radicais do que deve ser a “solidariedade social”. É que, para esses sectores, a virtude da caridade é um pecado e o simples facto de alguém falar dos pobres sem propor a revolução torna-o suspeito ..
Há quem entenda que o Estado, através do seu exército de funcionários, das suas imensas estruturas, da sua burocracia sem limites e das receitas sempre crescentes que obtém através de mais e mais impostos é que deve ser o dono da solidariedade social e o árbitro absoluto não só das necessidades de pão, como até das carências imateriais. Esse Estado teria mesmo a vantagem de nos desobrigar da preocupação com os nossos semelhantes, aliviando-nos a consciência.

Os que, em contrapartida, entendem que a sociedade não pode ser apenas formalmente justa, tem também de ser fraterna, e que isso passa pela relação entre os homens e não apenas pelo seu dever de pagarem impostos, valorizam instituições como os bancos alimentares e exemplos como os de Isabel Jonet. Porque também valorizam a liberdade e a responsabilidade pessoal, por onde necessariamente passa a busca da felicidade.

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