quinta-feira, novembro 22, 2012

Rant Liberal do Dia

Uma das observações da natureza humana é que as pessoas agem de acordo com a sua informação, os seus valores, os seus interesses. E como o mundo está sempre a mudar, e os contextos não são os mesmos, e porque somos todos diferentes e crescemos diferentemente, vivemos num mundo socialmente muito complexo.

E daí o que os economistas designam "interesse próprio". Um truísmo útil para simplificar a análise dos fenómenos económicos (que lidam com recursos). É absurdo postular que as pessoas agem primeiro segundo os interesses dos outros - não quer dizer que não o façam, mas porque entendem (mesmo subconscientemente) que também é do seu interesse.

Ora, uma crítica a esta observação é que as pessoas não são motivadas só por interesse materiais. É obviamente uma crítica burra. A observação fala de interesse próprio, que _inclui_ interesses não materiais. E quando se fala da moralidade de não limitar a legítima liberdade das pessoas, fala-se sobretudo de não limitar os interesses não materiais das pessoas - embora claro, não somos entes incorpóreos, isto redunda a não se limitar o uso legítimo de meios materiais.

Pode-se argumentar que os liberais falham ao focar-se no fim da cadeia de pensamento - não se limite a liberdade "económica" (querem dizer "liberdade material"). E sim, há dificuldades de comunicação. Que também são devidas a um certo entrincheiramento, já que a esquerdalha tomou o "high ground" moral que obviamente não tem. É imoral e sociopático quer meter políticos e burocratas a governar a sociedade, incluindo limitar tudo o que seja liberdade "económica".

Mas repare-se que a reacção é quase sempre a mesma. "Interesse próprio? As pessoas têm sentimentos, nem tudo é dinheiro!". Ora, beauty is in the eye of the beholder.

- Muitos liberais sentem-se atraídos ao liberalismo por atracção pela perspectiva de uma sociedade vibrante, só possível quando os indivíduos são livres de exprimirem com os seus próprios meios.

- Outros não concebem que as pessoas possam ter interesses que não os mais materialistas - e projectam essa psicose naqueles que não querem políticos e burocratas como garantes da dimensão espiritual dos indivíduos - ou da "sociedade".

Quem são aqui os materialistas?

Há que puxar o tapete por debaixo dos socialistas. "Igualdade de oportunidades"??? O socialismo,
- com a sua obsessão de redistribuição de bens materiais, caracterizando as pessoas segundo aquilo que possuem ou poderão vir a possuir
- com ódio à poupança não sancionada, ao investimento não sancionado, ao consumo não sancionado
- com ódio à liberdade individual, ódio à expressão anárquica da individualidade, ódio das múltiplas dinâmicas sociais que surgem para desespero dos engenheiros sociais de serviço...
- com tamanho ódio ao que foge ao controlo, por definição toda a liberdade que ainda não tenha sido tutelada por um legislador, regulador ou funcionário ...

o socialismo (incluindo a sua versão "democrática") é uma doutrina grotescamente materialista -- e portanto desumana.

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