segunda-feira, novembro 05, 2012

O fim do Messias

O fim do messias – ou um momento I told you so:
Depois foi o que se sabe. Obama começou a implementar a sua política inclinado à esquerda, usando e abusando da arrogância de quem se vê predestinado, nas relações com o GOP, levando a uma distância entre democratas e republicanos nunca vista e a uma impossibilidade de concensos. Na política externa sucederam-se os desaires: o discurso do Cairo, qualificado de ‘histórico’ antes de ser proferido, foi uma dos mais abjectos discursos de apaziguamento e desrespeito pelos direitos humanos das mulheres do mundo muçulmano jamais ditos; a inicial tentativa de aproximação ao Irão foi ridícula e mostrou como Obama não conseguia entender os problemas do mundo fora de uma moldura de culpa americana e europeia; a revolta após as eleições presidenciais iranianas deixou a Casa Branca como uma barata tonta, uma vez que baseavam a sua política numa efectiva legitidade democrática de Amhadinejad e amigos; a China, que Obama tanto criticou, reforçou a sua influência tanto regional como mundial; a intervenção americana na Líbia não se entende perante a não-intervenção na Síria; etc., etc., etc.. Não conseguindo ver qualquer alternativa a estímulo à economia atrás de estímulo, face a uma situação económica difícil a prioridade de Obama foi, em todo o caso, uma reforma na saúde de que os americanos – e Obama sabe que sabe o que é melhor para os americanos do que os próprios – detestaram. Guantanamo continuou, ataques com drones mataram muita gente, a reforma da imigração morreu e outros troféus liberais tiveram o mesmo caminho. Obama conseguiu até destruir aquilo que a sua eleição teve de melhor: mostrar que a raça não é um factor determinante para um candidato, numa espécie de redenção de um país com história de escravatura.

Obama, com taxas de aprovação risíveis e sem certeza de vitória, tem ainda assim mais probabilidades de ganhar amanhã do que Romney, um candiato com inúmeros anticorpos na direita americana. Mas continuará a ser o que foi e sempre foi visível que seria: um presidente medíocre.

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