domingo, novembro 11, 2012

Banco Alimentar contra o Socialismo

Sobre a polémica Isabel Jonet

- Aqui o vídeo

- Lamentavelmente não há espaço para as estuporações que por aí já se lêem

- Primeiro, não vale a pena pegar em questões de pormenor económicas. Por exemplo, não existe tal coisa como "verdadeiro valor das coisas" -- e sabe-se lá o que IJ chama de "custo de oportunidade" - igualmente, não se percebe a história do concerto/radiografia (time-preference?) mas ninguém está a pegar por aqui, adiante

- Sim, também eu considero um pouco irritante a arenga de "como ser feliz" - com menos posses etc. Eu pessoalmente gostaria que as pessoas se contivessem de dar conselhos tão fáceis (e um nadita pirosos) sobre como as outras pessoas podem ser felizes vivendo mais "simplesmente". Esses conselhos só se dão, se apropriados, a quem se conhece bem, e a quem está no estado de espírito para que funcionem. Não consta que possuir menos seja solução universal para as questões existenciais que todos, muito diferentemente, temos. E propriedade privada não é, nunca foi, um pecado espiritual, antes pelo contrário, faz parte da nossa esfera privada, logo da nossa identidade. Quem não acha.. enfim, que se livre do que é seu. E coiba-se por favor de atirar lastro emocional para cima dos outros. Mas enfim, adiante, quem nunca cedeu ao proselitismo que atire a primeira pedra.

- Sim a falsa bonança estatal fez com que as pessoas pudessem gozar de um nível de vida superior ao que normalmente teriam. Algumas pessoas não deixaram de ser pobres, mas muitas gozaram nem que seja indirectamente de estradas novas, centros de dia, rotundas reluzentes e aeroportos internacionais à porta
- Sim, com a "austeridade" (para os privados, não para o Estado), muita gente está a passar pior, muito mal; outros talvez nem tanto, e embora seja legítimo manter a cabeça alta, e sim algumas excentricidades fazem parte, também há muito denial e muitas sinalizações de status muito pouco maduras.
- E sim, mesmo que o Estado pagasse as dívidas da noite para o dia, o país tem de se habituar a gastar menos, a poupar mais, a rejeitar que o Estado roube tanto, a investir mais, a produzir mais. Sim "o país" não são as pessoas, mas as pessoas - especialmente as mais "vulneráveis" vão passar inevitavelmente por ainda mais dificuldades - não esqueçamos, não por causa da "cura", por culpa de décadas de socialismo light

- Quanto à questão da "miséria", importa afastar a questão semântica. Sim há situações de tragédia, de gente destroçada por pobreza atroz, infortúnios, imprevidências, doenças físicas, mentais, vícios, etc. São tragédias e exemplos -- discretos -- de miséria. Mas o país não atravessa uma crise humanitária. Não há Miséria Humana com letras maíusculas. Miséria é gente a morrer à fome, peste, guerra. O que há em Portugal é muita pobreza, são coisas diferentes. Mas Portugal ainda é "primeiro mundo".

- É interessante que a esquerdalha quando quer atacar a solidariedade privada (chamam-lhe "caridade salazarenta") já gosta de olhar (embora selectivamente) para os indivíduos. Ai e tal como podem esses malvados dizer que não há miséria quando há gente miserável, eu vi na TVI. Mas este individualismo rapidamente se dissipa, há que preservar a ideologia que todos devem gratidão ao Estado, quer queiram quer não. Todos os que contribuem ou prestam voluntariado não contam. Todos os que recebem por via privada não contam. E todos os que são expoliados -- para pagar o "assistencialismo" "público" e o grotesco aparato do Estado que faliu o país --, não contam.

- outra acusação ao BA é que a sua acção é "discricionária". No shit Sherlock. quem lida com a realidade, ao invés dos ideólogos pós-marxistas do regime, sabe que nenhuma situação é igual a outra, e que as regras têm de dar lugar a princípios. E serem aplicadas de forma subjectiva. Mas esta maltosa gosta de administrações científicas da "questão" da pobreza.
- Sim porque (dizem eles) há problemas reais, que (constato eu) só se resolvem tornando cada pessoa num conjunto de indicadores numéricos, processados em procedimentos frios e impessoais. Como acontece em qualquer repartição pública onde os "utentes" são tratadas como sub-pessoas -- e às vezes nem como humanos. E o contribuinte, sempre como gado. O sector privado tem muitos defeitos, mas procura sempre poder personalizar serviços (sim, interesseiramente, dá mais dinheirinho) - é o Estado que trata as pessoas como números, como estatísticas a serem agregadas tecnocraticamente pelos engenheiros sociais de serviço.

- enfim, o país estaria pior sem o Banco Alimentar contra a Fome -- como estaria melhor sem todos aqueles que desprezam a acção privada porque não se enquadra na sua noção progressista da sociedade.

BÓNUS Se pretendem (realmente) fazer algo coisa verdadeiramente util
Em vez de se limitarem a risiveis e acefalas inciativas, Os esquerdistas que se queixam do protagonismo de Isabel Jonet podiam lançar uma iniciativa concorrente ao Banco Alimentar que o esvazie e torne redundante. Ou sera que as manifs ja vos ocupam o tempo todo?

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