sábado, novembro 24, 2012

acreditarmos em “promessas liberais” de políticos

de mal a pior:
.. o liberalismo não é uma filosofia de governo e de estado, mas uma filosofia sobre o governo e sobre o estado. Logo, como resulta evidente, não serve para programa de governo, porque um programa de governo – qualquer que seja – é sempre intrusivo da liberdade individual, se esta for entendida como a capacidade de se tomarem decisões sem a sua intermediação. Como filosofia política, o liberalismo é uma pedagogia de cidadania, porque demonstra que qualquer pessoa tem mais vantagem em ver-se livre do estado do que ficar dependente dele. Como filosofia económica, o liberalismo explica que o mercado livre, isto é, o mercado não intervencionado pelo estado, satisfaz melhor os consumidores do que um mercado onde os empresários tenham de partilhar as suas decisões com os políticos e os burocratas. O liberalismo é, assim, uma filosofia que tem destino individual (não poderia ser de outro modo), e que é dirigida a cada um dos membros da sociedade, tentando demonstrar-lhes que eles têm mais a ganhar em serem livres e responsáveis por si próprios, do que dependentes do paternalismo e do protecionismo do governo. Só uma sociedade responsável e adulta, isto é, na qual predominem estas a convicções, poderá aproximar-se do ideal de liberdade que os liberais clássicos protagonizam. Daí a importância das ideias, como Mises sempre salientou, não porque elas possam vir a ser executadas por um governo eleito, mas porque elas podem impedir os abusos do governo, se forem socialmente predominantes, porque os governos sempre querem ganhar eleições e não podem, para isso, contrariar os sentimentos dominantes do eleitorado.

Nessa medida, é sempre ilusório acreditarmos em “promessas liberais” de políticos. Não quer isto dizer que quem as faça não as faça com absoluta seriedade e não esteja absolutamente convicto do que diz, mas uma coisa é ser-se cidadão, ainda que político, coisa diferente é ser-se governante, e não devemos ficar surpreendidos com as contradições inerentes a cada um desses estatutos. Sobretudo no estado de emergência nacional em que Portugal se encontra, ao qual foi condenado por décadas de políticas socialistas que comprometeram o nosso futuro, e em que os asfixiantes buracos da tesouraria do estado impedem qualquer reflexão de médio longo prazo. E é por isso mesmo que isto só poderá ir de mal a pior.

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